Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


23 de maio de 2011

Dica publicitária a Lars von Trier

Meu artigo n´O Estado

Vi no Jornal da Globo que o cineasta Lars von Trier arrumou confusão em Cannes, onde promovia seu novo filme, “Melancolia”. Lá pelas tantas, depois das perguntas de praxe sobre isso e aquilo da película, questionaram o diretor acerca de declarações dele sobre o nazismo.

“Eu entendo Hitler. Claro que ele fez algumas coisas erradas, mas eu entendo o homem, simpatizo um pouco com ele. Não pela Segunda Guerra. Não sou contra judeus. Mas os israelenses são um pé no saco... Como posso sair dessa agora? OK, eu sou nazista”.

Não dava pra saber com certeza se ele falava sério ou debochava. Na volta ao estúdio do JG, Christiane Pelajo tinha um semblante de reprovação, com direito a balançada de crânio para assinalar o desgosto. O festival de Cannes o declarou persona non grata. Poucas horas depois von Trier já estava se desculpando: "Se eu ofendi alguém, peço desculpas sinceras. Não sou anti-semita ou racista de qualquer maneira, e muito menos nazista".

O socialista Hitler matou uns seis milhões de indivíduos. O ultraje do comentário é compreensível, portanto. Mas a reação do show business seria totalmente outra se von Trier tivesse apresentado uma outra credencial: se tivesse dito que é comunista.

É fato repetidamente demonstrado no mundo das artes que louvar o matador de seis milhões é feio, mas louvar os matadores de cem milhões é bonito. Recordem, por exemplo, as loas a José Samarago. Não saiu uma só matéria na ocasião de sua morte que não destacasse seu currículo de comunista. “Defensor das causas sociais”. “Lutou contra as injustiças”. “Escritor engajado”.

Defendia o regime do genocídio, da fome deliberada (pesquisem o que Stalin fez com a Ucrânia), do Gulag, do crime de opinião, da polícia política, da ideologia compulsória, do fuzilamento dos “inimigos do povo”. Mas foi um homem preocupado com o bem da humanidade até o fim. Como disse o site da Globo, “Saramago uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época”.

Lars von Trier perdeu uma bela oportunidade. Imaginem a cena. Ele divaga sobre a nova obra, faz trejeitos inteligentes e, depois de um gole de champanhe, comunica aos repórteres, em tom ligeiramente sofrido: “Esse filme reflete o que eu sou. É um libelo contra as injustiças. Sou um comunista libertário. Aliás, tenho sido vítima do macarthismo de Hollywood”. Não haveria mãos em Cannes para tanto aplauso. O filme logo se tornaria forte candidato à Palma de Ouro. Os cadernos culturais teriam um novo queridinho.

20 de maio de 2011

Se sem lei já é assim...

Aprovada a mordaça gay, as Marinor Brito serão milhares, em todos os lugares, espreitando cada gesto, antecipando-se a qualquer pensamento "homofóbico" - que assim será se assim elas quiserem - para mandar prender por crime de opinião.

16 de maio de 2011

O mal que os doutor do MEC faz

Meu artigo n´O Estado


Como disse Paulo Francis, houve um tempo em que a educação era a transmissão de um acúmulo de conhecimentos. “Hoje, é uma adulação da juventude, que supostamente deve fazer o que bem entende”, lamentou o jornalista dez anos atrás.

No artigo passado eu dizia que a manada do Paulo Freire enterrou a idéia de que a escola deve tornar o aluno capaz de ler, escrever e contar, por julgar que tal concepção não contribui para a formação da cidadania. É a maldita “educação bancária”, como a chamam os freirianos, em que o professor ensina e o aluno aprende. No método do marxista Freire, é todo mundo igual: professor é aluno e aluno é professor, todo mundo aprende junto, ninguém sabe mais que ninguém.

Nas faculdades de pedagogia, Paulo Freire é rei. O último sujeito que arriscou um muxoxo contra a pedagogia do oprimido foi condenado ao esquartejamento e teve a cabeça pendurada no poste do campus, para servir de exemplo. Por isso não surpreende que o governo esteja ensinando as crianças a escrever errado e com orgulho de ser errado. Confiram a lição do livro “Por uma vida melhor” (segundo minhas fontes, o título original era “Escreva pior por uma vida melhor”), que o Ministério da Eliminação da Cultura distribui a meio milhão de crianças de escola pública:

“Você pode estar se perguntando: - Mas eu posso falar ‘os livro’? - Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito lingüístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas lingüísticas”.

Uma das autoras do livro, Heloísa Ramos, argumenta que o conceito de correto e incorreto deve ser substituído pela idéia de uso adequado e inadequado da língua. “O ensino que a gente defende e quer da língua é um ensino bastante plural, com diferentes gêneros textuais, com diferentes práticas, diferentes situações de comunicação para que essa desenvoltura lingüística aconteça”, disse a douta mulher ao Jornal Nacional.

O MEC informa que “é preciso se livrar do mito de que existe apenas uma forma certa de falar e que a escrita deve ser o espelho da fala”, propiciando aos alunos “um ambiente acolhedor no qual suas variedades lingüísticas sejam valorizadas e respeitadas".

Diante de uma criança que se expressa precariamente, temos duas opções: convidá-la a se expressar melhor, para que sua mente possa elevar-se ao que é bom e bonito, ou ensiná-la a permanecer num mundo inferior. Os doutores do MEC escolhem a segunda opção como política de Estado.

11 de maio de 2011

Do desarmamento ao Estado totalitário

Artigo de Bene Barbosa no jornal O Estado

Nos últimos dias, a notícia que o ator Wagner Moura, que protagonizou o conhecido filme Tropa de Elite no personagem Capitão Nascimento, iria emprestar sua voz para a campanha de desarmamento pululou em vários jornais e nas redes sociais.

Não sei como foi feita essa negociação entre o governo e o ator, se foi convidado, contratado ou se alistou. Acho até que ele não ganhará nada para fazer tal propaganda, que vale lembrar, é propaganda requentada, aquela que fala em bala perdida, como se fosse o cidadão honesto o responsável pelos tiroteios entre policiais e criminosos.

Imaginando que nem todos são movidos apenas pelo vil metal e que ele não cobrará por isso, ficaria claro então que Wagner Moura realmente acredita na benesse de tal campanha. Acredita que haverá mais segurança se todos os aposentados e viúvas entregarem suas armas, pois esse é o perfil predominante daqueles que o fazem. Pouco provável que seja isso. Explico.

Relendo velhas entrevistas do Capitão Nascimento, ou melhor, do ator Wagner Moura, é possível com bastante precisão montar um perfil de seu posicionamento ideológico e, acreditem, isso não passa nem perto do pacifismo. Numa entrevista para a Folha de São Paulo em 2007 há um pequeno trecho mais do que revelador, que aqui reproduzo:

"E eu ainda acredito na esquerda, não na boba, utópica, mas em um Estado intervencionista. Acho o liberalismo uma coisa perigosa. Deixar as coisas andarem nas mãos da iniciativa privada é perigoso. O Estado tem que ter poder."

Está ai a explicação! Wagner Moura acredita no desarmamento como a instituição do monopólio da força nas mãos do Estado, onde o cidadão deve ser guiado como uma ovelha pelo onipresente “grande irmão”. Cumpre-nos lembrar ao ator que o perigo maior sempre está exatamente em um Estado que institui o monopólio da força. Isso não acabou nada bem em países como a Alemanha nazista, a antiga URSS ou o carcomido regime de Fidel Castro.

E qual seria a estratégia do Ministério da Justiça ao convocar o Capitão Nascimento? Simples e óbvio: mesmo contra a vontade do ator e dos produtores do filme, o Capitão Nascimento virou um herói nacional, um ídolo para muitos. “Ora, se até o Capitão Nascimento está falando que é melhor entregar, então é melhor mesmo” imaginam eles. Um pensamento típico daqueles que acreditam que estão lidando com uma nação de criancinhas sem capacidade de raciocínio, de distinguir o que é real e o que é cinema! Será que não aprenderam nada mesmo no referendo de 2005? Acreditem, nem com saco na cabeça a sociedade brasileira vai abrir mão deste direito.

Bene Barbosa é advogado e presidente do Movimento Viva Brasil

10 de maio de 2011

Burrice pelo bem da humanidade

Meu artigo n´O Estado

Dos 65 países examinados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos de 2009, o Brasil ficou em 53º lugar em leitura e 57º em matemática. É verdade que ainda não conseguimos alcançar potências como Trinidad e Tobago, Cazaquistão e Azerbaijão, mas em compensação nenhum país está tão preocupado com a felicidade da humanidade quanto nós.

Como explicou Paulo Freire, educar tem pouco a ver com ensinar a ler e escrever; é antes de tudo preparar o cidadão para que ele seja transbordante de consciência social e eleitor entusiasmado da esquerda, tipo predominante nas salas de aula desde que os pedagogos sepultaram a idéia opressora de que a escola deve ensinar português e matemática e banalidades afins, tornando o aluno capaz de ler e contar e razoavelmente apto a andar com as próprias pernas.

Comentando um discurso de Mário Vargas Llosa na Feira do Livro de Buenos Aires, meu amigo Rodolfo Oliveira falou recentemente nesta página sobre nossos dias de universitários de jornalismo na UFC. “Nossa terrível época de faculdade, onde éramos obrigados a assistir aulas idiotas proferidas não por professores, mas por comissários políticos, aliciadores juvenis de cérebros ainda em formação, burocratas partidários e aproveitadores do idealismo alheio em prol da ‘grande causa’”. E lá estava a grande causa quando há poucos dias estive novamente no campus e novamente ri dessa palhaçada melancólica.

Aproveitei a visita e peguei um exemplar do Jornal da UFC, que tem uma seção sobre os últimos livros lançados pela editora da universidade. No nosso tempo de estudantes (supondo que fôssemos) eu sempre consultava essa seção para brincar com o Rodolfo Oliveira: “Corto meu braço se não tiver um livro marxista”. Sempre tinha, assim como na edição de março/abril do Jornal da UFC tem mais um panegírico do educador-ídolo: “Católico e marxista, Paulo Freire estimula a escola a buscar a excelência no processo ensino-aprendizagem, levando em conta a fidelidade ao sonho de formar sujeitos históricos comprometidos com a felicidade de toda a humanidade”, diz a resenha.

Desde que o método freiriano tornou-se único e obrigatório, a façanha intelectual dos jovens brasileiros tem sido a assombrosa desenvoltura com que eles avançam em direção aos mais burros do mundo. E daí? Eu é que não vou estragar a alegria da raça humana. Acho que devemos seguir no caminho da educação como ferramenta de transformação social, conforme as lições do teórico da estupidez induzida para fins políticos.

9 de maio de 2011

Entenda como a esquerda age

Yuri Bezmenov, ou Tomas Schuman, desertor da KGB, detalha o esquema da KGB de subversão e dominação de sociedades-alvo em uma palestra em Los Angeles, 1983. Legenda em português.



Obrigado, Chakands.

2 de maio de 2011

História à moda soviética

Meu artigo no jornal O Estado

O domínio da esquerda sobre o discurso e a prática política no Brasil jamais será compreendido sem o conhecimento da tática de Antonio Gramsci, o formulador da estratégia da ocupação dos espaços, na qual a revolução seria feita não pelas armas, mas pela infiltração lenta e gradual do programa partidário na cultura, nos meios de difusão de informação, como escolas, sindicatos, igrejas, imprensa, universidade etc.

Aos responsáveis por difundir a ideologia revolucionária Gramsci dá o nome de intelectuais orgânicos, que nós poderíamos chamar, para simplificar, de formadores de opinião. Sabe aquele professor de história que diz que o socialismo é a coisa mais linda do mundo e te manda votar no PT? Mesmo que não saiba conjugar sujeito e predicado, é um intelectual orgânico. E aquele professor de geografia que ensina que lucrar é pecado e que os empresários são ladrões? É outro safado mentindo em nome da causa.

A Folha de S. Paulo de ontem trouxe mais uma denúncia desse crime intelectual: “Livros aprovados pelo MEC criticam FHC e elogiam Lula”. O livro História e Vida Integrada, por exemplo, condena as privatizações e cita denúncias de compra de votos para a aprovação da emenda que permitiu a reeleição do tucano. Já Lula "inovou no estilo de governar" ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, e o mensalão é citado ligeiramente junto com uma série de dados positivos do mandato petista.

No livro História em Documentos somos informados de que a eleição de FHC foi resultado do sucesso do Plano Real, "mas decorreu também da aliança do presidente com políticos conservadores das elites". O PT, por outro lado, apenas fez "concessões" ao firmar "alianças com partidos adversários". Já aprendi a lição: o Fernando Henrique é malvado e o Lula é pragmático!

É para isso que você paga impostos: para que a história seja reescrita à moda soviética e perpetue um partido no poder à custa da imbecilização do povo. Não importa que os petistas saibam que as privatizações fizeram um bem aos brasileiros, como reconhece o deputado federal José Guimarães no relatório que preparou CONTRA a reestatização da Vale; ou que Dilma Rousseff assuste a gente simplória pendurando em seu adversário o bicho-papão da privatização para na semana seguinte ela mesma privatizar os aeroportos; ou que o Partido tenha acabado de reintegrar como herói um dos operadores do maior esquema de corrupção da República. Os petistas sabem que o eleitorado adestrado pelo MEC vai engolir qualquer coisa que eles digam.

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Mais sobre doutrinação em sala de aula no Escola Sem Partido.