Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


25 de julho de 2011

Se a realidade não segue a tese...

Meu artigo no Estado

“O aquecimento global não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo”. Quem diz é Luiz Carlos Molion, meteorologista da Universidade Federal de Alagoas e representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial.

Quem fala a seguir é José Carlos Parente de Oliveira, doutor em Física com pós-doutorado em Física da Atmosfera da Universidade Federal do Ceará: “A busca da verdade deve ser o norte da atividade em ciências. Não é isso o que ocorre com o tema aquecimento global. A sociedade está sendo bombardeada por notícias, reportagens na tevê, filmes com a mensagem de que as atividades humanas relacionadas às queimas de combustível fóssil são as culpadas pelo aquecimento da Terra. O grande responsável por esse bombardeio é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), que é um órgão da ONU“.

A tese do aquecimento global, já desacreditada pelas revelações do Climagate e pelo frio que insiste em se manifestar na Europa e Estados Unidos, só continua a enganar os inocentes debaixo do sol mediante o boicote, efetuado por órgãos de comunicação e corpos científico-governamentais, das provas que demolem a peça alarmista representada pela ONU.

No velho mundo, esse boicote já é norma empresarial. A direção da BBC acaba de determinar oficialmente, em relatório de orientação interna distribuído há poucos dias, que opiniões divergentes da teoria do aquecimento não serão mais ouvidas em seus programas. Porque, diz a BBC, há “consenso científico” nesse assunto. O aquecimento existe sim, é culpa do nosso estilo de vida, e a emissora não precisa mais se preocupar em ouvir quem objete esta verdade inquestionável.

Centenas de estudiosos em todo o mundo, entre eles Richard Lindzen, meteorologista do Massachusetts Institute of Technology, sustentam que a teoria do aquecimento é baseada em pura fraude e que a temperatura do planeta, de fato, vem caindo desde 1998. Existem dados colhidos por satélites para prová-lo, mas, conforme o nosso José Carlos Parente de Oliveira, "esses dados não são aceitos nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos". A ONU, assim como a programação da BBC, está fechada ao debate franco, por uma razão simples e há tempos escancarada: aquecimento global não é ciência, é ideologia fanática com objetivos políticos e econômicos.

21 de julho de 2011

O outro venezuelano com câncer

Meu artigo no Estado

Todo mundo sabe que a medicina de Cuba é a melhor do planeta. Prova disso é que Fidel Castro, acometido de um grave sangramento no intestino em meados de 2006, ignorou os hospitais do seu país e importou um médico da Espanha, num gesto de sofisticada dialética marxista.

Eles alardeiam maravilhas sobre a fenomenal medicina cubana, mas os esquerdistas, quando o bicho pega, recorrem ao melhor serviço que podem pagar - e o SUS comunista nunca é cogitado pelos camaradas enfermos. Foi no Sírio Libanês, e não na ilha de Fidel Castro, que Fernando Lugo e Dilma Rousseff buscaram tratamento para os seus cânceres. O mesmo que agora Dilma recomendou a Hugo Chávez.

"Os médicos disseram que tudo está à minha disposição, gesto que agradeço de coração", disse o ditador venezuelano sobre o Sírio Libanês, antes de rumar a Cuba, onde será tratado de um misterioso câncer pelos médicos particulares da cúpula comunista (ou será num hospital público?).

O Brasil favorece o regime venezuelano não só com milhões do BNDES, mas também com dicas de saúde. Para Chávez, isso mostra a "solidariedade e irmandade que vazam pelas fronteiras”. As mesmas negadas ao maior líder da oposição venezuelana, atualmente vitimado por um câncer na próstata.

Alejandro Peña Esclusa, candidato a presidente da Venezuela em 1998, hoje preside a UnoAmérica (Unión de Organizaciones Democráticas de América), entidade criada em 2008 que congrega mais de cem organizações não-governamentais numa barreira ao avanço do Foro de São Paulo, formado pelos governos brasileiro, cubano, venezuelano, boliviano, equatoriano, argentino e por aí vai.

Em agosto de 2009, a UnoAmérica denunciou o governo Chávez na Corte Internacional de Haia por tumultuar países vizinhos e manter sociedade com os terroristas das FARC, também eles membros do Foro de São Paulo. E então, em julho de 2010, Esclusa foi encarcerado pela polícia política de Chávez à moda comunista, com provas inventadas e sem julgamento, pelo crime hediondo de se opor ao governo. A versão chavista é que ele tramava atentados terroristas. Imaginem vocês que, pela farsa oficial, o celerado guardava explosivos no quarto onde dormia sua filha de sete anos.

Alejandro Peña Esclusa havia sido operado um mês antes da prisão e tinha o câncer sob controle. No cárcere, porém, tem sido impedido de receber medicação, e deu-se o esperado: a doença voltou, fato que leva o espectador de má-fé a suspeitar que Chávez deseja ver o opositor morrer atrás das grades. Eu rejeito essa possibilidade, já que Chávez é comunista, portanto misericordioso e amigo da humanidade. Além disso, como nos ensinou Lula, na Venezuela existe democracia até demais.
 
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Enquanto eu escrevia o artigo acima, mandado para a prensa às 17h de ontem, 20 de julho, Alejandro Peña Esclusa era libertado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) de Hugo Chávez, depois de um ano como prisioneiro político.

14 de julho de 2011

Juventude do governo aplaude o patrão

Meu artigo no Estado

Foi em outubro de 2008 que eu, estudante de jornalismo dando adeus à UFC, deparei com um trailer da União Nacional dos Estudantes estacionado dentro do campus do Benfica, próximo à reitoria, que se apresentava como a parada em Fortaleza da "Caravana da UNE de saúde, educação e cultura". Concluí logo que duas coisas seriam obrigatórias naquela história: picaretagem e maracatu.

A caravana era resultado de parceria da UNE com o Ministério da Saúde. José Gomes Temporão pegou R$ 2,8 milhões que seriam usados na capacitação de servidores do Sistema Único de Saúde e os deu aos meninos da UNE para que viajassem pelo Brasil e promovessem as bandeiras do governo federal, esquetes de teatro e... shows de maracatu, como suspeitei desde o princípio.

Em consonância com a política de Temporão, o pessoal da caravana distribuía camisinhas e debatia “direitos sexuais e reprodutivos”. “Direito reprodutivo”, traduzindo da novilíngua esquerdista para o português normal, significa direito ao aborto. A programação do dia era encerrada com maracatu e grupos folclóricos, para o contentamento de todas as doze pessoas na platéia.

Dias depois da passagem por Fortaleza, os líderes da UNE se reuniram com Lula em Brasília e pediram a saída do ministro Temporão, em razão do descalabro da rede pública de saúde e... Brincadeira, pessoal. Eles pediram foi a saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como parte da encenação de rebeldia que lhes garante as verbas milionárias gentilmente cedidas pelos pagadores de impostos.

De 2004 a 2009, os pagadores de impostos já haviam dado R$ 10 milhões para as juventudes do PT e do PC do B, formadas por jovens de 30 a 50 anos, muitos dos quais ingressaram na faculdade no governo Figueiredo e continuam lá, lutando pela educação pública-gratuita-e-de-qualidade.

A cifra explica por que Lula quase foi esmagado pelo deslocamento de ar proveniente dos aplausos frenéticos, dois anos atrás, no 51º Congresso Nacional da UNE, a ponto de o ex-presidente ordenar que interrompessem a ovação para que ele pudesse tagarelar no palco: "Vocês vieram aqui para trabalhar ou para gritar?”, perguntou Lula à claque, sabendo a resposta.

Começou ontem o 52º Congresso Nacional da UNE e Lula é novamente convidado de honra, desta vez trazendo Fernando Haddad debaixo do braço. Podemos chamá-los de safados, exploradores do povo, mas não de ingratos. Seguramente a UNE fará o que estiver ao seu alcance, incluindo o trabalho de “conscientização” dos estudantes, para tornar prefeito de São Paulo o ministro do português errado e do kit gay.

4 de julho de 2011

Lá vem a frota da paz de novo

Meu artigo n´O Estado

Você se lembra da cineasta e pacifista brasileira/coreana Iara Lee, aquela que dizia ter filmado imagens horripilantes de soldados israelenses dizimando “ativistas humanitários” a bordo do barco da paz que levava “ajuda humanitária” à Faixa de Gaza?

Em maio de 2010, uma “Flotilha da Liberdade” carregada de terroristas, relações públicas de terroristas, amigos de terroristas, inocentes úteis para terroristas, granadas, facas e outros utensílios inócuos partiu em direção à Faixa de Gaza com a desculpa de sempre: estamos levando ajuda humanitária.

A flotilha foi bancada pela organização turca IHH, íntima do Hamas. O Hamas é aquela entidade filantrópica empenhada em matar judeus e destruir Israel.

Considere mais este lance: Israel se ofereceu a receber em seus barcos a tal ajuda humanitária contida na flotilha e transportá-la até a Faixa de Gaza para os seus pretensos destinatários. E aí aconteceu o quê? Os pacifistas rejeitaram a oferta. “Por que terá sido?”, indaga o leitor ingênuo.

Israel é um país territorialmente pequeno sob a ameaça constante do terror ao seu redor. Fez o que tinha que fazer: não deixou que empregados do Hamas seguissem viagem sem ter os barcos inspecionados. Armada a tocaia, não restou opção aos soldados israelenses senão abordar os passageiros do barco.

As cenas do massacre alardeado por Iara Lee não apareceram, coisa que surpreende, pois imagens gravadas com equipamento profissional de integrantes das forças armadas de Israel chacinando indefesos discípulos de Gandhi teriam potencial de virar DVD e ser distribuídas ao mundo inteiro, gratuitamente, com o selo ONU de aprovação (nos extras, o doutor Noam Chomsky explicaria por que Israel é um crime contra a humanidade).

Em compensação, existem e nós vimos as imagens gravadas por Israel. Os soldados são recepcionados no barco com pauladas e facadas humanitárias. Foi bonita de ver a cena em que um soldado é humanitariamente arremessado do convés. Fora do alcance da câmera, um outro soldado é espancado e arrastado para um compartimento inferior. Resultado da resistência pacífica: nove estudiosos do budismo mortos, e manchetes e editoriais revoltados com a petulância dos israelenses de atirar em legítima defesa.

Lembro o episódio porque nesta semana ou na próxima outra flotilha partirá em direção à Faixa de Gaza, e seus passageiros novamente alegarão razões muito nobres e etc. e tal. Antecipo as manchetes para o leitor amigo: variações sobre “Israel reprime ativistas humanitários e impede entrega de ajuda humanitária”.