5 de Julho de 2009

Quem leva a OEA a sério?

Não vou detalhar o que está ocorrendo em Honduras porque isso já foi feito e por pessoas mais qualificadas do que eu. Resumindo, Zelaya (na foto com seus amigos libertários) estava preparando o advento do bolivarianismo e as instituições hondurenhas (tribunais eleitoral e federal, ministério público, congresso e Suprema Corte), com o respaldo da constituição, tiraram o pirulito da boca da criança. Recomendo: http://www.ordemlivre.org/blog/?p=406

Pois bem. Li no G1 que os defensores da democracia por essas bandas ficaram revoltados:

A Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu no final da noite deste sábado (4) - início da madrugada de domingo, 5, em Brasília - suspender, com efeito imediato, a participação de Honduras no organismo interamericano. A decisão é resposta ao golpe de Estado ocorrido no domingo passado (28) e que afastou do poder o presidente do país, Manuel Zelaya.

Quem leva essa merda de OEA a sério? Não foi ela que, um mês atrás, abriu as portas para o ingresso de Cuba, aquele paraíso democraticamente comandado pelo mesmo clã há 50 anos? Estamos falando da mesma turma que abriu os braços para os irmãos Castro? É essa mesma OEA que vem agora dar lição de moral?

Não me interesso pela discussão semântica e jurídica a respeito do "golpe". A parte importante da história é que toda a bandidagem da América Latina se uniu em defesa de Zelaya, e isso é o suficiente. Hugo Chávez, Rafael Correa, Daniel Ortega, os Castro, Lula - todos membros do Foro de São Paulo - exigem a volta de Zelaya ao poder. Precisa pensar muito?

Infelizmente, milhares de hondurenhos alienados insistem em recusar os conselhos dos nossos amigos da OEA:



2 de Julho de 2009

Respeitem o ladrão veterano

Artigo em O Estado

A cada dia fica mais ridícula a situação dos lulistas. Eles, que ainda são muitos e se sustentam na ilusão de superioridade moral que a força numérica proporciona, deveriam ter a decência de se trancarem em suas casas até a pizza dessa semana sair do forno, longe de qualquer contato com a sociedade. É constrangimento demais. Ou deveria ser.

Os governistas continuam trabalhando para blindar esse glorioso patrimônio do povo brasileiro que é a Petrobras contra a vistoria desse mesmo povo brasileiro. Agora estamos assistindo a mais um espetáculo belíssimo: os lulistas partiram em defesa do representante mais pitoresco do feudalismo tupiniquim, um Corleone tropical que há muito deveria ter sido apresentado por nós à ONU como candidato a patrimônio cultural da humanidade – ainda temos entre nós, viva e atuante, uma figura própria de um regime que deixou de existir no resto do mundo há uns quinhentos anos.

Viva, atuante e protegida pelo poder central. Lula deu o recado: ladrões veteranos merecem o respeito dos brasileiros. Foi ou não foi o que ele disse? “O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Mais respeito com um ladrão veterano, por favor. Ele já roubava com graça e desenvoltura enquanto eu engatinhava no sindicato.

Emocionado com o gesto solidário de Lula, o velho Sarney mandou-lhe um beijo de volta ao usar um bicho-papão familiar aos companheiros. Vendo seu netinho Sarney sob a mira dos holofotes, vovô Sarney desabafou: “Sobre a matéria divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, considero os esclarecimentos prestados pelo meu neto José Adriano Cordeiro Sarney, pessoa extremamente qualificada com mestrado na Sorbonne e pós-graduação em Harvard, suficientes para mostrar a verdadeira face de uma campanha midiática para atingir-me, na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo”. Ah, ela, a imprensa golpista. Pronto. A maldita está perseguindo o dono do Maranhão só porque ele apóia o presidente oriundo do povão. Os canalhas não respeitam nem o diploma da Sorbonne!Revoltante.

Todo político encurralado se diz vítima de perseguição. Mas nós sabemos quem é o pai ideológico do discurso de “campanha midiática”. É o petismo. Nunca antes na história deste planeta houve um grupo tão visado por campanhas midiáticas. E agora o vovô Sarney entrou na onda. O mais bonito na união entre lulismo e feudalismo tropical é a harmonia da coreografia.

Coitado do lulista de bom coração. Imagine o malabarismo que lhe é exigido para explicar que o pobre José Sarney está sendo vítima de uma campanha difamatória da mídia malvada devido ao apoio nunca ocultado do bigodudo ao presidente mais popular da galáxia. Imagine o esforço feito lá no fundo da consciência do lulista de bom coração para ACREDITAR nisso. O próprio Hércules pediria penico.









"Não dá!"

25 de Junho de 2009

Obrigado

Eu nunca sei o que dizer nessas horas. Um amigo ligou e também não conseguia achar as palavras. Só a perplexidade. Nada que você diga chega perto do que você sente. Obrigado, Michael.

23 de Junho de 2009

Sobre jornalismo sem diploma obrigatório

Peço licença ao distinto leitor para um relato pessoal e desinteressante. Entrei na faculdade de jornalismo com essa crença de que apenas indivíduos com formação específica poderiam exercer a profissão com dignidade. Eu realmente acreditava que o fim da obrigatoriedade resultaria na tomada dos jornais e revistas do meu Brasil por gente ignorante e submissa. Coisa de jovem.

Minhas concepções, no entanto, logo mudaram. Não havia nenhuma técnica ensinada ali dentro que fosse inacessível para alguém de fora interessado em aprender sozinho. Alegar que são necessários quatro anos de um curso universitário para dominar o básico do jornalismo é exagero puro.

Os sindicatos e estudantes com vocação sindicalista dizem que só as faculdades podem garantir a existência de bons jornalistas. Qual é o ingrediente exclusivo? Trata-se da famosa “formação ética”. Eu passei por isso e posso traduzir: formar eticamente o estudante significa direcioná-lo ideologicamente. E quem adivinhar para que lado vai esse direcionamento ganha uma assinatura da Caros Amigos.

Qualquer ser humano que já esteve numa faculdade de jornalismo (qualquer uma de humanas, na verdade) sabe que certos professores são verdadeiros agentes partidários, sem falar das estrelas dos currículos, a nata do esquerdismo acadêmico: Bernardo Kucinski, Ricardo Kotscho, Alberto Dines, Marilena Chauí, Paulo Freire, Noam Chomsky, Antonio Gramsci, Michael Lowy, os frankfurtianos... A derrubada da obrigatoriedade do diploma tira da esquerda o monopólio sobre o ofício de que ela usufrui há décadas. Tira ainda a reserva de mercado dos jornalistas, que é a razão principal de seus protestos contra a decisão do STF, embora eles naturalmente não o admitam, pois é pouco romântico reconhecer que a luta é pela exclusividade das vagas. Jornalistas jamais agiriam por motivo tão mundano: tudo que eles fazem é pensando no bem da sociedade.

As empresas precisam de profissionais minimamente competentes. Se eles forem formados, que sejam. Se não forem, e daí? O curso de jornalismo não é totalmente inútil, mas também não é totalmente imprescindível. A luta pela manutenção do diploma obrigatório é o grito de resistência da elite sindical que vê seu poder lhe escapando das mãos. Também reflete um traço típico do brasileiro: o fetiche do papel timbrado, a adoração do alvará, o amor pelo certificado pendurado na parede.

18 de Junho de 2009

Moral e ética segundo Lula

Artigo em O Estado

Lula já decretou que ninguém neste país pode lhe dar lições de ética. Ninguém. Quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção nos Correios, que resultariam na descoberta do mensalão, em meados de 2005, Lula bateu no peito: "Ninguém tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer isso, para transformar a luta contra a corrupção não em bandeira, mas em prática cotidiana". Sendo assim, vale a pena analisar outras declarações do nosso presidente à luz da moral e da ética.

Em dezembro de 2001, Lula participou da 10ª reunião do Foro de São Paulo, em Havana, com outros bacanas da esquerda latino-americana, incluindo entidades filantrópicas como o Tupac Amaru peruano e as Farc colombianas. Lula estava bastante sentimental. Ele se desmanchou na presença de Fidel Castro: "Tenho absoluta noção das críticas que Cuba e o governo cubano recebem todos os dias de grande parte da imprensa no Brasil e no mundo. Mas vou lhes dizer: obrigado, Fidel Castro. Obrigado por vocês existirem. Vocês dão demonstração todos os dias de que é melhor fazer menos do que poderíamos fazer, de cabeça erguida, do que ceder e perder a auto-estima – é melhor fazer pouco, mas com dignidade. A velhice é implacável: debilita o nosso corpo e enruga a nossa pele – mas a traição aos ideais é pior, porque enruga a própria alma. Embora o seu rosto esteja marcado por rugas, Fidel, sua alma continua limpa porque você não traiu os interesses do seu povo".

Não se sabe a opinião dos milhares de cubanos fuzilados desde 1959 para que Fidel continuasse com a alma limpa. Não se sabe a opinião de Lula a respeito desses desgraçados que traíram os interesses do regime comunista.

Lula também tem palavras pertinentes sobre o Oriente Médio. Foi dele a melhor síntese dos conflitos em torno da eleição presidencial iraniana, realizada na semana passada e provavelmente roubada por Mahmoud Ahmadinejad, o amigo da diplomacia petista: "É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude. Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

Nosso presidente tem critérios curiosos. Primeiro ele diz que não houve fraude porque Ahmadinejad teve uma votação muito grande, quando uma votação muito grande (inclusive na cidade do adversário mais forte) é justamente um indício de fraude. Depois alega desconhecer alguém que tenha suspeitado da eleição, como se o bate-papo do seu círculo de amizades resolvesse a questão. Mesmo assim, essas imbecilidades são inofensivas diante do absurdo de sua comparação futebolística. O que está acontecendo no Irã é um pouquinho mais complexo do que uma partida de futebol: trata-se de um povo dividido entre a tirania e a democracia, entre o convívio pacífico com os vizinhos e o patrocínio a grupos terroristas e a ameaça nuclear sobre Israel. Alguns manifestantes foram mortos. Aparentemente o líder da oposição foi preso. Estamos recebendo, via Twitter, os relatos de centenas de iranianos indignados com a repressão. Para Lula, são apenas, sabe, torcedores chateados com os números do campeonato.

17 de Junho de 2009

Menos, obamistas, menos

Escrevi o artigo que estará aqui amanhã ouvindo o Jornal Hoje. Uma das matérias anunciadas na escalada (aquele índice das notícias lido na abertura) trazia mais uma proeza sobre-humana de Hussein Obama. Em poucos meses de batente, essa figura extraordinária já reverteu o anti-americanismo global, inaugurou a era da rendição preventiva (antes cometer suicídio nacional a magoar os inimigos) e estabeleceu novos padrões entre os editores de revistas de futilidades: Michelle Obama apareceu recentemente numa lista das mulheres mais bonitas do mundo. Poucos dias depois, ela surgiu em outra lista, a das mulheres mais sensuais do planeta. O fato de Michelle Obama ser considerada bonita e sensual prova que o advento do presidente mais bacana da galáxia subverteu as concepções da humanidade de maneira radical.

Enfim, o acontecimento anunciado no Jornal Hoje: Obama matou uma mosca durante uma entrevista. "Com a elegância que lhe é peculiar", frisou o sorridente Evaristo Costa. Peraí, pessoal. Michelle Obama bonita e sensual, discursos que já são históricos antes de serem feitos, "elegância peculiar" até ao eliminar uma mosca inconveniente? E estamos só no começo. A puxação do saco obâmico promete extrapolar todos os limites conhecidos do rico acervo da idiotice universal. E enquanto os adoradores babam, o popstar segue firme no seu projeto de "reforma financeira", que significa submeter a economia dos Estados Unidos a um gigantesco aparato regulador, jogando na lata do lixo os fundamentos daquela grande nação.

11 de Junho de 2009

Quero trabalhar na comunicação da Petrobras

Artigo em O Estado

Sem qualquer constrangimento, usarei o artigo de hoje para conseguir um emprego na comunicação da Petrobras. Além do tremendo calor humano, garantido por mais de 1.000 funcionários, trabalhar naquele setor me permitiria exercitar o jornalismo comprometido com o social, sem falar do orgulho de fazer tudo a serviço do povo.

O artigo de hoje, portanto, me servirá como currículo. Enviarei uma cópia ao senhor Lula, à excelentíssima Dilma e ao doutor Chávez. Vou mostrar que sei agir em defesa da honra desta empresa.

Os safados querem montar uma CPI para desmoralizar a Petrobras. Agem sem pensar nas conseqüências para a imagem do país, ainda mais agora, que o dinheiro do pré-sal será usado para “construir casas, diminuir a pobreza e dar saúde de qualidade igual àquela das camadas mais ricas”, como assegurou a doutora Dilma em discurso recente no Complexo do Alemão. Tendo em vista esse horizonte promissor, como derrotar os estraga-prazeres? É simples. Basta produzir alguns releases desmascarando os investigadores: são entreguistas inimigos do povo, capachos de forças ocultas que querem pôr as mãos sujas no patrimônio construído com o suor dos brasileiros. Após conferir as frases com o doutor Franklin, os releases devem ser entregues aos jornalistas patrocinados pelo povo brasileiro. O resto do serviço é com eles.

O problema é que a comunicação da Petrobras já deve estar lotada, e, pior ainda, não tenho parentesco biológico ou político com nenhum diretor da empresa. Por isso tentarei a sorte na Associação Brasileira de Imprensa. Ali só tem jornalista comprometido com o social. É só ver pela nota que a ABI divulgou no último dia 9 a respeito do recém-criado blog da Petrobras:

"A criação do blog constituiu-se em instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem de fogo crítico disparado por vários veículos impressos (...). A Petrobras encontra-se, infelizmente, na linha de tiro do canhoneio contra ela assestado. Atacá-la com a virulência que se anota agora não faz bem ao País".

Isso! Isenção e imparcialidade do jeito que o doutor Lula gosta. Quando o suspeito é inimigo do PT, investigar e denunciar são obrigações do jornalista valente. Quando o suspeito é do PT ou agregado, aí o jornalista deve exercer a profissão com temperança, sem conclusões precipitadas, porque, afinal de contas, ele ama o Brasil e os pobres que em breve terão plano de saúde particular graças ao pré-sal. O fato de a ABI ter recebido não sei quantos milhões de reais da Petrobras ao longo dos últimos três anos é um detalhe insignificante, que não tem nada a ver com sua postura a favor do governo. Dinheiro nenhum pode superar a força de um ideal.

Fico por aqui, sabendo que não conseguirei o emprego. Vocês são testemunhas de que segui as instruções do jornalismo preocupado com o social até o terceiro parágrafo. Quando eu me preparava para terminar o texto, contudo, recebi uma ligação. A voz, com um leve sotaque americano, me ofereceu uma gorda comissão. Isso explica a mudança brusca para o jornalismo golpista no final.

30 de Maio de 2009

Uma foto, dois motivos

Por que a foto, Bruno?

Primeiro, o clima no blog tá pesado. Venho falando direto de PT e quero quebrar essa rotina desagradável. Segundo, abri os olhos hoje de manhã e dei de cara com minha namorada assim, olhando pro tempo. Tive que registrar a beleza daquele momento. Vocês fariam o mesmo se estivessem no meu lugar.

28 de Maio de 2009

Aprenda a detectar um petista

Artigo no jornal O Estado

Eu já devo ter dito aqui algumas vezes que o petista não é apenas uma pessoa que vota no partido. O petista é mais do que um simples eleitor: ele age diariamente conforme uma mentalidade própria do grupo, possível de ser detectada onde quer que o petista esteja posicionado, especialmente agora, com a CPI da Petrobras escancarando tudo. Tentarei modestamente expor o comportamento dos companheiros em alguns setores. Você vai reconhecer amigos e familiares em algum dos seguintes casos:

O petista na política: ele manda no Brasil desde 2003, ocupa todos os cargos importantes da máquina estatal e assina os papéis que fazem os grandes negócios. Mesmo assim, quando é preciso esconder os podres, o petista na política não se constrange em voltar dez anos no tempo e se fingir de pobre opositor sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes. Os mesmos petistas que antigamente promoviam uma CPI por mês e por qualquer motivo agora afirmam que investigar a Petrobras é crime de traição à nacionalidade. Os mesmos petistas que mandam na empresa desde 2003, os mesmos petistas que lotearam tudo ali dentro, rapidamente ressuscitam FHC e o terror da privatização, uma palavra demonizada pelo PT por motivos claros: se a Petrobras for vendida, Delúbio Soares perde sua mamata de 4 milhões de reais. Se a Petrobras sair das mãos dos petistas, eles não poderão entregar o patrimônio do povo brasileiro a Hugo Chávez. Sem a Petrobras, vai faltar dinheiro para a campanha da Dilma. Xô, privatização.

O petista na universidade: ele geralmente é professor filiado ao partido e trata os alunos adolescentes como massa de manobra. Ele se encarrega de construir o discurso que legitima o petismo. Ele ensina aos estudantes que pessoas malvadas estão querendo prejudicar o PT e que isso é um absurdo que não pode ser tolerado pelas forças democráticas. Naturalmente ele faz isso usando uma linguagem um pouco mais intelectualizada para não dar bandeira.

O petista na imprensa: ele é antes de tudo um humorista involuntário, responsável por grandes momentos do jornalismo chapa-branca. O petista na imprensa foi o estudante preferido do professor petista. Ele é filiado a sindicatos petistas, e esses sindicatos sempre são financiados pelo governo federal; pela Petrobras, inclusive. O petista na imprensa ecoa os releases preparados por Franklin Martins. Ele acha que jornalismo deve ser isento e imparcial, o que, nesse caso, significa tratar os governos petistas com toda a delicadeza do mundo. O petista na imprensa também apóia o famoso "controle social" dos meios de comunicação, ou seja, a submissão de todos os jornais e revistas ao PT em nome da pluralidade de opinião.

O petista que lê artigos deste tipo: ele diz que o autor é inimigo do povo e o proíbe de criticar Lula pelo fato de que a popularidade do presidente é alta. Minha sorte é que só tenho cinco ou seis leitores, portanto não represento ameaça à democracia.

27 de Maio de 2009

Matar ou morrer

É simples: se algum tirano ameaça te matar, e mostra que tem meios para fazê-lo, é melhor matá-lo primeiro. Já passou da hora de botar chumbinho na comida do Kim Jong-Il.

Estamos, contudo, vivendo uma nova era, da qual Obama é produto e símbolo. No momento em que o mundo livre, até ontem capitaneado pelos Estados Unidos, enfrenta os maiores perigos à sua existência, no momento em que os inimigos da civilização ocidental se armam com bombas atômicas e exibem seu poder de extermínio, estamos representados pelo maior imbecil que já passou pela Casa Branca. O negócio desse palhaço midiático é sair bem na foto da correção política internacional. Que se dane a segurança nacional e a dos aliados: Obama quer ser visto como o cara legal, o pacifista sofisticado. Mesmo que isso signifique suicídio. Os americanos elegeram um popstar, e agora o mundo precisa de um adulto capaz de tomar decisões de vida ou morte. E o que Obama oferece? "Diálogo".

Olhem para trás. Consultem os livros de história. Vejam se diálogo foi suficiente para deter Hitler ou Stálin. É preciso ser um completo demente para acreditar que Kim Jong-Il e Ahmadinejad podem ser resolvidos com um passeio no parque, uma conversinha, um sorvetinho na varanda.

Via Lumières, deixo vocês com um trecho do filme Team America. O funcionário da ONU chega para inspecionar o programa nuclear de Kim Jong-Il e afirma que, em caso de resistência, vai ficar "muito, muito zangado" e escrever uma carta dizendo o quanto ele ficou zangado. A piada é que isto é a realidade: "nós", a América e a ONU, estamos dizendo ao homem que quer nos matar que vamos ficar muito zangados com isso. Nada mais.

26 de Maio de 2009

Petistas no mundo da fantasia

Não costumo responder aos comentários, favoráveis ou desfavoráveis, porque não tenho tempo nem disposição para isso: se eu respondo a um, me sinto na obrigação de responder a todos, e aí fica difícil.

Hoje é dia de exceção. Um leitor reagiu assim ao meu texto publicado no Mídia Sem Máscara:

“Essa turma do "Mídia Sem Máscara" não tira a máscara. Sonha com a "propinobrás" da era FHC e imagina quanto daria a comissão de um pré-sal...não se conforma...”

Não é segredo pra ninguém que venho escrevendo a favor da privatização da Petrobras na esperança de ganhar uma comissão. Já recebo uma nota preta da elite brasileira (faz parte do acordo não revelar a identidade do contratante), mas ambição de jovem não tem fronteiras. Continuo sonhando com um cheque assinado por forças estrangeiras, dessas que planejam atentados contra a vida de presidentes latino-americanos.

Pronto, os petistas que vivem no mundo da fantasia conseguiram arrancar minha confissão. Agora um fato desagradável direto do mundo real:

Já faz mais de cinco anos que o PT manda. O Estado é de vocês, petistas, desde 2003. Vocês lotearam tudo. Quando é preciso segurar os privilégios, vocês botam três mil funcionários públicos em plena quinta-feira na rua para fazer protesto em defesa do governo central. Vocês mandam agora.

Não sou admirador de FHC e nem acho que o PSDB seja alternativa ao PT. Aliás, o social-democrata aluno do Florestan Fernandes já disse 500 vezes, antes, durante e depois dos mandatos, que a Petrobras não deve ser privatizada. Ele de fato acredita no Estado desenvolvimentista. Os petistas fingem não saber disso em prol da chantagem eleitoral. Mas deixemos isso de lado. Se havia uma Propinobras durante a gestão tucana, por que não existiria uma na gestão petista? É impossível haver uma durante o reinado do partido do mensalão? O que o Planalto está oferecendo aos parlamentares, neste exato momento, para que a CPI seja enterrada? Barras de chocolate, talvez.

O petismo não se limita a uma filiação partidária. Trata-se, acima de tudo, de uma mentalidade. Por isso destaco as palavras daquele leitor: são as palavras de uma legião que tem o poder desde 2003 e mesmo assim não se constrange em voltar dez anos no tempo para buscar um bode expiatório – e, curiosamente, um bonde expiatório que nunca quis privatizar a Petrobras, o que deixa a coisa ainda mais engraçada.

Reajam como acharem melhor, petistas. Digam que Lula não sabia. Digam que Lula foi traído. Digam que é tudo invenção da imprensa golpista. Digam que privatização é crime de lesa-pátria. Digam que estou atrás de comissão. Digam que estou errado porque a popularidade do homem não pára de crescer. Digam qualquer besteira da cartilha. Nada vai mudar o fato de que Lula é o chefe. FHC se foi. Vocês precisam se acostumar com isso. É o companheiro Lula quem assina os papéis autorizando esse tipo de coisa:

Verba social da Petrobrás beneficia ONG petista acusada de desvio

Digam que Delúbio é inocente.

Convocando as tropas na defesa do patrimonialismo

Dirigente petista conclama população a se mobilizar contra oposição

E ainda tem gente inocente o bastante para acreditar que o petróleo é nosso.

Comentários recentes

Instalei uma ferramenta na coluna à direita que mostra os cinco comentários mais recentes dos leitores. Fica mais prático para quem gosta de acompanhar eventuais brigas escondidas na caixinha.

21 de Maio de 2009

Quem puxou o gatilho?

Gabriela Nunes de Araújo está morta. Um tiro na cabeça encerrou a vida da menina de oito anos de idade.

Ela estava em casa com a irmã gêmea e a babá quando dois assaltantes entraram na casa. Os pais viajavam. Segundo o delegado, um dos bandidos atirou em Gabriela porque a babá se recusou a desligar o alarme.

A polícia diz que os criminosos já foram identificados. Eles têm 17 e 20 anos. Saberemos em breve quem disparou. Se tiver sido o assassino de 20 anos, ele deverá responder por seus atos. Se tiver sido o assassino de 17 anos, ele será chamado de infrator e poupado da responsabilidade.

Um dos dois apontou a arma na direção de Gabriela e puxou o gatilho. Um dos dois escolheu matá-la a sangue frio, na frente da irmã, que guardará a cena para sempre. Um dos dois tomou a decisão. Mas se estivermos falando do bebê de 17 anos, devemos compreender que ele é uma vítima da sociedade. Uma criação do sistema. No fundo, a culpa é nossa. Gabriela morreu, mas o revólver foi disparado por um fantasma.