20 de novembro de 2009

Consciência negra: um produto da Fundação Ford

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Artigo no jornal O Estado (19 de novembro)

O artigo de hoje é sobre a chamada consciência negra, uma picaretagem que seria apenas cômica se não consistisse em fomentar a luta de brasileiros contra brasileiros em benefício de um projeto político orquestrado por entidades estrangeiras.

O observador atento já terá notado. Para o movimento negro, só tem dignidade o negro sindicalizado, o negro coletivo, ressentido e vítima do sistema. O negro que está pouco se lixando para as diretrizes do "movimento" é o negro alienado, ludibriado por uma falsa consciência.

Nesses dias de promoção da negritude militante li queixas dos racialistas contra um tal racismo institucional. Sou um jornalista fora de moda e ainda tento usar as palavras conforme o seu significado. "Institucional" refere-se a procedimentos oficiais, a práticas adotadas como lei pelo Estado. Instituir cotas e políticas exclusivas a um grupo com base na cor da pele de seus integrantes não seria justamente o racismo institucional?

Os esforços para estabelecer o apartheid politicamente correto no Brasil são oriundos da Fundação Ford, que banca a operação. No recém-lançado livro Uma Gota de Sangue, o sociólogo Demétrio Magnoli expõe a relação direta entre a Fundação Ford e o florescimento de movimentos de reivindicação, em vários países, baseados em noções raciais, étnicas e mesmo sexuais. É o caso do movimento negro no Brasil. Devo ressaltar que o patrocínio da Fundação Ford a esses grupos de pressão já vem sendo analisado e denunciado há pelo menos uma década pelo professor Olavo de Carvalho.

Em 2001, a Fundação Ford gastou 280 milhões de dólares na formação de "lideranças emergentes de comunidades marginalizadas fora dos EUA". Segundo Magnoli, "as subvenções da Fundação replicaram nas universidades brasileiras os modelos de estudos étnicos e de 'relações raciais' aplicados nos EUA e consolidaram uma rede de organizações racialistas que começaram a produzir os discursos e demandas dos similares norte-americanos". Isso inclui a doação de dinheiro a universidades que tenham implantado o sistema de cotas.

Nos últimos dez anos, as ONGs racialistas proliferaram em nosso país como fungos na umidade, e ganham mais poder a cada dia. É claro que não é por acaso. Existe uma agenda e existe um financiador. Os acadêmicos e militantes que trabalham dia e noite para provocar a luta de brasileiros contra brasileiros estão na folha de pagamento da Fundação Ford.

* * *

Os artigos que escrevo para O Estado são, infelizmente para mim e felizmente para outros, bem curtos devido à diagramação da página. Este aí em cima serve só para criar curiosidade sobre o assunto. Sugiro aos interessados que leiam Movimento Negro: A Fabricação do Racismo, do jornalista e sociólogo José Maria e Silva, publicado no Jornal Opção, de Goiânia. O post A Fundação Ford e o multiculturalismo, do blog "Acarajé Conservador", é uma transcrição de Uma Gota de Sangue a respeito dos serviços prestados pela Fundação Ford na fabricação da militância racialista no Brasil.

19 de novembro de 2009

Moral comunista

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Essa vai especialmente para os leitores cearenses. Vamos dar uma olhada na agenda do senador Inácio Arruda, que posou orgulhoso para a foto acima (do Estadão). Essa semana Inácio não só foi mimar o pobre Battisti na cadeia (atentem para a bem ensaiada expressão sofrida do italiano) como discursou em sua defesa na tribuna. O assassino comunista pode contar com a solidariedade do senador comunista. Trechos da nota da Agência Senado:

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) subiu à tribuna nesta quarta-feira (11) para defender a permanência do italiano Cesare Battisti no Brasil. E disse esperar que o Supremo Tribunal Federal não aceite o pedido de extradição feito pelo governo da Itália - Battisti foi condenado em seu país pela suposta participação em quatro assassinatos, ocorridos na década de 1970.

- Não o conheço pessoalmente, mas ele conta com minha solidariedade - declarou o parlamentar.

Inácio Arruda comparou a eventual extradição de Battisti à de Olga Benario, então esposa de Luís Carlos Prestes, que foi morta em um campo de concentração nazista. Ele também lembrou a tentativa do governo dos Estados Unidos de deportar John Lennon e sua mulher, Yoko Ono, que incomodavam o governo americano com sua postura pacifista e de apoio aos protestos contra a guerra do Vietnan.

Aí está o senador Inácio tentando igualar o regime democrático italiano ao nacional-socialismo. Inversão de valores e falsificação da história, a praxe comunista. E quem é Inácio para simular horror ante os campos de extermínio do nacional-socialismo? É o homem que aplaude os campos de extermínio de Stalin sobre uma pilha de cem milhões de cadáveres produzidos ao redor do mundo pela ideologia comunista. A contagem continua em Cuba, na Coréia do Norte e na China, regimes que também contam com a solidariedade de Inácio Arruda.

O falatório humanista do senador não parou na defesa de Battisti. Inácio aproveitou o embalo e louvou a memória de um dos grandes terroristas do século XX:

Inácio Arruda também homenageou o líder palestino Yasser Arafat, que faleceu há cinco anos, em 11 de novembro de 2004. O senador lembrou que Arafat foi um dos fundadores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e ressaltou que "ele estava ao lado de seu povo".

- E é preciso lembrar que continuam as ocupações ilegais na Palestina, determinadas por Israel - frisou o parlamentar, acrescentando que "há carrascos e há vítimas".

Yasser Arafat comandou centenas de ataques terroristas contra Israel ao longo de sua carreira como profissional da causa palestina. O homem "que estava ao lado de seu povo" possuía uma fortuna avaliada em dois bilhões de dólares, depositada em bancos suiços. Sua família leva uma existência milionária na área mais chique de Paris, bem longe do Oriente Médio.

Isto é Inácio Arruda e sua moral comunista. "A nossa moral", como dizia Trotsky.

12 de novembro de 2009

O genocida vem aí

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Artigo no jornal O Estado

A Marinha de Israel interceptou terça-feira passada, a 160 quilômetros de sua costa, um navio carregado com 500 toneladas de armamento – cerca de nove mil bombas, três mil foguetes Katyusha, vinte mil granadas e mais de 500 mil balas, entre outros objetos. Segundo a inteligência israelense, as armas seriam entregues à Síria, que as entregaria ao Hezbollah no Líbano. O Hezbollah é uma organização terrorista cujo objetivo é matar o maior número possível de judeus e destruir Israel.

Quem forneceu as armas encontradas no navio? Quem é o responsável por equipar o Hezbollah e o Hamas? Daqui a alguns dias, o homem por trás dos carregamentos será recebido em nosso país com tapete vermelho. Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. O psicopata que deseja apertar o botão do segundo holocausto judeu. Do primeiro holocausto, na visão dele.

Parlamentares do PT, do PC do B, do PSOL, professores universitários anti-Israel e jornalistas que prestam assessoria ao Hamas deveriam recepcionar Ahmadinejad no aeroporto com beijos e abraços. Durante a operação Cast Lead, quando Israel reagiu a oito anos de chuva de foguetes lançados pelo Hamas a partir da Faixa de Gaza, o discurso de Ahmadinejad foi endossado com entusiasmo por nossos esquerdistas radicais e idiotas úteis. Exigiam a rendição de Israel aos seus carrascos e igualavam os israelenses aos nazistas. Foi o que fez o PT em nota publicada no site do partido.

Lula já declarou que Ahmadinejad é "um irmão". Não, me confundi. Lula chamou de "irmão e líder" outro ditador carniceiro, Muammar Kadafi. O que Lula disse a respeito de Ahmadinejad foi que ele, Lula, não é "obrigado a não gostar de uma pessoa porque o outro não gosta. O Brasil tem sua soberania". O Brasil é soberano para fazer aliança com um genocida. Viva, viva!

Quando Ahmadinejad estiver aqui assinando papéis com Lula e servindo de escada para rompantes nacionalistas e amorais do nosso presidente soberano, tenha em mente que o iraniano é um dos motores da jihad contra o mundo livre. Ahmadinejad é agente de influência global e vem marcando posição na América Latina, na base de antiamericanismo, patrocínio a grupos terroristas e ódio mortal aos judeus e a Israel, a única democracia do Oriente Médio, o pequeno país cercado de inimigos por todos os lados.

* * *

Vejam os presentinhos que o Hezbollah receberia do amigo de Lula. Vídeo publicado no canal das Forças de Defesa de Israel no Youtube:

9 de novembro de 2009

O outro mundo possível cercado por concreto e arame farpado

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A imagem de um alemão tentando atravessar o muro de Berlim define bem a natureza demoníaca do comunismo. Aquela travessia, no mais das vezes, significava prisão ou morte. E mesmo assim os alemães arriscavam. Eles corriam para o outro lado como quem corre do diabo.

Vi na GNT um documentário sobre aquele monumento à opressão. Os telespectadores conheceram, entre outros casos, o de um piloto da Alemanha comunista que fugiu pelo ar para a Alemanha capitalista. Ao pousar numa pista que ele encontrou mais ou menos de memória (ele não tinha mapas precisos do outro lado), os funcionários lhe perguntaram se o avião estava com problemas. Naturalmente aquele avião não era esperado ali. E o piloto respondeu: "Não, não há problemas. De fato, eu diria que os meus problemas acabaram agora".

Ainda não. O piloto deixara para trás a mulher e a filha achando que, uma vez no outro lado, conseguiria buscá-las de algum jeito. Por três anos as autoridades da Alemanha capitalista negociaram com os comunistas para que a família pudesse se reunir. Vejam bem: três anos. Imaginem o drama desse homem temendo represálias da Stasi contra a esposa e a filha. E então, depois de três anos de impasse e angústia, elas desembarcam numa estação de trem no lado capitalista e se unem ao marido/pai. A família era uma só novamente, numa terra livre.

Outro caso emocionante foi o de três irmãos que também fugiram do comunismo pelo ar, em monomotores fantasiados de aviões soviéticos: os irmãos colaram estrelas vermelhas na fuselagem. Eles contam, com a empolgação do feito heróico, que os guardas do muro olhavam para os aviões, apontavam e gesticulavam, sem saber se deviam atirar. Um dos irmãos fez graça: "Eles estavam nos encarando, mas o que podiam fazer? Nós éramos soviéticos". O mais fantástico é que os irmãos acoplaram uma câmera na asa do avião e filmaram a fuga, da decolagem nervosa ao pouso no gramado do Reichstag. Sensacional.

São histórias e imagens lindas que nos chegam de Berlim. São as histórias que terminaram bem. É preciso lembrar, contudo, que para cada final feliz há centenas, milhares de tragédias. Homens, mulheres, crianças, idosos, pais, filhos, amigos separados fisicamente pela maior desgraça sobre a face da Terra no século XX: o comunismo.

Endosso aqui as palavras do professor Sachsida. Todos os alunos, de todos os níveis, deveriam aproveitar os festejos e perguntar aos professores – sobretudo os de história e geografia - o que eles acham do muro de Berlim. Peçam aos professores uma opinião sobre o regime comunista, o regime que confina seus escravos num paraíso cercado por concreto e arame farpado. É uma questão simples, e só existem duas respostas: a favor da liberdade do indivíduo ou a favor do sacrifício do indivíduo no altar do Estado.

8 de novembro de 2009

Seasons of Wither

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Linda, linda essa música. Take the wind right out of your saaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiil, yeah yeah yeaaaaah...

5 de novembro de 2009

Tudo pelo Estado, nada fora do Estado

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Artigo no jornal O Estado (texto integral)

Uma das primeiras lições que o esquerdista aprende no cursinho de mistificação é que chamar seus oponentes intelectuais de "fascistas" constitui a maneira mais eficiente de simular autoridade moral e inteligência superior. É uma palavrinha mágica. Nas ocasiões em que o esquerdista se vê encurralado (resumindo, quando o esquerdista enfrenta alguém com os neurônios sadios), ele estufa o peito, despeja o "fascista!" e sai de cena com o nariz empinado, transbordando presunção. Esquerdistas gostam de se apresentar como defensores da liberdade. É uma mentira grotesca, alimentada por semântica deturpada, valores invertidos e muita, muita propaganda.

Acaba de ser lançando no Brasil o livro Fascismo de Esquerda, escrito pelo americano Jonah Goldberg. Analisando "a história secreta do esquerdismo americano" (é o subtítulo), Goldberg mostra a semelhança de idéias entre os liberals dos Estados Unidos (lá, liberal significa esquerdista) e os fascistas. Friedrich Hayek dizia o mesmo em 1944, com o magistral O Caminho da Servidão. Na época, a crença nos benefícios do socialismo reinava entre os políticos e intelectuais ingleses. O próprio Hayek simpatizou com o socialismo na juventude. Mas ele notou, partindo do estudo da economia, que a crescente primazia do Estado sobre o indivíduo propicia o estabelecimento de um regime totalitário. De favor em favor, e geralmente sem que os governados percebam, o Estado benfeitor se transforma no monstro. Hayek escreveu o livro como advertência e o dedicou "aos socialistas de todos os partidos".

São intermináveis os exemplos do fascismo de esquerda no Brasil do PT. O caso mais recente: a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram uma emenda à Constituição que obrigará os pais a entregar seus filhos de quatro anos à escola. O esquerdista dirá: "Certíssimo. O Estado tem a obrigação de garantir educação e quanto mais cedo melhor". A educação estatal é um direito, recitará o esquerdista. Por aí vocês vêem qual é a noção de liberdade dessa gente: é um direito, mas eu não tenho a liberdade de rejeitá-lo. Educar os filhos de forma privada dá cadeia.

No noticiário, a PEC 96A/03 foi tratada como uma emenda para destinar mais dinheiro ao MEC, o que já é trágico (mais dinheiro do brasileiro no lixo). No entanto, o mais grave é que a PEC torna compulsório o ensino para crianças e jovens de quatro a 17 anos. Nossos parlamentares nem se preocuparam em consultar os pais. Por que deveriam? A idéia da autoridade paterna não lhes passa pela cabeça. A tutela estatal vale mais. A escola é um parque de diversões para a doutrinação dos alunos com esquerdismo e correção política. Agora a operação ficará mais fácil para os burocratas do MEC. O que pode ser melhor para eles do que ter à disposição crianças de quatro anos de idade?

29 de outubro de 2009

Obrigado, professor Adolfo Sachsida

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Artigo no jornal O Estado

Foram realizadas em Fortaleza, sexta-feira passada, as palestras da turnê "Liberdade na Estrada", promovida pela turma do site OrdemLivre.org. O programa prometia e cumpriu. Repito o agradecimento, dessa vez por escrito, a Diogo Costa, Bruno Garschagen, Lucas Mafaldo e Adolfo Sachsida.

Quem compareceu às discussões, na UFC e na FA7, conheceu a alternativa liberal ou teve sua crença na liberdade reforçada. Que surpresa agradável conferir a participação, nas duas faculdades, de estudantes genuinamente instigados e curiosos. É compreensível que houvesse tantas interrogações. Aprendemos cedinho que o Estado é a única solução para todos os problemas, reais e imaginários. Para esses estudantes, as palestras em Fortaleza serviram como uma oportunidade única. Só ali eles poderiam fazer certas perguntas e formular certas respostas fora do dogmatismo estatizante.

Esse evento formidável não teria sido possível sem a assistência de um grupo de jovens alunos da UFC. Fizeram tudo do próprio bolso, correndo pra lá e pra cá, buscando apenas a satisfação de atender a um chamado intelectual. Parabéns a todos. Eles sabem quem são.

Agora, um agradecimento à parte. Li quase tudo publicado nos jornais locais a respeito da crise financeira. Vários especialistas pontificaram sobre a crise, sobretudo os especialistas analfabetos em economia, que são os mais conceituados. Parecia haver um acordo tácito: não era preciso entender o assunto. Bastava apontar os culpados de sempre: o mercado, o capitalismo, o ter em detrimento do ser e, claro, o bicho-papão, o famigerado (tirem as crianças da sala) "neoliberalismo".

A palestra do professor Adolfo Sachsida varreu toda a desinformação. Ele é doutor em Economia e ensina na Universidade Católica de Brasília. Estava nos EUA, estudando, quando surgiram os primeiros sinais no setor imobiliário americano. De maneira tranqüila e didática, Sachsida separou as camadas do tema e as deixou visíveis a todo o auditório. Antes que percebêssemos, a cadeia de fatos que resultaram na crise estava diante dos nossos olhos. Esse é o dom de um verdadeiro professor.

Quando Sachsida encerrou sua exposição, os aplausos calorosos e semblantes iluminados diziam basicamente a mesma coisa: "Entendi, afinal". A crise tem raízes na ação do governo americano. Do governo, e não do mercado. Professor Adolfo Sachsida, creio que falo por todos que tiveram o prazer de ouvir sua aula: muito obrigado.

22 de outubro de 2009

Cinco anos no lixo

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Artigo em O Estado

Tenho um amigo que passou semanas me saudando da seguinte maneira: "Tu era jornalista e não é mais, o Gilmar Mendes rasgou teu diploma e jogou no lixo!" Dia após dia, lá vinha o deboche: "Qual é a sensação de desperdiçar cinco anos de faculdade?" Era uma piada e eu ria junto, retrucando que o maior prejudicado não tinha sido eu, mas o povo brasileiro inteiro.

Para muitos profissionais e estudantes, a derrubada da obrigatoriedade do diploma de jornalismo foi uma ofensa pessoal. Um alienado qualquer poderia insinuar que os protestos da classe contra a decisão do STF têm a ver com o monopólio das vagas. Isso é um absurdo e deve ser rechaçado veementemente. Os jornalistas só se preocupam com "o social", e jamais agiriam com tanto fervor por um motivo tão mundano como reserva de mercado.

Eu estava perigosamente sem assunto para o artigo de hoje. Tomo meu café e ligo a televisão na esperança de encontrar um gancho. Esbarro na reprise da entrevista que o William Bonner deu à Marília Gabriela alguns dias atrás. Foi sorte. Disse o apresentador-editor do Jornal Nacional que as faculdades de jornalismo se preocupam mais em doutrinar os estudantes com esquerdismo do que qualquer outra coisa. E acrescentou: os cursos deveriam investir pesadamente no ensino de português e história. Ou seja: William Bonner concorda comigo.

Geralmente, o curso dura quatro anos. Em termos de instrução para o que se costuma considerar jornalismo, esse período poderia ser abreviado para dois anos tranqüilamente. Há quem sustente que bastaria um ano ou menos. O resto do tempo é gasto com aulas inúteis sobre questões abstratas e distantes, futilidade acadêmica no seu esplendor. Sem falar na famosa formação ética, que é um nome bonito e neutro para esquerdização.

E o português e a história? Não me lembro disso na faculdade. Só me lembro de Escola de Frankfurt, "função social" da informação e besteiras similares. Aliás, o chique na escola de jornalismo é passar longe do jornalismo prático. O resultado se vê nas redações. Acho que muita gente ficaria surpresa ao ter contato com jornalistas. Vários são precariamente alfabetizados e/ou ignorantes em assuntos básicos.

Voltando à brincadeira do meu amigo. Ele manga afirmando que perdi meu tempo. De certa forma, há verdade nisso. Fiz amigos, freqüentei festas memoráveis, mas o fato é que, ao olhar para trás, a conclusão é crua e inevitável: meus cinco anos na faculdade de jornalismo foram cinco anos intelectualmente jogados no lixo.

18 de outubro de 2009

Beijo no rosto

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Deve ser a velhice. O fato é que a cada dia fico mais inclinado a abandonar certos procedimentos de convívio. Por exemplo, o cumprimento com beijo no rosto. Gesto antiqüíssimo entre os seres humanos, talvez usual já na época do saudoso Cro-Magnon.

O problema do cumprimento com beijo no rosto é a obrigação. Imaginem a cena. Você está lá, conversando com os velhos amigos sobre os velhos temas, e surgem três conhecidas de algum deles. Não uma apenas, mas três moças completamente desinteressantes. Aí você já sabe: vai ter que dar um beijo em cada bochecha, totalizando seis carimbadas compulsórias.

É desse tipo de situação burocrática que estou me cansando. Minha vontade é de interromper o processo e apresentar meus argumentos, gentilmente:

--- Olha, não me leva a mal. Que tal cortar esse beijinho? Sabemos que é só uma convenção besta e, além disso, não existem estímulos para tanto. Pensa bem. É a pura verdade. Por que a gente não aperta as mãos?

Sei que não serei totalmente bem-sucedido. Sempre existe o avanço facial do qual é impossível escapar. O quero dizer é que, havendo condições de natureza espaço-tempo, tentarei deixar claro que um aperto de mão resolve.

Explicando as condições. O fator espaço refere-se à distância que me separa da candidata ao beijo no rosto. O ideal é que haja centímetros suficientes para que eu tome a dianteira, estenda o braço e ofereça minha mão. Desse modo pretendo deixar evidente, de maneira suave e polida, que basta pegar na minha e balançar.

O fator tempo dispensa explicação. Substitua "centímetros" por "segundos". Sim, sabemos que existe uma brecha de frações de segundo que, bem aproveitada, pode decidir o futuro do cumprimento.

Como eu disse, o que mata é a obrigação. A liberdade para prescindir do beijo no rosto é vital. Valorizemos o bom e velho aperto de mão. Que as mulheres entendam: o aperto de mão, vindo do homem, não indica necessariamente falta de afeto. Quase sempre é só uma questão de comodidade.

Falando em comodidade, não nos esqueçamos do aceno com a cabeça. Você faz um leve movimento de crânio e pronto, o semelhante foi cumprimentado.

15 de outubro de 2009

Extra! Extra! Liberalismo na universidade

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Artigo no jornal O Estado

Se você é ou foi estudante de humanas na faculdade, sabe que a explicação para todos os fenômenos está no marxismo. Os professores, os currículos, os alunos são marxistas. É provável que o porteiro do campus seja marxista também. Lá, ninguém sabe quem é Ludwig von Mises, Friedrich Hayek. Fiquemos com um nome brasileiro: ninguém sabe quem é José Osvaldo de Meira Penna. Só marxista tem vez. E dá-lhe Paulo Freire e Antonio Gramsci.

Certo dia, no meu tempo de UFC, foi apresentado no auditório da reitoria um documentário de apologia a Fidel Castro e Che Guevara. Após a exibição, uma professora de História, cheia de mestrados, doutorados e outros ados na conta bancária, declarou, para uma platéia embevecida, que "não existe felicidade sob o capitalismo". Ah, se vocês estivessem lá para sentir a emoção do auditório... A classe média estudantil vibrou.

O universitário de humanas consciente é contra o capitalismo. Ele expressa a aversão ao capitalismo convocando protestos por telefone celular e e-mail. Ele fotografa a passeata com câmera digital (fabricada de modo artesanal e gratuito) e bota as imagens no Orkut. No fim de semana, o universitário anticapitalista sai de carro para tomar cerveja. Ninguém é de ferro. Mas, por coerência, ele só usa carros montados de maneira socializada, sem lucro pra ninguém. E a cerveja que ele bebe tem uma função social.

Sei que existem cinco ou seis elementos que escapam do marxismo atmosférico. E há também os saudáveis curiosos. É para eles que estou escrevendo este artigo. Tenho uma dica: no próximo dia 23, a turnê "Liberdade na Estrada", promovida pela turma do site OrdemLivre.org, passa por Fortaleza. Participam os economistas Adolfo Sachsida e Hélio Beltrão Jr., os cientistas políticos Bruno Garschagen e Diogo Costa e o filósofo Lucas Mafaldo, entre outros.

As palestras em Fortaleza acontecem em dois horários. Na UFC, das 8 às 12h, no auditório Geraldo da Silva Nobre (Avenida da Universidade, 2486). Na FA7, das 18 às 22h, no teatro da faculdade (Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, 1395). Repetindo: dia 23 de outubro.

Os realizadores da turnê querem expor aos estudantes universitários o pensamento liberal, em defesa do livre mercado e dos direitos individuais. Esses caras estão oferecendo outra visão em pleno terreno sagrado da militância estatizante. O programa promete.

8 de outubro de 2009

Dividir e conquistar (2)

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Artigo no jornal O Estado

Como eu dizia semanas atrás, pode ser que, muito em breve, o brasileiro descubra que seus concidadãos foram divididos juridicamente pelo governo em dois grupos, os brancos e os negros. A cor da pele passará a valer como critério de julgamento, e o brasileiro será informado por diversos especialistas que a objeção a tal divisão constitucional caracteriza racismo inconsciente.

No capítulo VII do Estatuto da Igualdade Racial, "Do Mercado de Trabalho", lemos que os governos federal, estaduais e municipais deverão garantir o acesso dos chamados afro-brasileiros ao emprego. Conforme o artigo 67 do capítulo citado, "a inclusão do quesito cor/raça, a ser coletado de acordo com a autoclassificação, assim como do quesito gênero, será obrigatória em todos os registros administrativos direcionados aos empregadores e aos trabalhadores do setor privado e do setor público". O que o estatuto propõe é o advento do mérito epidérmico: os negros terão empregos por serem negros, e acontecerá nas empresas o que já acontece em universidades: quem nunca nem soube o que significa raça de repente se transformará em negro profissional na hora de preencher a papelada. Conflitos judiciais e ressentimentos à vista. É o progresso.

São tantas as idiotices. Veja outro exemplo, o artigo 74, no capítulo IX, que trata dos meios de comunicação: "Os filmes e programas veiculados pelas emissoras de televisão deverão apresentar imagens de pessoas afro-brasileiras em proporção não inferior a vinte por cento do número total de atores e figurantes". Imagine uma comissão estatal encarregada de fiscalizar as obras e calcular o elenco negro compulsório. É o progresso.

A política de cotas foi copiada dos americanos, o que revela a sapiência da nossa esquerda: quando resolve imitar os odiados Estados Unidos, escolhe a pior coisa que encontra. Já que a turma do Paulo Paim importou o modelo, convém destacar um fato ocorrido na matriz. Há dois anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos votou contra a exclusividade do critério racial para a admissão de alunos em escolas de Seattle e Louisville. Atente para as palavras do juiz John Roberts: "O que as classificações raciais fazem nestes casos, a não ser determinar a admissão em uma escola pública baseada em preconceito racial? A maneira de parar com a discriminação baseada em raça é parar de discriminar com base na raça". O raciocínio é tão claro e evidente que a cabeça do esquerdista explode na tentativa de compreender. Explodiria também na tentativa de refutar – supondo que essas pessoas estivessem interessadas no debate normal, obediente à lógica e ao bom senso. Mas não. Basta afirmar que o juiz é racista e acabou o debate.

3 de outubro de 2009

Taí a responsável

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Quando o Zelaya informou que mercenários israelenses estão atacando os hóspedes da embaixada brasileira com radiação de alta freqüência, vislumbrei a oportunidade de oferecer aos leitores do blog algo que, até agora, nenhum meio de comunicação no mundo mostrou. Foram dias de telefonemas nervosos, mensagens criptografadas e encontros ligeiros em locais públicos movimentados. Demorou, sofri, pensei em desistir, mas enfim veio a recompensa. Graças a uma fonte bem posicionada no Mossad, consegui o registro. Aí está a responsável pela radiação que vem afetando o juízo do Manuel:
Minha fonte não deu a localização exata. Disse apenas que fica a quilômetros suficientes da embaixada. Essa senhora, que se finge de turista hippie, trabalha de freelancer para o lobby judeu. A chave para o sucesso da operação está naquele par de sapatos, que na verdade não são sapatos, e sim aparelhos que potencializam e direcionam as ondas emitidas pela inocente senhora.

29 de setembro de 2009

Mais Honduras

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Boa leitura, pessoal:

Brasil: opção preferencial pela ilegalidade, por Graça Salgueiro.

A crise hondurenha desenhada em 16 fatos, por Reinaldo Azevedo.

Honduras contra a mentira global, por Olavo de Carvalho.

26 de setembro de 2009

Parabéns, atirador

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Estão de parabéns o tenente-coronel Fernando Príncipe, comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, e especialmente o major Busnello, que, numa brecha de frações de segundo, disparou o tiro certeiro na cabeça do bandido e pôs fim à agonia da refém.



Primeiro ato: a polícia faz seu trabalho exemplarmente e garante a vida da refém. Segundo ato: a operação bem-sucedida é aplaudida pela população. Geralmente entra em cena no terceiro ato o demagogo dos direitos humanos que repreende a polícia. É provável que nos próximos dias apareça algum acadêmico débil mental para culpar a sociedade pela morte do rapaz.

Após a matéria temos o breve lamento de uma Sandra Annenberg com cara de velório: "uma tragédia". Obviamente ela se refere à morte do bandido. Como considerar trágica uma operação que termina com a refém sã e salva? Que diabo de conclusão é essa? Só a ideologia politicamente correta explica. E sabemos qual seria o comentário da apresentadora caso a mulher tivesse morrido nas mãos do bandido: "A sociedade já não sabe o que temer mais, a violência nas grandes cidades ou o despreparo dos policiais".

Sandra deve achar que foi ignorância da polícia atirar daquele jeito. Porque, se você reparar bem, o coitado não ameaçava a vida da refém de maneira alguma: ele apenas segurava uma granada sem pino junto ao crânio da moça. Uma conversa resolveria o impasse. Mais ou menos assim:

(Policial 1): O senhor poderia fazer a gentileza de liberar a moça?

(Bandido): Estou cogitando essa possibilidade.

(Policial 2): Olha, todo mundo ia achar bacana se você fizesse isso. Solte a granada. Estamos na torcida. Pode ser? Contamos com a sua colaboração, senhor.

(Bandido): Pior que é mesmo, né?

(Policial 3): Se o senhor não liberar a moça, nós ficaremos bastante chateados. Pense nisso.

Sensibilizado, o bandido bota o pino de volta, solta a moça (não sem antes beijá-la no rosto e pedir-lhe perdão pelo transtorno) e caminha em direção aos policiais já com os braços estendidos à espera das algemas. Tudo acaba bem.