Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


31 de janeiro de 2011

Resposta a uma tia indignada

Meu artigo no jornal O Estado

Meu último artigo, no qual critiquei a decisão da PM de prender comerciantes que subiram preços na região serrana do Rio, deixou transtornada uma tia minha. Eu nunca respondo a comentários de leitores, mas família é família, e não pude ficar alheio a palavras tão duras. Exagerei? Fui desumano? Caí no pecado do economicismo, emitindo uma opinião imbecil e alienada da vida de carne e osso? Reli o artigo umas cinco vezes. Concedo que não me expressei da maneira mais adequada ao argumento. Tento de novo, respondendo à minha tia:

“Imagine, Bruno, que você morasse naquela área. Imagine que você perdesse sua mãe, seu irmão, seu pai, sua casa. Pior (deixemos de sentimentalismos...): que você perdesse o dinheiro que tinha no bolso. O socorro ainda não chegou. Você está exausto, com frio, com fome, com sede, emocionalmente devastado (Ops! Retiro essa parte: vamos nos manter no rumo que importa, o do livre mercado!). Você percebe que o bar da esquina se manteve de pé. Corre para lá, mas o dono da bodega pergunta do que você precisa para se manter vivo. Água? Vela? Rapadura? Ótimo. A água não custa mais R$ 6,00, mas R$ 40,00. A vela pula de R$ 1,50 pra R$ 10,00. Você quer um pouco de caridade e solidariedade? F***-se, o bodegueiro é um liberal, não tá lá pra ser humano, mas pra ganhar dinheiro! Quem mandou deixar seu sacrossanto dinheirinho ser enterrado junto com sua família? A idéia é essa, Bruno? Eu entendi direito?”

Supor que os comerciantes, ali, no ato, ainda encharcados, tenham imediatamente subido os preços para aproveitar a desgraça havida há poucos minutos é um apelo um tanto exagerado ao dramático. Até porque, imagino eu, eles também perderam familiares e posses e, nas horas seguintes aos deslizamentos, tinham preocupações mais urgentes do que abrir a loja.

A chuva desabou no dia 11 de janeiro. A ordem da PM saiu no dia 16. Pode-se deduzir que os preços subiram não imediatamente após a enxurrada, mas uns três dias depois. Alguns ajustes devem ter sido feitos nesse meio tempo. Excluindo a hipótese de formação de cartel, das duas uma: presumindo que a demanda aumentaria, os lojistas compraram em grande quantidade, esperando lucrar com a revenda; ou então, impossibilitados de abastecer normalmente, caso mais provável numa região isolada, viram-se obrigados a operar com o estoque disponível quando da enxurrada, sendo-lhes necessário aumentar os preços para evitar o desabastecimento, pagar funcionários, reparar danos, etc. Convém lembrar ainda que são grandes as chances de eles serem saqueados.

Numa calamidade, a ajuda grande não vem dos comércios de esquina, vem das doações. Solidariedade é admirável fora da coerção estatal. Não devemos exigir de comerciantes prejudicados por enchentes uma atitude que nós, na pele deles, não estaríamos dispostos a ou simplesmente não poderíamos ter. Não parece justo obrigá-los, sob ameaça de prisão, a bancar a caridade necessária às centenas de moradores das encostas desmanchadas.

28 de janeiro de 2011

General Torres de Melo responde a um comunista

Foto: Emmanuel Cunha

A entrevista que eu e o Rodolfo Oliveira fizemos com o general Torres de Melo incomodou os comunistas. Um deles, Messias Pontes, jornalista filiado ao PC do B, mandou para o jornal O Estado o artigo "General, a guerra fria acabou!" em resposta. Hoje, 28, saiu a tréplica do general:




Elogios

Há dias em que o sol, ao nascer, vem com uma luz mais brilhante, indicando felicidades. Hoje, começou bem para mim. No dia 24 de janeiro de 2011 saiu uma entrevista nossa no Jornal “O ESTADO”, de Fortaleza, CE. Hoje, dia 26 do mesmo mês, vem um artigo do jornalista Messias Pontes, que procurou mostrar que sou de direita e fez elogios à minha pessoa, que não mereço.

Afirma que fui um dos golpistas de 1964. Quem sou eu para merecer esta afirmativa? Eu era um simples major e comandava a Polícia Militar do Piauí. Vibrei, naturalmente, quando os civis governadores Magalhães Pinto, Ademar de Barros, Carlos Lacerda, Ney Braga e outros civis de renome se declararam contra o governo golpista de João Goulart. Quem falou em golpe foi o governador Miguel Arraes, numa entrevista em Recife, respondendo a pergunta de um jornalista: “Que vai haver golpe, vai. Não sei quem dará primeiro. Se nós ou eles”. Foi o povo, na rua, que pediu para que as Forças Armadas salvassem o Brasil. Era a nação desesperada. Eu, apenas, era um torcedor apaixonado pela vitória da Democracia.

Conheci o Messias quando vereador de Fortaleza. Nunca perguntei se era de direita ou de esquerda. Passei a gostar dele, pois o seu irmão era e é um homem digno e eu fico orgulhoso de ter conhecido o dr. José Maria Pontes. O Messias, parece, me admirava. Fez minha campanha para que fosse escolhido o melhor vereador do ano, pelo que sempre lhe serei grato.

Depois, fui saber que ele era de esquerda. Não me abalou a minha admiração por ele. Deve ser coisa da juventude e vibrei quando um amigo comum me informou que o Messias tinha comprado uma fazenda. Agora ele vai entender o que é ser um produtor e o sofrimento do homem do campo. Teremos, penso eu, mais um lutador contra o MST, pois ficarei ao lado dele se invadirem as suas terras.

No seu artigo –“General, a guerra fria acabou” – afirma que “esse general, que ainda chama a quartelada de 1º de abril de revolução”. Fiquei admirado dessa sua afirmativa. Nunca defendi revolução nenhuma. Defendi a contra-revolução de 1964 e que Graças ao Bom Deus saiu vitoriosa. Quem queria fazer revolução era a esquerda e quem diz não sou eu e sim o Dr. Aarão Reis, que revolucionário e jovem impulsivo escreveu: “Não compartilho da lenda segundo a qual fomos o braço armado de uma resistência democrática. Não existe um só documento dessas organizações que optaram pela luta armada que as apresente como instrumento da resistência democrática”. Não acredito que o professor esteja falseando a verdade.

Obrigado, Messias Pontes, por suas palavras. Respeito suas idéias. Graças a Deus você hoje é como um KULAK (o fazendeiro russo tão massacrado pela revolução de Lênin). O amigo sabe mais que eu que LENIN “acreditava na concentração máxima possível do poder nas mãos do partido único que controlava o Estado”. E para terminar este artigo, escrito por um democrata, vou transcrever o que disse o russo e crítico da revolução comunista russa, no seu livro – “PROPAGANDA MONUMENTAL” – Vlademir Voinóvitch. – “na União Visão de Mundo Cientifico tinha duas correntes. Uma era marxista-leninista; a outra, stalinista. Os marxistas-leninistas queriam estabelecer na terra uma vida boa para as pessoas boas e uma ruim para as ruins, e tudo isso obrigatoriamente de acordo com a Visão do Mundo. E por isso matavam as pessoas ruins, e as boas, na medida do possível, deixavam entre os vivos. Os stalinistas, por outro lado, eram essencialmente “democratas” – matavam todos sem distinção e consideravam a Visão do Mundo não um dogma, mas uma orientação para a ação”.

Messias, graças à Contra-revolução de 1964 escapamos por pouco das duas teorias acima e, ainda, estamos vivos!

Torres de Melo - General

24 de janeiro de 2011

"Não sei que ódio é esse da esquerda", diz Torres de Melo

Foto: Emmanuel Cunha
Entrevista ao jornal O Estado

Por Bruno Pontes (brunopontes@oestadoce.com.br)
Rodolfo Oliveira (rodolfo@oestadoce.com.br)

“Enquanto José Genoino não for julgado pelo Supremo Tribunal Federal, não deveria ele fazer parte de nenhuma atividade pública. Tem que haver moralidade”, diz o general Francisco Batista Torres de Melo, 86, sobre o ex-guerrilheiro do Araguaia que, em fevereiro, assumirá o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa. Genoino, acusado de envolvimento no esquema do mensalão, é um dos 39 réus na ação que aguarda julgamento do STF.

Para Torres de Melo, o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 3, registrado na Justiça Eleitoral como programa de governo de Dilma Rousseff, “foi montado inteligentemente para pavimentar o domínio do poder por um partido político”. A ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, prometeu trabalhar pela aprovação do plano. “Aqueles que acreditam na democracia deveriam opor-se ao PNDH 3, que representa a marcha para dar poder total às esquerdas”, afirma o general. Na última quinta-feira, ele recebeu a equipe do jornal O Estado em seu apartamento para a seguinte entrevista:

O Estado - Como vê o convite feito a José Genoino para que assuma um cargo de assessor especial do Ministério da Defesa?

Torres de Melo - Temos que ter o mínimo de respeito à legalidade. Genoino é acusado pela Procuradoria Geral da República de integrar uma quadrilha. É dever de qualquer pessoa que preste serviço público zelar pelo trabalho que desempenha. Desta forma, enquanto Genoino não for julgado pelo Supremo Tribunal Federal, não deveria ele fazer parte de nenhuma atividade pública, até que os fatos sejam esclarecidos. O zelo pela coisa pública é que não pode ser quebrado. Tem que haver a moralidade pública. É preciso que haja regras bem claras, caso contrário a coisa degenera.

Genoino pegou em armas para enfrentar o Exército e instaurar um regime comunista a partir do campo. Para o senhor, a indicação dele ao Ministério da Defesa é uma provocação às Forças Armadas?

Ele foi anistiado. A anistia é para ambos os lados. Ele pode exercer cargo público, assim como o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, a quem eles acusam, poderia ser Ministro do Exército. Para mim, Genoino foi anistiado. Não acredito que a indicação de Genoino seja uma provocação. Até pode ser uma jogada política para esvaziar a Comissão da Verdade, mas fazer hipóteses é difícil.

Como vê a promessa da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de implantar o PNDH 3?

Quem conhece a História do mundo vê que aquele plano foi montado inteligentemente para pavimentar o domínio do poder por um partido político, partido este de esquerda e que, portanto, adora a ditadura. Quem foi de esquerda será de esquerda sempre. As esquerdas querem censurar a imprensa, para, desta forma, controlar toda uma nação. Só não enxerga quem não quer. Aqueles que acreditam na democracia deveriam opor-se a este plano. As esquerdas têm o direito de lutar pelo PNDH 3, assim como nós, os apreciadores da democracia, temos o direito de lutar contra. O PNDH 3 representa a marcha para dar poder total às esquerdas. Para dar o poder aos sovietes. Só o nome é que muda, porque hoje se você falar em sovietes é capaz de o mundo se acabar. Eles apenas mudam as palavras, inteligentemente. Eu reconheço a inteligência da esquerda. Ela come pelas beiradas. Comeu pelas beiradas o DEM, comeu o PSDB e agora vai comer o PMDB.

O PNDH 3 inclui a Comissão da Verdade. Os defensores dessa comissão dizem que o Brasil precisa se reconciliar. O que o senhor acha do argumento?

Reconciliação se faz conversando sem ódio. Você conversa com qualquer pessoa de esquerda e ela parece que espuma. Não sei que ódio é esse. Onde teve partido comunista vencedor, Vietnã, Cuba, União Soviética, Polônia, Camboja, foi um banho de sangue. A característica essencial do esquerdista é o ódio. “Nós temos que tomar o poder e matar, e matar, e matar”. Eles despertam o ódio, e depois vêm querer amor. Quando esse rapaz da Venezuela [Hugo Chávez] fala, parece que ele vai dar um murro na televisão. O Fidel Castro, quando falava, parecia que ia dar um murro em alguém. O democrata fala com calma, com serenidade. A esquerda só aceita o diálogo quando impõe a vontade dela.

A Constituição pode frear a sanha totalitária de alguns desses partidos?

A Constituição brasileira é uma colcha de retalhos. É tão falsa que todo dia alguém apresenta uma mudança. Além disso, ela é desrespeitada solenemente. É uma Constituição de faz de conta. Infelizmente, a lei brasileira não é cumprida. Se fôssemos um país sério, Lula seria punido com muito mais rigor por fazer propaganda eleitoral irregular em favor de Dilma Rousseff. Exemplo: Winston Churchill, herói britânico, foi fazer comício numa praça de Londres, onde não era permitido pisar na grama. Churchill pisou. O guarda chegou para ele, o primeiro ministro da Inglaterra, e falou: “O senhor não pode pisar na grama”. Churchill arrumou um banco e subiu nele. O exemplo é tudo. Se o general vai para o quartel de camisa aberta, o soldado vai de calção. O exemplo tem que vir de cima.

O que o senhor pensa ao ouvir a geração agora no poder alegar que lutou pela instauração da democracia?

As esquerdas queriam implantar uma ditadura soviética no Brasil, como fizeram em Cuba. Aliás, como já tinham tentado em 35 [refere-se ao levante comunista liderado por Luís Carlos Prestes com o objetivo de implantar uma ditadura de cunho marxista-leninista no Brasil. O levante foi financiado pela União Soviética]. A esquerda fala que em 1964 a esquadra americana estava aqui na costa. Eu nunca vi. Quando as esquerdas trazem os estrangeiros para fazer a Revolução de 35, vale. Quando as esquerdas saem daqui para fazer curso de guerrilha em Cuba, vale. Quando nós nos defendemos contra a guerrilha comunista que ameaça o País, não vale. Minha dúvida é: os esquerdistas foram para Xambioá fazer o quê? Plantar rosas? Se provarem que eles foram plantar rosas, o Exército errou em combatê-los. E depois, os esquerdistas vêm com essas histórias de “ah, usaram a força bruta contra os meninos”. Os “meninos” foram para lá porque quiseram, ninguém os convidou.

O que é ensinado nas escolas e no meio cultural é exatamente o oposto do que o senhor diz. Professores e intelectuais contam que a esquerda sempre foi compromissada com a democracia e coisas desse tipo.

A esquerda fez um trabalho muito inteligente, penetrando nas universidades, procurando dominar a imprensa, etc. É mentira que a esquerda tenha compromisso com a democracia. A esquerda sempre foi ditatorial. Não há hipótese de esquerda democrática. Porque só Marx tinha a verdade, só Lênin tinha a verdade, só Stalin tinha a verdade.

O que o senhor pensa do acolhimento de Cesare Battisti por Lula?

Demonstra bem a mentalidade medíocre do presidente. É um homem sem lei, sem visão. Ele, pensando em ser muito esperto, deixou para o último dia de mandato. Olha o abacaxi: toda a Europa contra o Brasil. Eles não são contra a ditadura? Então por que o Lula sai daqui para beijar o Fidel Castro? Se eles são contra a ditadura, por que o Brasil protege o presidente do Irã? O Senado italiano, onde tem senador comunista, votou por unanimidade uma moção contra o Brasil porque o Brasil não deixa o Battisti ser extraditado. O comunista de lá está errado ou certo? Quer dizer que o comunista da Itália pensa diferente do comunista brasileiro? Aqui ficam dizendo “coitadinho do Battisti”. Não tem cabimento.

Francisco Batista Torres de Melo é General de Divisão reformado do Exército, coordenador do Grupo Guararapes e presidente do Lar Torres de Melo

21 de janeiro de 2011

Quis vender água e foi em cana

Meu artigo no jornal O Estado

O índice 2011 da Heritage Foundation coloca o Brasil em 113º lugar na lista de 179 países avaliados quanto ao grau de liberdade econômica, definida pela fundação como o direito fundamental de cada ser humano de controlar seu trabalho e sua propriedade. Ficamos atrás de Gabão, Quênia e Azerbaijão. Engula o orgulho e siga a leitura.

No último domingo, o comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro mandou prender os comerciantes que cobrarem “preços abusivos” por comida, água e velas no município de Nova Friburgo. “Ninguém pode explorar a dor dos outros, se aproveitar da agonia da população para vender, por exemplo, um pacote de velas [que custa em torno de R$ 1,50] por R$ 10”, disse o comandante. Moradores contam que estão vendendo por até R$ 40 galões de água que custam R$ 6.

Desastres aumentam a demanda por produtos básicos. Sem dúvida os moradores de Nova Friburgo ficariam contentíssimos ao chegar ao mercantil e ver que a água ainda custa R$ 2, mas esse desprendimento da parte dos comerciantes traria às vítimas das chuvas problemas que as autoridades, imersas em sua benevolência policialesca, são incapazes de conceber.

Vamos ao exercício mental. Você está lá em Nova Friburgo. O cenário é catastrófico. Mulheres, crianças e idosos precisam se hidratar. Todo mundo correndo atrás de água. Se ela ainda estiver custando R$ 2, o que acontece? Os estoques serão consumidos rapidamente, e teremos uma situação que o governador Sérgio Cabral talvez considere mais vantajosa: a água será barata, mas ela terá acabado antes de você chegar ao mercantil.

A população terá melhor sorte se os comerciantes aumentarem os preços em cinco, seis, dez vezes. Quando os preços sobem, consumimos com prudência. Calculamos, poupamos, evitamos o desperdício. É desagradável pagar R$ 40 num galão d´água, mas é só assim que a água estará lá quando os moradores precisarem dela. Os preços altos evitam o desabastecimento.

Comerciantes de qualquer época e lugar só abrem as portas na expectativa do lucro. Por que deveria ser diferente com os de Nova Friburgo? “Por causa das chuvas, Bruno. Você precisa ter um olho mais humanitário. Aquilo é uma tragédia sem precedentes”. Certo. Mas o meu interlocutor imaginário deve notar que fazer comércio ali, neste momento, não é atividade das mais tranquilas. Os perigos são óbvios. A lama dificulta os acessos. É possível que nem todos os funcionários compareçam. Os distribuidores encontram obstáculos logísticos, sem esquecer os custos decorrentes da manutenção dos estoques. Tudo isso entra no preço final do produto. O comerciante precisa lucrar. Se for para ter prejuízo, melhor ficar em casa ou vender em outro lugar.

O que os desabrigados do Rio precisam é de gente que queira ganhar dinheiro levando comida para regiões sob ameaça de avalanches de lama. É um clichê danado, mas escutem o Adam Smith: “Não é da benevolência do açougueiro que devemos esperar nosso jantar, mas da atenção que ele dá aos próprios interesses”. Funciona assim numa economia livre. No Brasil, mandamos para a cadeia os comerciantes que, atendendo aos próprios interesses, ajudam a salvar vidas. Uma salva de palmas para o socialismo.

19 de janeiro de 2011

Sem comentários

Do site da Assembléia Legislativa do Ceará. Negritos meus:

Presidente da AL recebe lideranças do movimento pela libertação de Battisti

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Francisco Caminha (PHS), recebeu, na manhã desta terça-feira (18/01), 20 representantes do Movimento Pela Libertação Já de Cesare Battisti. O intelectual italiano está preso no Brasil desde março de 2007 e é acusado de crimes políticos na Itália.

Da AL, os manifestantes solicitaram apoio político e logístico à causa. No próximo dia 29, uma caravana segue para Brasília na tentativa de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprir a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que negou a extradição de Cesare. O órgão ainda não liberou o alvará de soltura do italiano.

Como há a ameaça de o processo ser reaberto e voltar a julgamento no pleno do STF, o Movimento quer o máximo de segmentos sociais engajados na luta pela libertação de Battisti. Amanhã, às 10 horas, o grupo visita a Câmara Municipal de Fortaleza (CMF). Às 19 horas, tem um encontro com artistas no Teatro Universitário.

Pedidos de audiência foram feitos ao governador Cid Gomes e à prefeita Luizianne Lins, mas ainda aguardam confirmação. “Já estamos nos reunindo há algum tempo. E queremos a efetivação imediata da decisão (de Lula)”, diz uma das líderes da mobilização e ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele.

De imediato, Francisco Caminha se disse a favor da libertação do italiano. “O caso está consumado. Este homem vem sofrendo muito. E olhe que a Constituição Federal não permite extradição por crimes políticos”, ressaltou o humanista.

Da mesma forma, posicionou-se o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia, deputado Heitor Férrer (PDT). “Tudo está pacificado e nós não podemos ficar temerosos de que haja uma reviravolta. O (ex) presidente já decidiu e isto tem que ser cumprido. Sou sempre solidário a movimentos humanistas”, pontuou.

Os deputados Roberto Cláudio (PSB) e João Ananias (PCdoB) também participaram da reunião no Salão Nobre do Legislativo. Ambos reforçaram a necessidade de a decisão de Lula ser oficializada pelo Supremo. Ananias chegou a solicitar um posicionamento oficial da AL sobre o assunto. “É fundamental que apoiemos (a soltura), porque o Brasil está se dobrando à pressão da Itália. E nós não podemos aceitar isto! Se fizermos pressão, o STF vai ficar numa situação delicada”, argumentou o comunista.

A ex-vereadora Rosa da Fonseca explicou aos parlamentares que o grande temor é de o Supremo desrespeitar a postura presidencial do mesmo modo como agiu quando de uma decisão do Ministério da Justiça em prol de Cesare Battisti. “É uma situação muito grave. Põe em risco a vida dele e toda uma luta libertária histórica. Como nós, que participamos de movimentos revolucionários similares ao dele e temos um de nós na Presidência (Dilma Rousseff) estamos anistiados e soltos, e ele continua preso?”, indagou. “É uma verdadeira aberração”, concluiu.
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13 de janeiro de 2011

Jornalismo internacional em três lições

Meu artigo no jornal O Estado

Proliferando como petistas em repartições públicas, as faculdades de jornalismo já são milhares em nosso país, despejando profissionais em quantidade superior à que o mercado pode empregar. As redações estão lotadas e os currículos se amontoam nos recursos humanos. Jornalista solidário que sou, ofereço agora um breve manual para ajudar meus colegas a arranjar emprego no promissor ramo do jornalismo internacional.

Usarei um exemplo atual para instruir os estudantes de jornalismo, e também os veteranos que se julguem necessitados de reciclagem, no ofício de bem informar o público sobre as coisas importantes que acontecem lá fora. Dominando essas três lições, qualquer um poderá trabalhar na Globo. Vamos ao caso.

No sábado passado, a deputada americana Gabrielle Giffords e outras seis pessoas, incluindo uma criança de nove anos e um juiz federal, foram baleadas por Jared Loughner, 22, em frente a um mercantil da cidade de Tucson, no Arizona. Gabrielle foi atingida na cabeça e seu estado é grave. Sendo ela do Partido Democrata, criou-se uma formidável oportunidade para difamar a direita e, assim, cumprir as diretrizes recomendadas na cobertura da política americana.

Primeira lição: Jornalismo é coisa de gente dinâmica. Não se preocupe em esperar o resultado das investigações ou buscar informações sobre o atirador. Mesmo que o mentalmente transtornado Loughner se diga anti-religião e tenha como livros favoritos, além do Minha Luta de Hitler, o Manifesto Comunista de Karl Marx, conforme ele escreveu em sua página no Youtube, dê logo a informação correta e diga que a culpa é da Sarah Palin e dos conservadores, aqueles safados.

Foi o que fez o Jornal Nacional da segunda-feira seguinte ao atentado, ao informar à sua enorme audiência que “muita gente está acusando o grupo extremamente conservador Tea Party, da ex-candidata a vice-presidente Sarah Palin, por incitar o confronto com os democratas”. Não se sabe quem é essa “muita gente” que está acusando. Algumas horas depois, no Jornal da Globo, o correspondente Rodrigo Bocardi reiterou que “o Tea Party, liderado por Sarah Palin, é formado por conservadores extremos”. O que nos leva à segunda lição.

Segunda lição: Quando a direita for citada, é obrigatório o uso de adjetivos como "extremista", "raivosa" e sobretudo "ultraconservador". Quanto mais vezes esses termos forem empregados, mais completo será o texto. O público precisa ser lembrado em todas as ocasiões que os conservadores são loucos furiosos. Os adjetivos são dispensáveis no trato com a esquerda. Basta dar a filiação democrata. Dessa forma o leitor será acostumado ao fato de que o esquerdismo é o estado natural e o direitismo é a anomalia digna de destaque.

Terceira lição: A terceira lição resume tudo e economiza o tempo do correspondente internacional. A dica é do professor Olavo de Carvalho. Pegue o New York Times, veja o que os jornalistas esquerdistas americanos estão falando, traduza para o português e pronto. Você já tem a matéria.

10 de janeiro de 2011

Battisti tinha determinação de matar, diz promotor

ATUALIZADO COM FOTOS EMOCIONANTES AO FINAL.

Entrevista no jornal O Estado

Bruno Pontes (brunopontes@oestadoce.com.br)
Rodolfo Oliveira (rodolfo@oestadoce.com.br)

O promotor de Justiça Walter Filho, do Ministério Público do Ceará, não tem dúvidas quanto à participação do italiano Cesare Battisti em quatro assassinatos, na década de 1970, quando integrava o grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo, crimes pelos quais foi condenado à prisão perpétua pela Justiça daquele país. “Fui olhar as sentenças e vi que havia muitas inverdades sobre o caso sendo ditas no Brasil”, diz o promotor, cujo interesse pela questão o fez escrever um livro – a ser lançado em março – sobre as contradições nos argumentos de defesa do italiano. “No livro, coloco bem as incoerências existentes, sendo tudo provado por documentos. É só confrontar os documentos”, diz Walter Filho nesta entrevista ao O Estado.

O Estado - O senhor resolveu se aprofundar no caso ao perceber incoerências e contradições na defesa de Cesare Battisti. Explique, por favor.

Walter Filho - Li um artigo do jurista Dalmo Dallari, publicado na Folha de S. Paulo em janeiro de 2009, e observei que algo estranho estava acontecendo. Fui olhar as sentenças e vi que havia muitas inverdades sobre o caso. Ao todo, o grupo de Battisti, os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), cometeu quatro assassinatos, entre 1978 e 1979. No dia 26 de junho de 1979, Battisti foi preso em flagrante delito, juntamente com outros integrantes do PAC. Do primeiro assassinato, em 06 de junho de 1978, até sua prisão, ele foi membro ativo do grupo e esteve envolvido nos quatro homicídios.

Os assassinatos do joalheiro Pierluigi Torregiani e do açougueiro Lino Sabbadin ocorreram no mesmo dia, em 16 de fevereiro de 1979. Torregiani foi morto quando caminhava para sua loja, em Milão, ladeado de dois filhos menores. Participaram do assassinato Sante Fatone, Sebastiano Masala, Giuseppe Memeo e Gabrielle Grimaldi. Dois deram cobertura e dois atiraram. Torregiani foi morto em Milão. Já Sabbadin foi morto em Mestre, a cerca de 260 km de Milão. Participaram desse assassinato Cesare Battisti, Diego Giacomini e Paola Filippi. Portanto, Battisti jamais esteve em Milão. No entanto, ele foi coautor intelectual do assassinato de Torregiani. Dois dias antes dos crimes, todos estiveram reunidos na casa de Luigi Bergamin e Battisti defendeu as duas ações. No artigo de Dallari que citei, ele escreve: “Dois desses crimes foram cometidos no mesmo dia, em horários muito próximos e em lugares muito distantes um do outro, de tal modo que seria impossível que Battisti tivesse participado efetivamente de ambos os crimes”. A afirmação de Dallari é equivocada, porque a Justiça italiana jamais disse que Battisti esteve presente nos dois assassinatos.

Quais são os outros homicídios cometidos por Battisti?

Em 6 de junho de 1978, Battisti assassinou o agente carcerário Antonio Santoro. Antes de ingressar no PAC, Battisti já tinha ficha criminal, tendo sido condenado por furto e roubo. A Justiça italiana já tinha contra ele um mandado de prisão. A ex-namorada de Battisti, Cecília, disse que ele havia confessado o crime. Battisti também é autor dos disparos que mataram o policial Andrea Campana, em 19 de abril de 1979. No dia desse crime, o homem que atirou no joalheiro de Milão, Giuseppe Memeo, estava no carro esperando por Battisti. Quando Memeo foi preso, ele tinha uma arma e a polícia identificou que essa arma era a mesma que matou o joalheiro.

Em 2009, a escritora francesa Fred Vargas encaminhou ao ministro Cezar Peluso, do STF, uma carta detalhando supostas irregularidades na condenação de Battisti pela Itália. O senhor afirma que a carta é repleta de erros.

A escritora Fred Vargas, uma grande defensora de Battisti, convenceu o senador Eduardo Suplicy (PT) e outros militantes de esquerda a acreditarem em uma carta cheia de dados errados. Ela afirma que tudo contra Battisti foi forjado, diz que estudou o processo por 15 anos e que Battisti foi inocentado por esses assassinatos. No processo da Justiça da Itália, Battisti foi acusado naquele momento de integrar um grupo armado. Ela diz que os crimes aconteceram e foram planejados na casa de Pietro Mutti, Esquece-se de dizer que Battisti freqüentava esses locais. Mutti era o melhor amigo de Battisti. Seria muita bondade achar que Battisti pegava em armas e nunca matou. Fred diz que ele deixou o PAC em junho de 1978. Ela esquece-se de que, em junho de 1979, Battisti foi preso em flagrante delito, com armas e outros membros do grupo; assim, ele não poderia ter deixado o PAC no ano anterior. Já Battisti diz que quando ocorreu o assassinato de Santoro, em 06 de junho de 1978, houve imediatamente uma reunião, na qual esteve presente, tendo deixado o grupo logo após. No dia 24 de outubro de 1978, Battisti foi acusado de participar de um atentado contra o agente de custódia Arturo Nigro. Portanto, mentem os dois, Battisti e Fred Vargas, quando dizem que ele deixou o movimento em junho daquele ano. O advogado de Battisti, Luís Roberto Barroso, também diz que ele abandonou o PAC em meados de 78. Os fatos provados pela Justiça e confessados por Battisti contrariam seu próprio advogado.

Battisti diz que as testemunhas que depuseram contra ele mentiram em troca de benefícios da Justiça. O que o senhor pensa dessa alegação?

Hoje, Battisti diz que Mutti e outros dos seus colegas que colaboraram com a Justiça não merecem credibilidade. Mas não foram apenas os depoimentos dessas pessoas que pesaram contra ele. Há também o depoimento de testemunhas oculares, a perícia, etc. A Justiça italiana está de parabéns. Fez um trabalho minucioso, pois não era fácil identificar os assassinos. Eles usavam disfarces, o bando era numeroso etc.

Battisti ficou preso de 1979 a 1981. Fugiu da prisão de Frosinone no dia 04 de outubro de 1981. A fuga foi elaborada por Mutti, pela ex-namorada e por outros companheiros. Isso mostra que ele era uma pessoa importante dentro do PAC. Se ele não tivesse importância, como muitos afirmam, teria mofado na prisão. Hoje Battisti cospe na cara desses amigos. Então, quem é o traidor? É Battisti, que após receber dos amigos a liberdade através da fuga deixou todos lá na Itália e se mandou.

Os defensores de Battisti sustentam que o processo na Itália foi conduzido de modo a prejudicá-lo. Essa acusação tem fundamento?

É importante dizer que tudo que Battisti alegou contra a Justiça da Itália foi objeto de apreciação pela Justiça francesa, que não encontrou nenhum erro, e pela Corte Européia de Direitos Humanos, a insuspeita Corte Internacional, que não viu nada de errado nas sentenças oriundas da Itália. Além do mais, Battisti viveu clandestinamente na França durante 14 anos, e o ex-presidente François Mitterrand, mesmo sendo um homem de esquerda, não teve a coragem de lhe conceder cidadania. Battisti diz que veio ao Brasil porque foi perseguido pelo então presidente Jacques Chirac, que era de direita. Mentira. Ele passou nove anos na França sob a presidência do Chirac, que nunca o perseguiu. A decisão de extraditá-lo para a Itália foi da Justiça francesa. Assim como o Judiciário brasileiro determinou pela extradição de Battisti, a Justiça francesa também o fez. Ele fugiu da França para não ser levado pela polícia e entregue à Itália. Battisti gosta de uma mentira.

Como avalia a decisão de Lula de não extraditar Battisti?

Admiro a história de Lula, mas foi um erro imperdoável ir de encontro à decisão do STF e ao tratado bilateral sob a alegação de que Battisti teme ser perseguido na Itália. Isto é brincadeira. Se os “italianos maus” quisessem matar Battisti, o teriam feito em 79, no fervor dos acontecimentos, quando ele estava preso. Bastava um policial dar um tiro nele e pronto. Por que fariam hoje, se não fizeram naquele tempo? Não tem sentido essa alegação. E o que me revolta também nas defesas de Battisti é a agressividade com que eles tratam o atual premiê da Itália, Silvio Berlusconi, que não tem nada a ver com o processo. O presidente da Itália hoje é o comunista Giorgio Napolitano. A atual representação política italiana está fazendo cumprir o que já foi julgado. Alegar que Battisti poderá ser perseguido é achar que todos nós somos idiotas. Acredito que Lula ainda pagará um preço muito alto por essa decisão. Isso manchará a nossa imagem. Lula desrespeitou não só a decisão jurídica do País, mas as famílias das vítimas de Battisti.

Qual seria a incoerência mais gritante dos defensores brasileiros de Battisti?

Para mim, é a do senador Eduardo Suplicy. Ele diz que Battisti cometeu ações armadas, mas nunca assassinatos. Ou seja, todas as perícias, as testemunhas, as confissões etc. – tudo isso não tem nenhuma validade para Suplicy. Esquece-se Suplicy que Battisti também foi acusado de ter cometido atentado contra Arturo Nigro e mais dois médicos. O caso de Battisti foi objeto de apreciação pela Corte francesa e pela Corte Internacional. O Brasil foi o único país do mundo que acreditou em Battisti.

E por que só o Brasil acreditou nele?

Acho que é pela questão ideológica. Não existe outra explicação. Tenho respeito pelos defensores de Battisti, mas essa é uma causa infundada. O mais equivocado é dizer que ele não sabia de nada, que não participava de nada. Battisti integrou o bando armado desde o começo, tinha determinação de matar. Não entendo como essas pessoas abraçam uma causa dessas.

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9 de janeiro de 2011

Quase uma questão do Enem

Uma mulher usando blusa de Che Guevara, colete de Brizola, bandana de Lula, écharpe de Dilma, molhada, enlameada, abraçada a amigas recentes, exausta e com o otimismo prático recarregado durante a posse da presidente. Quem é?

a) Ângela Maria Slongo, mulher de Olivério Medina, homem das Farc no Brasil, e empregada por Dilma no Ministério da Pesca.

b) Eleida Guevara, filha do próprio e defensora da liberdade, da democracia, da justiça e de tudo que é bom e decente.

c) Sandra Helena de Souza, professora de Filosofia e Ética da maior universidade privada de Fortaleza.

Resposta.