Meu artigo no jornal O Estado
Finalmente o PT lançou uma nota de solidariedade aos iranianos que foram protestar nas ruas contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad: “O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas de Cairo e outras cidades do Egito, seu povo - jovens, estudantes, trabalhadores, funcionários, classe média -, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak”.
Perdão. Embaralhei os papéis e transcrevi a nota do PT dedicada aos egípcios. Agora sim segue a mensagem dos petistas ao povo do Irã: “O PT se une aos que desejam que as esperanças que iluminaram as mentes e os corações dos milhões de manifestantes que lotaram as praças, enfrentando a repressão policial e toda sorte de dificuldades, não sejam confiscadas nem traídas, e que a voz do povo se faça ouvir, interna e internacionalmente”.
Na verdade, essa ainda é a mensagem dedicada ao Egito. Procurei uma nota do PT simpática aos iranianos e não encontrei. Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado. Como em 2009, os rebeldes pacíficos do Irã serão presos ou executados sem que a esquerda espalhe correntes de solidariedade às vítimas. O assunto só interessa aos iranianos, como nos ensinou Lula, o sujeito que considera Muamar Kadafi “meu amigo, meu irmão e líder” (01/07/2009).
Já a questão egípcia transcende fronteiras, pois a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia do Oriente Médio - ou, no linguajar da esquerda, promover um governo verdadeiramente progressista. Para o PT, Israel comete terrorismo ao não cometer suicídio ante o terrorismo islâmico, e a reação israelense a oito anos de foguetes do Hamas equivale às práticas do regime nacional-socialista. É a mesma opinião de Ahmadinejad, que financia o Hamas e de quem Lula é assessor em assuntos atômicos.
Ontem fez um ano da morte de Orlando Zapata. Na ânsia de trair o comunismo cubano, ele dirigiu-se a uma cela, ficou lá alguns anos, parou de comer e maquiavelicamente deixou-se morrer, bem quando Lula visitava os irmãos Castro. Duas semanas depois do suicídio reacionário de Zapata, o grande timoneiro petista igualou os presos políticos cubanos aos bandidos de São Paulo. Escute a lição: “Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano”. Sobre o Egito, Lula disse que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. No Irã e em Cuba, a depender de Lula, nunca vai furar.
24 de fevereiro de 2011
18 de fevereiro de 2011
Observe a esquerda ignorar o Irã
Meu artigo no jornal O Estado
Quando os iranianos saíram às ruas em protesto contra a suspeita reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, a esquerda brasileira ficou assistindo pela televisão, na torcida para que a justiça prevalecesse e aquele tumulto pequeno-burguês fosse rapidamente sufocado.
Muita gente pode ter esquecido, mas foi de Lula a melhor síntese do que se passava: "Não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".
Mas agora nossa esquerda anda super empolgada com democracia no Oriente Médio. Todos os defensores de Fidel Castro festejam o levante no Egito e vislumbram a Era de Aquário, entre eles o PT, que divulgou uma nota solidária:
"O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas do Cairo e outras cidades do Egito, seu povo, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak".
A mensagem acrescenta: "A lufada de ar renovador que teve início na Tunísia, respeitadas as características e a cultura de cada país, poderá soprar por outros países, provocando uma nova correlação de forças em favor da democracia e da soberania, que contribua para a construção de uma ampla e justa paz, objetivos com os quais o PT possui compromissos históricos".
No momento em que o PT se pronunciou, os iranianos já haviam saído às ruas, tal como em 2009, contra o regime de Ahmadinejad, mas o Irã não é citado entre os países onde o PT espera ver soprar a lufada de ar democrático. Os iranianos, parece, também estão lutando contra um regime "antipopular e ditatorial". A esquerda não quer saber deles e só se emociona com o Egito. Por quê?
Um editorial do site do PC do B, o partido das ditaduras mais sanguinárias e amigas do povo, explica direitinho:
"A queda de Mubarak tem o sabor inegável de uma derrota histórica dos EUA e de Israel (...) A mudança começou. E ela precisa ir até o fim, com a conquista da democracia e com a derrota da presença do imperialismo norte-americano e a ignominiosa convivência com o principal fator de perturbação da paz no Oriente Médio constituído pelos governos sionistas e agressores de Tel Aviv".
Não é todo dia que a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder no Egito, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia liberal do Oriente Médio. Dá pra entender o entusiasmo seletivo dos esquerdistas.
Quando os iranianos saíram às ruas em protesto contra a suspeita reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, a esquerda brasileira ficou assistindo pela televisão, na torcida para que a justiça prevalecesse e aquele tumulto pequeno-burguês fosse rapidamente sufocado.
Muita gente pode ter esquecido, mas foi de Lula a melhor síntese do que se passava: "Não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".
Mas agora nossa esquerda anda super empolgada com democracia no Oriente Médio. Todos os defensores de Fidel Castro festejam o levante no Egito e vislumbram a Era de Aquário, entre eles o PT, que divulgou uma nota solidária:
"O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas do Cairo e outras cidades do Egito, seu povo, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak".
A mensagem acrescenta: "A lufada de ar renovador que teve início na Tunísia, respeitadas as características e a cultura de cada país, poderá soprar por outros países, provocando uma nova correlação de forças em favor da democracia e da soberania, que contribua para a construção de uma ampla e justa paz, objetivos com os quais o PT possui compromissos históricos".
No momento em que o PT se pronunciou, os iranianos já haviam saído às ruas, tal como em 2009, contra o regime de Ahmadinejad, mas o Irã não é citado entre os países onde o PT espera ver soprar a lufada de ar democrático. Os iranianos, parece, também estão lutando contra um regime "antipopular e ditatorial". A esquerda não quer saber deles e só se emociona com o Egito. Por quê?
Um editorial do site do PC do B, o partido das ditaduras mais sanguinárias e amigas do povo, explica direitinho:
"A queda de Mubarak tem o sabor inegável de uma derrota histórica dos EUA e de Israel (...) A mudança começou. E ela precisa ir até o fim, com a conquista da democracia e com a derrota da presença do imperialismo norte-americano e a ignominiosa convivência com o principal fator de perturbação da paz no Oriente Médio constituído pelos governos sionistas e agressores de Tel Aviv".
Não é todo dia que a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder no Egito, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia liberal do Oriente Médio. Dá pra entender o entusiasmo seletivo dos esquerdistas.
10 de fevereiro de 2011
Orgulho nacional: Russell Kirk superado por brasileiro
Meu artigo no jornal O Estado
Em 1953, o americano Russell Kirk lançou o livro “The Conservative Mind”, em que apresenta seis princípios que caracterizam, embora não a resumam nem a limitem, a perspectiva conservadora, esse adjetivo tão difamado por décadas de revolução cultural esquerdista. O conservadorismo, diz Kirk, é um “estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar para a ordem social civil”, sustentado “por um conjunto de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos”. O conservador acredita na existência de uma ordem moral duradoura, vê uma relação direta entre propriedade e liberdade e repudia os projetos revolucionários de construção do paraíso na terra.
Marco na bibliografia política e influência sobre um sem número de autores no Ocidente, “The Conservative Mind” acaba de ganhar um rival que o supera em qualidade, profundidade e, sobretudo, exuberância analítica. Os olhos do público ficarão ainda mais arregalados quando souberem que o abençoado cérebro em questão é produto nacional. Sim, um patrício nosso, com um comentário no meu modesto blog, praticamente tornou obsoleta a obra de Kirk. Seu nome - tomem nota - é Everardo (o sobrenome ainda é desconhecido, o que prejudica o registro nos anais do conhecimento). Se o intelectual americano ilustra a mentalidade conservadora em seis tópicos, o intelectual brasileiro só precisou de mais um para sintetizar, como ele disse, “o pensamento da nossa direita” nos termos que seguem:
Como se vê, a suma everardiana abarca o pensamento da direita brasileira nos campos político, econômico, militar e até sexual. Como nota de encerramento à aula, o autor pede que a direita seja mais explícita e menos cínica, revelando, de uma vez por todas, as intenções malignas ocultas sob o palavrório liberal-conservador. Eu até queria ser mais explícito, mas neste momento as urgências são outras. Preciso telefonar para os meus comparsas e avisar que o plano de restituir os bordéis de Cuba aos herdeiros de Fulgêncio Batista foi descoberto. Será preciso despistar a coisa por alguns anos. O plano de liberar geral a ocupação dos morros para que morram mais pobres, porém, continua de pé, bem como a invasão da Bolívia.
Em 1953, o americano Russell Kirk lançou o livro “The Conservative Mind”, em que apresenta seis princípios que caracterizam, embora não a resumam nem a limitem, a perspectiva conservadora, esse adjetivo tão difamado por décadas de revolução cultural esquerdista. O conservadorismo, diz Kirk, é um “estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar para a ordem social civil”, sustentado “por um conjunto de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos”. O conservador acredita na existência de uma ordem moral duradoura, vê uma relação direta entre propriedade e liberdade e repudia os projetos revolucionários de construção do paraíso na terra.
Marco na bibliografia política e influência sobre um sem número de autores no Ocidente, “The Conservative Mind” acaba de ganhar um rival que o supera em qualidade, profundidade e, sobretudo, exuberância analítica. Os olhos do público ficarão ainda mais arregalados quando souberem que o abençoado cérebro em questão é produto nacional. Sim, um patrício nosso, com um comentário no meu modesto blog, praticamente tornou obsoleta a obra de Kirk. Seu nome - tomem nota - é Everardo (o sobrenome ainda é desconhecido, o que prejudica o registro nos anais do conhecimento). Se o intelectual americano ilustra a mentalidade conservadora em seis tópicos, o intelectual brasileiro só precisou de mais um para sintetizar, como ele disse, “o pensamento da nossa direita” nos termos que seguem:
“(1) Brasil invade a Bolívia e os EUA invadem a Venezuela;(2) Os EUA explodem o Irã com uma das suas oitocentas ogivas nucleares estocadas;(3) O Mercosul é dissolvido e todos aderem à ALCA;(4) Os impostos são reduzidos e a sociedade é entregue à lei do mercado (a mesma que cuidou do Haiti e da República Dominicana);(5) Cuba seria invadida (tudo viraria Guantânamo) e os cassinos devolvidos à família de Fulgêncio Batista, voltando a ser um próspero puteiro dos milionários do Texas, com meninas de 14 anos sendo vendidas nos bordéis;(6) Não haveria necessidade de mensalão, pois não haveria Congresso nem congressistas;(7) O mercado liberaria de vez a ocupação irregular de terras nas encostas, pois assim morreriam mais pobres nas catástrofes (e estes só seriam socorridos com água e remédio se tivessem dinheiro para pagar ágio)”.
Está aberto o alistamento.
8 de fevereiro de 2011
Uma pitada de ciência política
Síntese do pensamento da direita brasileira por Everardo, o leitor esquerdista deste blog:
"(1) Brasil invade a Bolívia e os EUA invadem a Venezuela;
(2) Os EUA explodem o Irâ com uma das suas oitocentas ogivas nucleares estocadas;
(3) O Mercosul é dissolvido e todos aderem à ALCA;
(4) Os impostos são reduzidos e a sociedade é entregue à lei do mercado (a mesma que cuidou do Haití e da República Dominicana);
(5) Cuba seria invadida (tudo viraria Guantânamo) e os cassinos devolvidos à família de Fulgêncio Batista, voltando a ser um próspero puteiro dos milionários do Texas, com meninas de 14 anos sendo vendidas nos bordéis);
(6) Não haveria necessidade de mensalão, pois não haveria Congresso nem congressistas;
(7) O mercado liberaria de vez a ocupação irregular de terras nas encostas, pois assim morreriam mais pobres nas catástrofes (e estes só seriam socorridos com água e remédio se tivessem dinheiro para pagar ágio).
A direita poderia ser mais explícita e menos cínica".
"(1) Brasil invade a Bolívia e os EUA invadem a Venezuela;
(2) Os EUA explodem o Irâ com uma das suas oitocentas ogivas nucleares estocadas;
(3) O Mercosul é dissolvido e todos aderem à ALCA;
(4) Os impostos são reduzidos e a sociedade é entregue à lei do mercado (a mesma que cuidou do Haití e da República Dominicana);
(5) Cuba seria invadida (tudo viraria Guantânamo) e os cassinos devolvidos à família de Fulgêncio Batista, voltando a ser um próspero puteiro dos milionários do Texas, com meninas de 14 anos sendo vendidas nos bordéis);
(6) Não haveria necessidade de mensalão, pois não haveria Congresso nem congressistas;
(7) O mercado liberaria de vez a ocupação irregular de terras nas encostas, pois assim morreriam mais pobres nas catástrofes (e estes só seriam socorridos com água e remédio se tivessem dinheiro para pagar ágio).
A direita poderia ser mais explícita e menos cínica".
3 de fevereiro de 2011
Sobre comunismo e oligarquias
Artigo do meu amigo e colega de redação Rodolfo Oliveira, publicado no jornal O Estado, em resposta a este do Messias Pontes, jornalista filiado ao PC do B:
Sobre comunismo e oligarquias
Li com muito interesse o artigo que o jornalista Messias Pontes publicou neste espaço no último dia 26 de janeiro, em resposta a uma entrevista que eu e o jornalista Bruno Pontes fizemos com o General reformado do Exército Francisco Batista Torres de Melo, que também preside o Lar Torres de Melo. A primeira observação que faço ao artigo de Messias é que, ao que parece, ele tenta desclassificar as palavras do General porque este seria de “extrema-direita”. Bem, não custa lembrar que, em qualquer regime democrático, é normal e até saudável que se convivam posições alinhadas à esquerda e à direta, afinal, é justamente a existência da oposição que legitima a situação. Faz parte da cultura democrática o debate em torno de ideias contrastantes.
Em certo trecho, Messias escreve que “[durante a entrevista], Torres de Melo só faltou dizer que comunista come criancinha e mata os velhos para fazer sabão”. Relendo a entrevista e re-ouvindo o depoimento do qual fui testemunha, percebe-se claramente que não há uma tentativa de desqualificar os comunistas, e sim, por assim dizer, uma simples listagem dos crimes cometidos pelos regimes de esquerda durante todo o século passado. De acordo com O Livro Negro do Comunismo, editado pelo historiador francês Stéphane Courtois, durante o século 20, os regimes comunistas executaram mais de 100 milhões de pessoas. Segundo a publicação, os comunistas promoveram “massacres em larga escala, deportações de populações inteiras para regiões sem a mínima condição de sobrevivência, expurgos assassinos liquidando o menor esboço de oposição, fome e miséria provocadas que dizimaram indistintamente milhões de pessoas, enfim, a aniquilação de homens, mulheres, crianças, soldados, camponeses, religiosos, presos políticos e todos aqueles que, pelas mais diversas razões, se encontraram no caminho de implantação do que, paradoxalmente, nascera como promessa de redenção e esperança”.
Somente a efeito de comparação, peguemos os dados contidos no livro Dos Filhos Deste Solo, escrito pelo ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda, e pelo jornalista Carlos Tibúrcio. Lá, consta que, durante os 20 anos em que vigorou o regime militar no Brasil, e aqui eu concordo com Messias, foi uma tragédia que infelicitou a Nação, 424 cidadãos foram executados pelo estado. Sem dúvida, números funestos e que envergonham qualquer pessoa de bem. Todavia, como que para nos provar que em matéria de mortandade ninguém supera os regimes de esquerda, somente na ilha de Fidel Castro foram mais de 100 mil cidadãos que perderam a vida vítimas da truculência estatal. Ressalte-se que, por lá, a contagem ainda continua... Por fim, uma dúvida. Messias diz que o General seria um apoiador das “carcomidas oligarquias” brasileiras. Ora, José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, todos são apoiadores ferrenhos do governo Dilma, assim como foram do Lula. Teriam esses senhores se transformado nos baluartes da “democracia com povo”?
Rodolfo Oliveira - Jornalista
Sobre comunismo e oligarquias
Li com muito interesse o artigo que o jornalista Messias Pontes publicou neste espaço no último dia 26 de janeiro, em resposta a uma entrevista que eu e o jornalista Bruno Pontes fizemos com o General reformado do Exército Francisco Batista Torres de Melo, que também preside o Lar Torres de Melo. A primeira observação que faço ao artigo de Messias é que, ao que parece, ele tenta desclassificar as palavras do General porque este seria de “extrema-direita”. Bem, não custa lembrar que, em qualquer regime democrático, é normal e até saudável que se convivam posições alinhadas à esquerda e à direta, afinal, é justamente a existência da oposição que legitima a situação. Faz parte da cultura democrática o debate em torno de ideias contrastantes.
Em certo trecho, Messias escreve que “[durante a entrevista], Torres de Melo só faltou dizer que comunista come criancinha e mata os velhos para fazer sabão”. Relendo a entrevista e re-ouvindo o depoimento do qual fui testemunha, percebe-se claramente que não há uma tentativa de desqualificar os comunistas, e sim, por assim dizer, uma simples listagem dos crimes cometidos pelos regimes de esquerda durante todo o século passado. De acordo com O Livro Negro do Comunismo, editado pelo historiador francês Stéphane Courtois, durante o século 20, os regimes comunistas executaram mais de 100 milhões de pessoas. Segundo a publicação, os comunistas promoveram “massacres em larga escala, deportações de populações inteiras para regiões sem a mínima condição de sobrevivência, expurgos assassinos liquidando o menor esboço de oposição, fome e miséria provocadas que dizimaram indistintamente milhões de pessoas, enfim, a aniquilação de homens, mulheres, crianças, soldados, camponeses, religiosos, presos políticos e todos aqueles que, pelas mais diversas razões, se encontraram no caminho de implantação do que, paradoxalmente, nascera como promessa de redenção e esperança”.
Somente a efeito de comparação, peguemos os dados contidos no livro Dos Filhos Deste Solo, escrito pelo ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda, e pelo jornalista Carlos Tibúrcio. Lá, consta que, durante os 20 anos em que vigorou o regime militar no Brasil, e aqui eu concordo com Messias, foi uma tragédia que infelicitou a Nação, 424 cidadãos foram executados pelo estado. Sem dúvida, números funestos e que envergonham qualquer pessoa de bem. Todavia, como que para nos provar que em matéria de mortandade ninguém supera os regimes de esquerda, somente na ilha de Fidel Castro foram mais de 100 mil cidadãos que perderam a vida vítimas da truculência estatal. Ressalte-se que, por lá, a contagem ainda continua... Por fim, uma dúvida. Messias diz que o General seria um apoiador das “carcomidas oligarquias” brasileiras. Ora, José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, todos são apoiadores ferrenhos do governo Dilma, assim como foram do Lula. Teriam esses senhores se transformado nos baluartes da “democracia com povo”?
Rodolfo Oliveira - Jornalista
2 de fevereiro de 2011
Outra questão do Enem
Considere a seguinte verdade inquestionável:
"Não há provas de que Cesare Battisti tenha cometido qualquer crime. Ele agiu assim como a nossa presidente Dilma Rousseff, que também teve seu período revolucionário, junto com tantos no Brasil, que infelizmente precisaram se engajar na luta armada em busca da redemocratização do País".
Assinale a opção com o autor da declaração:
a) Emir Sader, filósofo, sociólogo, cientista político de alto nível;
b) Marilena Chauí, filósofa, teórica do mensalão, luminar da inteligência;
c) Eduardo Suplicy, senador, cantor de rap, protetor de bandido;
d) Ângela Maria Slongo, mulher de Olivério Medina (homem das Farc no Brasil), empregada por Dilma no Ministério da Pesca.
e) Valdetário Andrade Monteiro, presidente da OAB–CE.
Gabarito
"Não há provas de que Cesare Battisti tenha cometido qualquer crime. Ele agiu assim como a nossa presidente Dilma Rousseff, que também teve seu período revolucionário, junto com tantos no Brasil, que infelizmente precisaram se engajar na luta armada em busca da redemocratização do País".
Assinale a opção com o autor da declaração:
a) Emir Sader, filósofo, sociólogo, cientista político de alto nível;
b) Marilena Chauí, filósofa, teórica do mensalão, luminar da inteligência;
c) Eduardo Suplicy, senador, cantor de rap, protetor de bandido;
d) Ângela Maria Slongo, mulher de Olivério Medina (homem das Farc no Brasil), empregada por Dilma no Ministério da Pesca.
e) Valdetário Andrade Monteiro, presidente da OAB–CE.
Gabarito
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