Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


24 de março de 2011

Para nunca perdoar

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humanismo comunista
Artigo do meu amigo Rodolfo Oliveira publicado no jornal O Estado

A história da humanidade é a história da guerra, disse certa vez Churchill. Da guerra e de seus massacres, completar-lhe-ia eu. Neste fim de semana, revi o ótimo filme O Massacre de Katyn, do diretor polonês Andrzej Wajda. Os primeiros dois minutos do filme nos gelam a alma de tal maneira que só uma obra de arte poderia fazer. Em 1º de setembro de 1939, Hitler invade a Polônia e dá início à pior guerra da história humana. Pondo em prática entendimentos secretos firmados entre os governos alemão e soviético, os comunistas também invadem, em 17 de setembro, o território polonês. Em dois minutos, a película expõe a encruzilhada daquele povo: de um lado da ponte, uma multidão de civis poloneses foge dos nazistas vindo do oeste. Na extremidade oposta, outro grupo de civis tenta escapar da invasão vermelha ao leste. Aterrorizados, os grupos se encontram no meio da ponte e os membros de um tentam convencer o outro, entre gritos e atropelos, que o melhor caminho a seguir é o contrário. Fecha a cena.

Cinco de março de 1940. Stalin acorda para mais um dia árduo de trabalho. Enquanto toma um cafezinho e passa os olhos pelas notícias matutinas, assina displicentemente a ordem de execução que resultará na morte de pelo menos 20 mil poloneses feitos prisioneiros durante a invasão. Fecha a cena.

Primavera de 1940. Tratores rasgam o solo da floresta de Katyn e preparam as valas. É chegada a hora de semear a morte. Milhares de homens são trazidos em camburões em sucessivas viagens. Todos têm as mãos atadas de um modo que também os impede de mover o pescoço. Aos mais desesperados, é reservado um saco escuro amarrado à cabeça. A ação é rápida e sistemática. Dois homens levam o prisioneiro à beira da cova. Um terceiro chega por trás e, sem que a vítima o perceba, faz um único disparo na nuca. O corpo cai. Um quarto soldado recarrega a arma. A floresta abafa o som surdo, mas constante das balas. O soldado do trator empurra a terra grossa da floresta para cima dos corpos. “Que merda. Esses cigarros do governo estão ficando com o gosto cada vez pior” pragueja, enquanto manobra a máquina por cima dos cadáveres. Fecha a cena.

Março de 2011. Vejo as fotos de milhares de ossadas e uma infinidade de pequenas medalhas cristãs e pingentes com recordações familiares. Em cada crânio estraçalhado, a certeza de que o comunismo nunca passou de uma cruel farsa megalomaníaca orquestrada por cínicos assassinos psicóticos. No local da barbárie, hoje, um memorial com os dizeres: “Para nunca esquecer. Para nunca perdoar”. Fecha a cena, sobem os créditos.

Rodolfo Oliveira, jornalista.


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Um pouco mais do assunto com o meu amigo Wanfil: Você já ouviu falar sobre Katyn?

21 de março de 2011

Sem sinecura não há cultura

Meu artigo no jornal O Estado

Em entrevista à revista Época durante a temporada de promoção de seu filme Linha de Passe, de 2008, o badalado Walter Salles, aquele apologista de Che Guevara, sintetizou a filosofia dos cineastas brasileiros: cinema não deve lucrar, deve fazer retratos da sociedade. E para ele, filho de banqueiro multimilionário, suas aventuras particulares devem ser bancadas por todos os pagadores de impostos.

Indagado se a anêmica audiência dos filmes nacionais naquele período poderia ser comparada ao marasmo cinematográfico decorrente do fechamento da Embrafilme no governo Collor, Sales deu uma aula de sensibilidade artística que somente as pessoas maravilhosas do terceiro mundo geográfico e mental sustentadas por verba pública têm condições de oferecer:

"Cinema não é sabão em pó. O papel do cinema é gerar uma memória de nós mesmos, um retrato de uma sociedade num dado momento. O problema é que estamos julgando hoje o cinema brasileiro com os instrumentos que são utilizados para avaliar o cinema de mercado norte-americano. É um pouco como comparar o público do McDonald’s com daquele restaurante de bairro, que te propõe uma comida autêntica, de um lugar específico. Então, a pergunta que talvez devêssemos fazer é a seguinte: os filmes brasileiros têm tido sucesso em refletir nossos desejos e contradições?"

Salles e outros tantos não conseguem aceitar o fato de que filmes, assim como picolés, camisas e sabão em pó, dependem da vontade do público. Dói em suas almas de artistas visionários que sua arte não seja prestigiada como imaginam ser merecido. Eles querem é retratar a sociedade usando dinheiro alheio, e aí temos o ciclo: como não precisam se preocupar com retorno financeiro, livram-se da necessidade de oferecer a mínima qualidade que se pague em troca. Os retratos da sociedade morrem na bilheteria, e então pedem mais dinheiro aos ministérios. Em nome da cultura, naturalmente.

A revista também perguntou a Salles quais seriam os motivos para a diminuição do público do cinema nacional. Disse o filho de banqueiro: "Nos países onde existe uma compreensão solidificada de que o cinema é algo necessário para a cristalização de uma identidade nacional, como é entendido por exemplo na França, o cinema vai bem, obrigado. Nos países onde o cinema é abandonado às leis de mercado, as cinematografias nacionais morrem".

A hipótese de que sua arte seja uma porcaria, aliás, é inconcebível aos nossos gênios incompreendidos, que odeiam o livre mercado porque se sabem ignorados naquele momento crucial: quando o espectador tira a carteira do bolso.

E agora, seguindo nossa rica tradição da picaretagem cultural, Maria Bethânia e Andrucha Waddington, pessoas das mais famosas em suas áreas de atuação, se acham no direito de pegar R$ 1,3 milhão do povo para brincar de blog. Poderiam muito bem tocar o projeto "revolucionário" de levar poesia ao povo "em meio a tantos absurdos do mundo moderno" (pfff), como justificam a coisa, sem recorrer ao Estado, juntando dinheiro de empresas privadas que poderiam ser facilmente convencidas a associar suas marcas a essa gente tão linda, bacana e maravilhosa. Mas não. São artistas brasileiros típicos: têm o direito divino a uma sinecura.

18 de março de 2011

Uma prece para a família Fogel


O casal Udi e Ruth Fogel e três de seus seis filhos (Yoav, 11 anos; Elad, 4 anos; e a bebezinha Hadas, três meses de idade) foram mortos a facadas na madrugada do último sábado, no assentamento de Itamar, na Samaria.

O assassino, ainda não identificado, rompeu a cerca de proteção do assentamento e invadiu a residência. As três outras filhas do casal, também menores de idade, conseguiram escapar para uma casa vizinha. As vítimas foram esfaqueadas quando dormiam, no Shabat.


A Brigada de Mártires Al Aqsa, braço armado do Fatah, assumiu responsabilidade pelos assassinatos, aos quais chamou uma operação "heróica" que representa "uma resposta natural aos massacres cometidos pela ocupação contra nosso povo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia". O Hamas também viu heroísmo no esfaqueamento. Moradores de Gaza comemoraram a chacina distribuindo doces na rua.

Ao entrarem no quarto de Yoav, policiais e médicos depararam com uma oração gravada num quadro de madeira colocado sobre a cama onde o menino de 11 anos jazia. Lia-se isto:

Que seja Tua vontade, S´nhor D´us e D´us dos meus antepassados,
Que eu ame a todos em Israel como a mim mesmo, e
Graciosamente execute o mandamento de amar seu vizinho como a si mesmo.
E que também seja Tua vontade, S´nhor D´us e D´us dos meus antepassados,
Que você induza os corações dos meus amigos e vizinhos para que me amem calorosamente, e
Que eu seja aceito e benquisto por todos, e
Que eu seja amável e agradável, e
Que eu seja gracioso e misericordioso aos olhos de todos que me vêem.
Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.
E tudo pelo Céu, para fazer a Tua vontade,
Amém.

Sob essa prece Yoav foi morto a facadas, e seus irmãos Elad, de 4 anos, e a pequenina Hadas, de três meses, e seus pais. Assim como os foguetes da jihad explodem em solo hebreu sem comover as redações, nenhum jornal grande do Brasil destacou o massacre. Mas no minuto em que Israel liberar a construção de mais algumas casas na margem ocidental, a imprensa dirá, assessorando o terror islâmico, que Israel atrapalha a paz. E o assassino da família Fogel batizará alguma praça inaugurada pela Autoridade Palestina.

Meu artigo no jornal O Estado

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Familiares dos Fogel decidiram tornar públicas as fotos dos cadáveres, quebrando uma tradição daquele povo, para mostrar ao mundo a barbárie de que os judeus são vítimas. Preferi não colocar as imagens aqui. Se quiser vê-las, visite esta página do blog Notícias de Sião.

16 de março de 2011

"Fascista!", grita o professor de humanas

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe.

Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária.

Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame.

Olavo de Carvalho, aqui

11 de março de 2011

Até que a CNBB demorou

Meu artigo no jornal O Estado

"Quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade".

Quem diz isso é o meteorologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas, representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial. Ele afirma que a ação humana é incapaz de causar um aquecimento global. "A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo".

Escute agora o professor José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará: "A hipótese do aquecimento global antrópico não possui base científica sólida. Entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990".

Molion tem 40 anos de experiência em estudos do clima. Parente é doutor em Física com pós-doutorado em Física da Atmosfera. São homens dotados de algum conhecimento do assunto, pensaria um cérebro ingênuo. Nada mais equivocado. Quem entende mesmo de clima é o pessoal da CNBB, que na Campanha da Fraternidade deste ano vai alertar a população para as causas e conseqüências do tal aquecimento global. Eu nunca tinha visto uma campanha dessas devotada a um fenômeno inexistente - perdão, perdão! Existe sim, e "o debate acabou", como já decretou o renomado meteorologista Al Gore.

Conforme a praxe de usar a Igreja como veículo de ladainha marxista, até que demorou para a CNBB levar o aquecimento ao altar. Ouçamos Molion mais uma vez: "O aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção".

4 de março de 2011

Campanha de auxílio aos bandidos

Meu artigo no jornal O Estado

Se os presos de São Paulo valessem pelo eleitorado nacional, Dilma Rousseff teria sido eleita no primeiro turno, com 63,50% dos votos válidos, à frente de Marina Silva (com 20,65%, sinal de que a política verde começa a ganhar respaldo no sistema carcerário, talvez porque seus moradores prefiram a vida na natureza à vida na cela) e de José Serra (14,38%), o antigo gerente da segurança de São Paulo que, por razões misteriosas, os detentos quiseram longe do comando da segurança nacional.

Caso os eleitores de Dilma estejam para sair da cadeia, já podem planejar novas estripulias. Dando continuidade ao projeto de fazer do Brasil um país de todos, o ministro da Justiça anunciou que o governo irá retomar "com muito vigor" a campanha de desarmamento, ampliando o mercado de trabalho para ladrões, traficantes e assassinos. Segundo José Eduardo Cardozo, "uma população armada é uma população violenta", sendo necessário ignorar o resultado do referendo de 2005, no qual os brasileiros se negaram a permitir que lhes fosse tirado o direito à legítima defesa, a despeito da falaciosa propaganda em contrário executada pela Rede Globo e por ONGs financiadas do exterior.

Os desarmamentistas informam que as mortes por bala não diminuíram; logo, sofismam eles, é preciso recolher armas. Recolher do povo ordeiro e nunca dos criminosos. Cardozo assumiu avisando que pretende espalhar pelo Brasil os métodos da tal polícia pacificadora, aquela que informa seus movimentos com um mês de antecedência para livrar os bandidos do vexame de serem pegos com o fuzil na mão. O Brasil registra 50 mil homicídios por ano (o Iraque é mais pacato) e o governo petista segue agindo pela diretriz de facilitar a vida do bandido. Exemplo desse enfoque revolucionário é a portaria do Ministério da Justiça e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, assinada no último dia do governo Lula, limitando o uso de armas letais pelas forças policiais do país.

A partir de abril, agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Nacional e da Força Nacional de Segurança Pública estão obrigados a dar dois alertas que não representem risco de vida ao suspeito, com emprego de armamento não letal, antes de puxar a arma de fogo. Também fica proibido disparar contra aqueles que furarem bloqueio policial em via pública.

De acordo com minhas fontes no submundo, a medida foi aplaudida por 92% da bandidagem. Os 8% restantes julgam a portaria conservadora e lamentam que a polícia não tenha sido aposentada de vez.

Se "uma população armada é uma população violenta", Cardozo deve explicar por que a Suíça, um dos países mais armados do mundo, apresenta índices de criminalidade de fazer inveja à Terra do Nunca, e por que os suíços, em plebiscito realizado no último dia 13 de fevereiro, optaram por não se desarmar. Para o advogado Bene Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil e um dos coordenadores da campanha do "Não" no referendo de 2005, não surpreende que brasileiros e suíços pensem igual: "Somos países diferentes, com culturas diferentes, mas a necessidade de defesa é universal. É um direito natural de todo ser humano. É absurda a idéia de que uma minoria pode tirar isso de todos."

Talvez Cardozo possa nos convencer de que os suíços estão errados e os petistas, certos.

Cartaz contra desarmamento na Suíça:
"Monopólio de armas para criminosos? Não"

3 de março de 2011

A vaguidão, meus senhores, a vaguidão

Artigo do meu amigo Rodolfo Oliveira, o mais talentoso escritor desta terra.

Então, dizia eu que, nos dias de hoje, as pessoas estão se comunicando de maneira muito vaga, e lembrei aqui de alguns grandes oradores brasileiros, como Carlos Lacerda e Rui Barbosa, e outros nem tão “privilegiados” assim, como a Dilma e o Lula. Outro dia li um artigo do professor Olavo de Carvalho que, de certo modo, preencheu-me a alma e levou-me a escrever este. Disse o professor: “A destruição da cultura superior evidencia-se não somente na desaparição dos espíritos criadores, mas na inversão da escala de julgamentos; na ausência de qualquer grandeza à vista, a pequenez torna-se a medida da máxima grandeza concebível”. Acontece que um dos sintomas da estupidez generalizada é a decomposição do idioma pátrio, outrora tão bem empregado por Machado de Assis e Camilo Castelo Branco. A corrupção da alta cultura deságua fétida e inevitavelmente na linguagem oral, que, nos últimos 40 anos, vem sendo usada como depositório de gírias ginasiais, cacoetes da moda, expressões “das ruas” e todo tipo de macaquice.

Vejamos um exemplo sintomático. Há algumas semanas, um “artista pop brasileiro”, decidido a tentar uma boquinha no governo, resolveu fazer um retrato da presidente. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, um tanto quanto desocupada, julgou, então, que a “obra” deveria ser entregue pessoalmente à chefe, e agendou um encontro entre a Dilma e o tal artista. No final do encontro, a ministra disse o seguinte a dezenas de jornalistas que a aguardavam ansiosamente – sim, no Brasil, besteira rende: “Nossa presidenta ela conheceu seu trabalho no Hospital da Mulher, né Romero [o tal artista], ficou encantada. Tava contando isso, e aí ele apresentou várias propostas de trabalho, e eu vou deixá (sic) o Romero contá (sic), acho que foi um assunto direto com ele, mas eu sou testemunha de que ela ficou apaixonada, o trabalho dele é muito alegre, muito colorido, muito, algumas marcas que são muito a cara do Brasil, essa coisa jovem, essa coisa cheia de energia, cheia de ideia, cheia de colorido, e umas ideias muito boas que ela gostou demais, né Romero? Então fala aí para eles”, à medida que passava os microfones para o tal Romero.

Releiam a fala da ministra, e, agora, perguntem-se: o que diabos fizeram com os períodos orais longos, articulados e com começo, meio e fim? Quando a ministra da Cultura de um país passa a se expressar como uma adolescente deslumbrada (para sermos benevolentes...) é porque a podridão já tomou conta de todo o reino da Dinamarca. Semana passada, ao ler o artigo do jornalista Clark Whelton, a fala da tal Ana de Hollanda veio-me à tona. No texto, Whelton, um experiente redator de discursos políticos, questiona: “O caráter de vaguidão da linguagem representa uma absurda descida rumo ao nada? Será a vaguidão um meio para driblar as imposições do politicamente correto? A vaguidão seria uma técnica para camuflar a falta de conhecimento?”. O fato é que estão transformando a fala em um mero conjunto de códigos primitivos cujos sinais levam todos para lugar algum. Refiro-me à falta de rigor oral que favorece a idiotice, a picaretagem, a mistificação, o erro e a proliferação da macaquice. A vaguidão, meus senhores, a vaguidão.

Rodolfo Oliveira, jornalista