Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


2 de fevereiro de 2012

As coisas se encaixam: Viva Rio se une a Chávez para desarmar povo venezuelano

Antônio Rangel Bandeira, presidente da ONG Viva Rio, queridinho da Globo, se junta ao ditador para desarmar o povo da Venezuela. Ambos, naturalmente, pensando no bem da nação.

De novo a desculpa de Guantánamo...

Meu artigo no Estado

Daqui a algumas semanas a morte de Orlando Zapata completa dois anos. Vocês lembram? Na ânsia de trair o comunismo cubano, ele se dirigiu a uma cela, ficou lá alguns anos, parou de comer e maquiavelicamente “se deixou morrer”, como disse Lula, que na ocasião visitava os irmãos Castro e lhes doava mais alguns milhões do BNDES, pois somos um país rico e podemos sustentar as ditaduras amigas.
 
Após o suicídio reacionário de Zapata, o grande timoneiro petista igualou os presos políticos de Cuba aos bandidos de São Paulo. Recorde a lição: “Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano”.

É a mesma desculpa de respeito à autonomia de Cuba que Dilma Rousseff usa agora, poucos dias depois de outro prisioneiro dos Castro, Wilman Villar, se deixar morrer de fome:

"Nós vamos falar de direitos humanos em todo o mundo? Vamos ter de falar de direitos humanos nos Estados Unidos, a respeito de uma base aqui que se chama Guantánamo. Vamos falar de direitos humanos em todos os lugares", disse Dilma, que iria “com muito orgulho” ter um encontro reservado com Fidel.

Bush mandou para Guantánamo os acusados de participação no ataque às Torres Gêmeas. É  um pouco diferente de ser mandado para a prisão por reclamar do governo. Para Lula e Dilma, não tem diferença. Discordar do regime cubano é crime, comparável a matar uma pessoa para tomar-lhe o carro ou três mil por fanatismo religioso.

A propósito, o leitor já viu algum entusiasta do Fidel Castro que tenha decidido largar sua terra para morar em Cuba? Algum deles foi viver lá, feliz para sempre no Éden do proletariado? Nenhum. Deve ser uma sensação gostosa pregar uma coisa e fazer outra.

Vejamos alguns nomes daqui. Oscar Niemeyer prefere o Brasil, onde ganha milhões para desenhar por encomenda de governos. Chico Buarque? Só canta as glórias cubanas de longe. Passa férias em Paris, onde tem apartamento. Frei Betto? Vai lá de vez em quando pedir a bênção do barbudo, mas é outro que não cogita estabelecer moradia. E os comunistas que fugiram dos militares? Foram viver no Chile, na Itália, na Inglaterra, em Portugal. Nenhum escolheu Cuba. Nenhum quis ficar no melhor lugar do mundo.

Mas centenas de cubanos já morreram tentando atravessar o mar a bordo de carcaças de automóveis, geladeiras e o que mais servir de balsa, na esperança de alcançar o litoral do império ianque e nunca mais voltar.

18 de janeiro de 2012

O editorial é do Estadão ou da Caros Amigos?

Arte de Alex Pereira para o MSM
Meu artigo no
Mídia Sem Máscara

Começou o processo de escolha do candidato republicano que enfrentará Barack Obama em novembro. As editorias internacionais da nossa imprensa já estão esculhambando o pessoal cafona dos Estados Unidos que não pensa igual ao pessoal bacana das redações aqui no Brasil, como fez o sujeito que escreveu o editorial d´O Estado de S. Paulo de 10 de janeiro intitulado “Republicanos medievais”. Vejamos então como pensa o editorialista e sigamos o seu exemplo para não cometermos a gafe da defasagem intelectual:

“O equivalente político ao circo da Fórmula 1 - a prolongada sequência de eleições primárias em todos os Estados Unidos para a escolha dos candidatos à Casa Branca - prossegue hoje em New Hampshire. Será a segunda disputa entre a meia dúzia de aspirantes republicanos à cadeira do democrata Barack Obama, que buscará a reeleição em novembro deste ano. A corrida anterior, na semana passada em Iowa, teve um desfecho surpreendente: Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, tido como moderado em comparação com os rivais, bateu por 8 votos (em cerca de 130 mil depositados) o fundamentalista evangélico Rick Santorum. Este ex-senador da Pensilvânia era até então mais conhecido por sua homofobia do que pelas chances de se tornar o presidenciável da legenda que já teve entre os seus eleitos um político da estatura de Abraham Lincoln”.

O termo “homofobia”, aplicado cada vez mais arbitrariamente pelos grupos militantes e seus ajudantes na mídia, abarca qualquer opinião contrária às diretrizes da agenda gay, incluindo a destruição do casamento como a humanidade sempre o considerou: um homem e uma mulher se unem para formar uma família. Rick Santorum acredita que casamento é isso, fala e age politicamente em defesa disso, e também fala e age politicamente contra o gayzismo nas escolas e nas Forças Armadas, que a esquerda favorece e patrocina. Ele está em desacordo com a ética progressista, para o desgosto do editorialista, que certamente é moderno, tolerante e portanto intolerante a qualquer opinião que não tenha o selo de aprovação do lobby gay.

“A ascensão de Santorum, que dificilmente se confirmará no Estado de New Hampshire - conhecido por suas características seculares -, mas poderá ser ratificada na Carolina do Sul, evidencia ainda uma vez a captura do Partido Republicano pelo que há de mais extremado, intolerante e obscurantista na mentalidade americana. Na Baixa Idade Média em que o partido mergulhou, o conservadorismo fiscal, com a defesa do livre mercado e a limitação do papel do Estado - suas defensáveis bandeiras tradicionais - foram ultrapassados pelo conservadorismo moral, na área dos costumes. Numa visão brasileira, pode-se dizer que, em relação à esfera privada, um político como o deputado Severino Cavalcanti parece um liberal perto dos pré-candidatos republicanos”.

Esses republicanos são muito inconvenientes. Em vez de falar só de economia e administração, ficam contestando a esquerda no campo dos valores, numa lamentável demonstração de moralismo obscurantista. Diz algo sobre os esquerdistas o fato de eles não se sentirem confortáveis com o debate livre sobre suas bandeiras mais caras, que eles, habitantes do mundo da fantasia, imaginam ser consensuais.

“O partido não é apenas contra aumento de impostos e a favor de cortes cirúrgicos nos gastos sociais a pretexto da recuperação das contas públicas - embora tenha sido um dos seus, o então presidente George W. Bush, quem deixou um rombo estratosférico nas finanças nacionais. Os republicanos também se recusam a acreditar no aquecimento global, defendem o comércio irrestrito de armas de fogo, querem expulsar os 12 milhões de imigrantes ilegais que se acredita existir nos EUA e se mobilizaram para impedir, na Justiça, a vigência do sistema de saúde proposto por Obama, que obriga todo americano a ter um seguro - indiferentes ao fato de que esse projeto nasceu como alternativa conservadora àquele que a então primeira-dama Hillary Clinton tentou emplacar em meados dos anos 1990. Só não são indiferentes ao fato de que, como governador, o correligionário Mitt Romney precedeu Obama ao adotar um sistema de saúde - que Romney se viu obrigado a renegar”.

Agora a mentalidade atrasada desses republicanos ficou mais que evidente: eles se recusam a acreditar numa verdade cuja prova de veracidade nunca apareceu, mas que a mídia estabeleceu como verdade assim mesmo. Como é que pode haver gente que não se curva à autoridade de políticos, ongueiros, artistas de Hollywood e cientistas da ONU? E gente que ainda não entendeu que o direito de defender a própria vida e a propriedade deve ser submetido ao governo? Ponha a mão na consciência e responda: essa gente merece viver no século XXI?

Nosso amigo do Estadão também considera absurdo um país exigir dos imigrantes o cumprimento da lei local. Querer expulsar pessoas só porque elas estão fora da lei do país que as sustenta com o dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos e imigrantes legalizados, convenhamos, tem cheiro de intolerância.

Quanto ao ObamaCare, dizer que ele “obriga” todo americano a ter seguro já explica a oposição dos conservadores: Obama quer forçar os americanos a entregar sua saúde a um gigantesco sistema centralizado no governo federal no qual decisões relativas ao bem-estar do cidadão serão tomadas não por médicos e pacientes, mas por uma rede infindável de burocratas, que não terão a mesma pressa que teriam se fossem eles próprios os doentes, a um custo de não sei quantos bilhões ou trilhões de dólares.

“Mas o que eles abominam acima de tudo é o direito ao aborto, sejam quais forem as circunstâncias, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. (...) A ironia é que, furiosos antiestatistas, os demais candidatos não se vexam de pregar o intervencionismo do Estado para proibir o aborto e banir o casamento homossexual. Para Rick Santorum, a estrela da prévia de Iowa, isso ainda é pouco. Ele gostaria de revogar o decreto de Obama que autorizou a presença de gays nas Forças Armadas, tornar crime as relações homossexuais - e proibir a venda da pílula e outros contraceptivos”.

Não há ironia em defender a ação do Estado contra o aborto quando os defensores da intervenção entendem que aborto é assassinato. A mesma coisa com o casamento gay: os conservadores o consideram uma ameaça não só ao futuro dos Estados Unidos mas ao de toda a humanidade, por submetê-la na base a uma transformação cujas conseqüências são no mínimo incertas.

Obama não “autorizou” a presença de gays nas Forças Armadas. O que ele fez foi revogar a política do Don´t Ask Don´t Tell (não pergunte, não conte), instituída pelo presidente Bill Clinton, que proibia a entrada nas Forças Armadas de indivíduos abertamente homossexuais e a punição a soldados homossexuais que não se expusessem como tais. Para Obama, essa exigência de decoro ainda é uma imposição cruel, e agora os homens que protegem os Estados Unidos no campo de batalha devem conviver com indivíduos que manifestamente sentem desejo sexual por eles. Num debate recente, Rick Santorum chamou a anulação do Don´t Ask Don´t Tell de “experimentação social trágica” com as Forças Armadas e disse que, eleito presidente, restauraria essa política.

Esses e outros são os fatos que movem a batalha entre progressistas e conservadores americanos em qualquer tempo e sobretudo durante uma eleição presidencial. Para o editorialista do Estadão, a coisa se resume a uma disputa entre os modernos, que podem fazer o que quiser, e os medievais, que poderiam dar um exemplo de tolerância e sair de cena.

9 de janeiro de 2012

“Um tom radical, de direita mesmo”

Meu artigo no Estado

Começou o processo de escolha do candidato republicano que enfrentará Barack Obama em novembro. Significa que o Comitê do Partido Democrata para o Brasil (vulgo “escritório da Globo nos Estados Unidos”) tem pela frente grandes oportunidades para desinformar os seus telespectadores e fazê-los acreditar que os direitistas americanos são um bando de idiotas.

Não deixa de ser um avanço. Um ano atrás, os correspondentes da Globo, altamente capacitados no ofício de ler o esquerdista New York Times e repetir a coisa para o público brasileiro, estavam insinuando que certos direitistas lá, além de serem idiotas, incitam o assassinato de adversários políticos. Vocês devem se lembrar da deputada baleada na cabeça por um transtornado mental no estacionamento de um mercantil no Arizona.

Gabrielle Giffords é deputada pelo Partido Democrata. Com base nisso, seus correligionários na imprensa elucidaram o caso em menos de vinte minutos: ela foi vítima de um atentado tramado pela venenosa Sarah Palin, alçada ao posto de líder de um grupo de extremistas determinados a derrubar o governo do santo Obama, a quem se opõem por puro racismo.

O Jornal Nacional foi logo reproduzindo: “Muita gente está acusando o grupo extremamente conservador Tea Party, da ex-candidata a vice-presidente Sarah Palin, por incitar o confronto com os democratas”, comunicou o apresentador. Não foi informado quem era essa “muita gente”. Algumas horas depois, no Jornal da Globo, o correspondente Rodrigo Bocardi reiterou que “o Tea Party, liderado por Sarah Palin, é formado por conservadores extremos”.

É norma da redação: tudo que envolva a direita deve vir acompanhado de adjetivos como "extremista", "radical" e sobretudo "ultraconservador" (este último sempre enfatizado pelos locutores). Já a esquerda nunca leva adjetivo nenhum. Ela nem mesmo é identificada como tal. Na cabeça dos jornalistas, ser de esquerda é apenas ser normal. 

Pois bem. Fui ouvir o que a Globo News está falando sobre as primárias republicanas. No Jornal das Dez, um dos apresentadores, ao chamar a correspondente, disse que os candidatos adotam “um tom radical, de direita mesmo” (portanto, não ser de esquerda já é radicalismo). A correspondente, Sandra Coutinho, concordou e ilustrou com uma informação apresentada em discreto tom de reprovação: Rick Perry, governador do Texas, “andou dizendo que a teoria da evolução é só uma teoria, e também disse que não acredita nessa história de aquecimento global”. Bem que me avisaram, esses conservadores são uns imbecis mesmo! Como ousam questionar duas verdades cujas provas de veracidade ainda não apareceram?

Irã precisa construir sua bomba, diz pesquisador da UFC

"Leu o artigo do Sued?
Um dos melhores!"

No espaço dos leitores do jornal O Povo, Saulo Tavares responde ao artigo de Sued Lima, pesquisador do "Observatório das Nacionalidades", da Universidade Federal do Ceará. Sued fala de Israel e Irã. Adivinhem qual dos dois apanha.



29 de dezembro de 2011

Ano bom para os bandidos

Artigo do Rodolfo Oliveira no Estado de 22 de dezembro

Os bandidos no Brasil estão em polvorosa. Enquanto os nobres parlamentares brasileiros aprovam a Lei da Palmada e o desarmamento civil, os criminosos impõem, a ferro e fogo, a Lei da Bala. O Brasil é uma festa. Aqui, as pessoas chamam assassinos de “ex-ativista político” e terroristas de “jovens guerrilheiros ideológicos”. Tentem dar uma palmada no seu filho.

O moleque jogou gasolina na irmãzinha mais nova e tentou atear fogo na coitada. Você corre lá, arranca os fósforos da mão do guri e lhe aplica uma palmada no bumbum. Pronto. Você terá agora que lidar com todo tipo de militante politicamente correto e pró “direitos humanos” pelo resto da vida, militantes estes que lhe encherão o saco até você reconhecer que sim, “sou um monstro ignóbil, um ser vil, um destruidor de infâncias alheias e mereço ir para a cadeia por causada daquele atentado contra a juventude (a palmada)”.

Mas eu falava sobre a violência. De acordo com o Mapa da Violência 2012, 50 mil brasileiros morrem vítima da violência todos os anos. Um ser extraterrestre, vendo tais números, poderia me questionar. “Mas como?”. Simples, meu caro ET. Esses dados são consequência direta de uma política pró-bandido.

O pacote é completo e inclui a adequação de certas nomenclaturas à nova realidade (assassino de 17 anos de idade não é um assassino, e sim, um jovem em situação de risco e em conflito com a lei), a criação de mitos (vamos todos promover o desarmamento civil, ainda que 99% dos crimes sejam cometidos por bandidos com armas ilegais) e, também, a glorificação da carreira de bandido (no cinema, na literatura, na música popular brasileira, bandido é sempre o excluído lutando contra a falta de oportunidade de um mundo indiferente e capitalista, enquanto as forças da lei são os caretas).

O fato é que carreira de bandido, no Brasil, compensa, e muito. Ora, eu tenho uma arma ilegal (que eu comprei à luz do dia em um mercado popular) e a lei a meu favor (sabe como é, só faço 18 anos no ano que vem). Vou pular o muro da casa do leitor e roubar lá o que tiver de roubar, afinal, eu sei que o governo praticamente impede que cidadão de bem tenha uma arma legal para defender a si e a sua família.

Para o azar do leitor, ele estava em casa na hora do ocorrido e, ossos do ofício, toma um tiro e morre. Pergunta. O que acontecerá com o bandido? Nada, é um “jovem em conflito com a lei”. O que acontece ao leitor? Vira estatística. Feliz Natal, leitores, e se não desejo um feliz Natal para os bandidos também, é só porque eu sei que eles já tiveram um ótimo ano.