Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


27 de dezembro de 2010

Um ano depois, a farsa se repete

Meu artigo no jornal O Estado

Em dezembro de 2009, denunciei aqui neste espaço a manobra executada pelo capital internacional no sentido de ludibriar as massas e fazê-las duvidar do aquecimento global inequívoco, justamente no momento em que se promovia a Conferência do Clima em Copenhague, aquela que nos livraria da catástrofe iminente.


Vocês devem lembrar. Enquanto políticos, cientistas, estrelas do show business e outras personalidades de alto gabarito reuniam-se na capital dinamarquesa para discutir maneiras de salvar o planeta e a humanidade animal e vegetal que nele mora, os donos do capital espalharam neve por toda a Europa e também nos Estados Unidos, criando um falso cenário de inverno avassalador em dois continentes e acendendo a desconfiança do público quanto ao fim do mundo.


A tramóia não se resumiu ao uso de neve artificial. A imprensa conservadora, venal e golpista passou a trombetear que aquele dezembro era um dos mais frios da história européia. Foi uma operação calculada para iludir as pessoas de mente mais fraca, que acreditam nos próprios olhos e ouvidos em vez de confiar em políticos, cientistas que dependem de políticos, políticos que dependem de cientistas, ongueiros associados a políticos e cientistas e outras pessoas incapazes de praticar qualquer pilantragem.


Um ano se passou e a humanidade assiste, estupefata, a mais um espetáculo de cinismo do capitalismo transnacional. Justamente quando se realizava em Cancún uma nova conferência para acertar a submissão das economias nacionais à gerência da ONU (é o único jeito de evitar o apocalipse climático), o que acontece?

Na Grã-Bretanha, a temperatura chega a -20ºC. Na Polônia, 18 pessoas morrem devido ao frio, a maior parte delas sem-teto. Em Moscou, três mortos. Na Alemanha, dois mortos, entre eles um idoso que teria sido atingido por um trem enquanto tentava retirar neve. Vários aeroportos da Europa são fechados por causa das nevascas. É inacreditável a cara de pau. Exatamente um ano depois, os capitalistas repetem o ardil para testar a fé dos adoradores de Gaia.


Não podemos ignorar o poder da mídia sobre os mais simplórios. Já encontro por aí sujeitos duvidando do aquecimento global inequívoco, mencionando as nevascas batedoras de recordes e as predições científicas furadas. Outros hereges apresentam um argumento ainda mais ridículo: como podem saber a temperatura da Terra daqui a 50 anos, se não conseguem assegurar que vai chover no próximo sábado? Quanta obtusidade.

Fique atento, irmão verde. Como diz Al Gore, "o planeta está com febre". Não seja tolo a ponto de acreditar no que você vê. Alienação tem limite. Se vierem para você com história de nevasca, mostre ao impertinente os estudos mais recentes da ONU, as matérias da Sônia Bridi exibidas no Fantástico e os artigos de outro doutor em climatologia, o padre comunista Leonardo Boff, que na semana passada reiterou a triste verdade: "O planeta vai continuar com febre".

* * *


17 de dezembro de 2010

Charlton Heston e a guerra cultural

No jornal O Estado (não chamo de artigo porque só o primeiro parágrafo é meu)

Em 1999, o ator Charlton Heston (1923-2008) fez um belo pronunciamento aos estudantes de Direito da Harvard, do tipo que está caindo na ilegalidade, exortando-os a lutar contra a tirania politicamente correta. Heston, naturalmente, pensava nos Estados Unidos, mas a opressão que ele denuncia se alastra por todo o Ocidente. Deixo à vossa apreciação trechos do discurso do ator aos universitários, intitulado Vencendo a guerra cultural:


“Dedicando o memorial de Gettysburg, Abraham Lincoln disse da América: ‘Estamos envolvidos numa grande guerra civil, testando se esta nação consegue resistir’.

Essas palavras são verdadeiras de novo. Estamos novamente envolvidos numa grande guerra civil, uma guerra cultural prestes a sequestrar seu direito natural de pensar e de dizer o que existe no seu coração. Tenho certeza de que vocês não confiam mais no sangue vital da liberdade que pulsa dentro de vocês, a coisa que fez esse país se erguer da natureza selvagem ao milagre que ele é.

Há um ano ou dois, me tornei presidente da Associação Nacional do Rifle (National Rifle Association), que protege o direito dos cidadãos americanos de ter armas. Agora sirvo de alvo móvel para a mídia, que me chama de tudo, de ‘ridículo’ e ‘iludido’ a ‘velho doido, senil, deficiente mental’. Sei que sou bem velho, mas certamente não estou senil.

Como fiquei no caminho daqueles que miram as liberdades da Segunda Emenda, percebi que as armas de fogo não são a única questão. É muito maior que isso. Compreendi que uma guerra cultural está se alastrando por nossa terra, na qual, com fervor orwelliano, certos pensamentos e discursos são obrigatórios.

Por exemplo: eu marchei com o senhor King pelos direitos civis em 1963 - muito antes de Hollywood considerar isso aceitável, devo dizer. Mas quando eu disse a uma audiência no ano passado que orgulho branco é tão válido quanto orgulho negro, orgulho vermelho ou qualquer outro orgulho, me chamaram de racista.

Trabalhei com homossexuais brilhantemente talentosos ao longo da minha carreira inteira. Mas quando eu disse a uma audiência que os direitos dos gays não deveriam ultrapassar os seus direitos ou os meus direitos, me chamaram de homofóbico.

Todo mundo que eu conheço sabe que eu nunca agrediria meu país. Mas quando eu pedi a uma audiência que se opusesse a essa perseguição cultural da qual estou falando, fui comparado a Timothy McVeigh.

Da revista Time aos amigos e colegas, eles estão basicamente dizendo: ‘Como você ousa se expressar assim? Você está usando linguagem não autorizada para consumo público’. Mas eu não tenho medo. Se os americanos acreditassem em correção política, nós ainda seríamos os criados do rei George - sujeitos à Coroa Britânica.

Como vencer essa submissão generalizada? A resposta sempre esteve aqui. Eu a aprendi 36 anos atrás, nos degraus do Lincoln Memorial, ao lado do doutor Martin Luther King e 200 mil pessoas. Você simplesmente desobedece. Sim, pacificamente. Respeitosamente, é claro. Sem violência, definitivamente. Mas quando nos disserem como pensar, o que falar ou como nos comportar, nós nos recusamos. Nós desobedecemos ao protocolo social que reprime e estigmatiza a liberdade pessoal”.

13 de dezembro de 2010

Resposta a um editorial sobre Israel

O editorialista do jornal O Povo, aqui de Fortaleza, aproveitou o reconhecimento pelo Brasil do tal estado palestino para bater em Israel, naturalmente. Meu amigo Saulo Tavares, membro da Sociedade Israelita do Ceará, mandou resposta ao jornal. A seguir, editorial e réplica:

A paz no Oriente Médio e o Direito Internacional

O reconhecimento, pelo Brasil, do Estado palestino - dentro das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967 - põe em andamento uma estratégia decidida pelos países da América do Sul com o objetivo de restabelecer o Direito Internacional, nas negociações. A Argentina também fez o mesmo, juntando-se a mais de 100 países que tomaram idêntica posição.


Na última sexta-feira, o presidente Lula enviou uma carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, informando a decisão brasileira. Os EUA, o maior aliado de Israel, reagiu com contrariedade à iniciativa.


O fato é que ninguém está satisfeito com a política aplicada até aqui pelas grandes potências nessa questão. A coligação direitista que está à testa do governo israelense tem insistido na política de colonização dos territórios palestinos, tomados à força por Israel, em sucessivas refregas, desde 1948. As consequências da expulsão dos antigos moradores dessas áreas traduzem-se num quadro de profunda desorganização da vida desse povo, de injustiça e desrespeito aos direitos humanos.


O reconhecimento do Estado palestino, é claro, deve vir acompanhado da garantia de fronteiras seguras para todos. A série de equívocos promovidos por ambos os lados, desde a proclamação do Estado israelense, e o sofrimento daí decorrente, já deveriam ter servido para se encontrar uma solução razoável. No entanto, as negociações sempre terminam inviabilizadas pelo radicalismo, ora de um lado, ora de outro. Mas, isso não deve servir de pretexto para protelar indefinidamente uma situação humanamente insuportável.


Reconhecer o Estado Palestino, nas fronteiras estabelecidas pela ONU, isto é, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, ocupados por Israel, é uma decisão pautada no senso de justiça e no acolhimento ao Direito Internacional. Sobre essa base jurídica as negociações devem prosseguir até se chegar a um patamar capaz de satisfazer aos dois lados. Para isso é preciso reequilibrar a correlação entre os antagonistas. Da forma como está, a balança tem pendido mais para um lado, criando uma situação intolerável de injustiça e de desrespeito à dignidade humana e à ordem jurídica internacional.


Resposta de Saulo Tavares:

O editorial de hoje fala em territórios palestinos, tomados à força por Israel, em sucessivas refregas, desde 1948. Esquece propositalmente de dizer que tais territórios foram conquistados em guerras de extermínio movidas contra o estado judeu pelos países árabes que não aceitaram a partilha da região pela ONU em 1947, todo o resto é consequência dos fatos gerados pelo ódio árabe e por sua incapacidade em reconhecer o direito judaico à autodeterminação (da mesma forma em relação a drusos, circassianos, árabes cristãos e outras minorias, dhimmys). Fica difícil para quem não conhece a história analisar com propriedade a questão baseado nas informações dadas por O Povo.


Vale lembrar (outro lapso do jornal) que não existia um estado palestino em 1967, o que havia era o Egito (que anexara Gaza), a Jordânia (que anexara a margem ocidental como Transjordânia) e a Síria, países que atacaram Israel em 1967.
Com o objetivo de restabelecer o Direito Internacional nas negociações deveria também ser exigido do hamas (potência ocupante de Gaza sob o patrocínio da Síria), da ANP (que administra a margem ocidental) e do hizbollah (potência ocupante do Líbano sob o patrocínio do Irã) que parassem seus ataques a Israel e permitissem que se negociasse com seriedade.

Como falei fica difícil tratar o assunto com dignidade quando se cobra apenas de um lado e quando meios de comunicação como O Povo deturpam os fatos movidos por simpatias editoriais.


É preciso reequilibrar de verdade a correlação entre os antagonistas. Da forma como está, a balança tem pendido mais para um lado, criando uma situação intolerável de injustiça e de desrespeito à dignidade humana e à ordem jurídica internacional. Para isso é necessário que se trate a questão com seriedade evitando a vitimização de um lado, que posa de coitadinho, e a demonização do outro, apontado como único responsável por tudo de errado na região.


Saulo Tavares

Membro da Sociedade Israelita do Ceará

9 de dezembro de 2010

O Brasil em breve alcança o Azerbaijão

Meu artigo no jornal O Estado

Em novembro de 2009, a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram uma emenda à Constituição que obriga os pais a entregar os filhos de quatro anos à escola (atualmente o MEC exige a guarda intelectual dos brasileirinhos aos seis anos). O leitor esquerdista dirá: “Certíssimo. O Estado tem a obrigação de garantir educação e quanto mais cedo melhor”. A educação estatal é um direito, recitará o esquerdista. Mas eu não tenho a liberdade de rejeitar esse direito e educar meus filhos em casa, longe da fábrica de burros que é a escola, pública ou privada, pois posso ir para a cadeia por tal gesto antipatriótico.

No fim do mês passado, a comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 134/07 aprovou a ampliação da jornada escolar da rede pública para, no mínimo, sete horas. Pobres crianças. Conforme o substitutivo da relatora, deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), a medida valerá para a educação infantil e os ensinos fundamental e médio regulares. Portanto, pobres crianças e adolescentes.

As escolas terão até 2020 para adotar a nova jornada. Segundo a deputada, o prazo de dez anos levou em conta as diferenças da realidade educacional entre os diversos estados. Dentro de uma década, pelo visto, os estudantes brasileiros terão o mesmo nível de ignorância nos mais diversos assuntos, independentemente da unidade federativa onde vivam. Conforme Raquel Teixeira, com R$ 20 bilhões seria possível adotar hoje a jornada de sete horas em todos os colégios. “Esse dinheiro não é nada perto do retorno que a medida traz para a sociedade. Uma hora a mais na jornada aumenta em 66% o aprendizado do aluno”.

Um pai antiquado louvaria a intenção dos nossos parlamentares. “Meu filho vai ficar mais tempo na escola e aprender mais”. Não é bem assim. Como nos ensinou Paulo Freire, educar é um ato político. É ridícula a noção de que a escola deve apenas ensinar português e matemática, tornando o aluno capaz de ler e contar. Não. O que será do nosso país se as crianças deixarem de aprender a usar camisinha e gel lubrificante, a ter consciência crítica e votar nos socialistas? Devemos seguir no caminho da educação como ferramenta de “transformação social”, pois o clichê diz que não se mexe em time que está ganhando, e nosso fenomenal desempenho foi atestado mais uma vez e nos enche de orgulho e esperança.

Saíram os resultados de 2009 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o Pisa. Dos 65 países examinados, o Brasil ficou em 53º lugar em leitura e 57% em matemática. Nossa colocação no levantamento pode parecer frustrante, mas veja o lado bom da coisa: se os estudantes brasileiros continuarem nessa progressão intelectual, em poucos anos alcançarão os estudantes de países desenvolvidos como Trinidad e Tobago, Cazaquistão e Azerbaijão.

6 de dezembro de 2010

"Legado do governo Lula é triste e comprometedor"

Entrevista no jornal O Estado

Por Bruno Pontes (brunopontes@oestadoce.com.br) e
Rodolfo Oliveira
(rodolfo@oestadoce.com.br)

“Sob o aspecto moral, o legado do governo Lula é muito triste e comprometedor. Nunca se viu tanto escândalo na área administrativa”, lamenta o jornalista e advogado cearense Themístocles de Castro e Silva, 81, veterano comentarista da política nacional.

Nesta entrevista ao jornal O Estado, realizada na Associação dos Ex-Deputados Estaduais do Ceará, da qual ele é vice-presidente, Themístocles faz críticas à atuação de Lula na presidência da República e afirma que a gestão da petista Dilma Rousseff será “a segunda via, em papel carbono, do governo de seu patrono, apenas para trazê-lo de volta ao poder”.

O jornalista classifica a atuação parlamentar dos dias correntes como “a pior fase do Congresso Nacional, com parlamentares comprometendo-se com o governo em troca de dinheiro”. Quanto à oposição ao governo federal, Themístocles ressalta que “ela nunca existiu, a não ser em nível muito fraco no Senado” e que “com uma oposição firme, muitos escândalos poderiam ter sido evitados”. Para ele, o AI-5 “ainda hoje faz falta na vida política brasileira”.

Como analisa a vitória de Dilma Rousseff?

Distribuindo dinheiro, com a máquina do governo na mão e um adversário antipático, qualquer um seria eleito. O que se estranha é que o presidente Lula tenha escolhido uma pessoa sem qualquer experiência política, a não ser na atividade clandestina, que lhe rendeu alguns anos de cadeia.

Como julga que será o novo governo?

Será a segunda via, em papel carbono, do governo de seu patrono, sem planejamento para o desenvolvimento do País, mas apenas com objetivos eleitorais, para trazê-lo de volta ao poder. As escolhas para o Ministério de Dilma Rousseff mostram isso claramente. A coisa, porém, não será tão fácil, pois o vice Michel Temer não será nunca um José Alencar. Desta vez, o PMDB não aderiu e nem se vendeu. Ele ajudou a eleger a presidente, tendo, portanto, força de poder. E ninguém acredita que ele concorde em ser instrumento para a volta de Lula ao governo.

Qual o legado que o presidente Lula deixa ao País depois de oito anos no poder?

Sob o aspecto moral, o legado é muito triste e comprometedor. Nunca se viu tanto escândalo na área administrativa, a começar pelo nefasto Mensalão, com altas figuras do governo respondendo a processo inclusive por formação de quadrilha. Os graves problemas nacionais, como saúde, educação, saneamento, segurança, agravaram-se no governo Lula. Os escândalos na Casa Civil são inéditos na vida pública brasileira, pois se trata de um órgão diretamente ligado ao presidente da República. Até agora, pelo menos, não se conhece nenhuma punição aos responsáveis pelos escândalos. E uma reedição do governo Lula o Brasil não suporta.

Qual a avaliação que faz da atuação parlamentar nos dias de hoje?

Foi a pior fase do Congresso Nacional, com parlamentares comprometendo-se com o governo em troca de dinheiro ou coisa semelhante. Em certos momentos, teria sido melhor que o Congresso não existisse. Pela Constituição, ele é o fiscal dos atos do Executivo, tarefa que nunca exerceu na Era Lula, quando se tornou conivente com os desmandos do Executivo, com quase um terço de seus membros envolvidos em processos de corrupção.

O que pensa da oposição ao governo federal? Ela tem conseguido cumprir sua função a contento?

No governo Lula, ela praticamente não existiu, a não ser em nível muito fraco no Senado Federal. Uma oposição bem coordenada serve mais ao governo do que muitos amigos que o apoiam em troca de favores e de verbas. Com uma oposição firma, muitos escândalos no governo Lula teriam sido evitados.

Por falar em oposição, a eleição deste ano para o Senado terminou com a derrota de Tasso Jereissati (PSDB) e a vitória de dois governistas, José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB).

Houve um equívoco do Tasso. A eleição para o Senado é casada, como foi a do José Pimentel com o Eunício Oliveira. A eleição para governador é casada com a dos senadores. E o Tasso era sozinho. Uma semana antes da eleição foi que ele colocou um companheiro de chapa, Alexandre [Pereira, do PPS], que ninguém sabia quem era. Foi por isso que perdeu.

O que acha da dupla vencedora ao Senado pelo Ceará?

Não é uma dupla de senadores pelo Ceará, é uma dupla de senadores do Lula. Ele mesmo dizia isso na propaganda. O Ceará não tem mais nenhum senador. Agora os três são do Lula. O Inácio Arruda (PC do B) sabotou a comissão de inquérito sobre as ONGs, uma das mais escandalosas da República. A CPI foi arquivada. Quem roubou, roubou, acabou. [Inácio foi relator da comissão, encerrada no fim de outubro passado, depois de três anos de funcionamento. O relatório final da CPI contém 1.478 páginas e não sugere nem aponta culpados por repasses ilegais do governo às chamadas Organizações Não Governamentais].

Como vê o triunfo político de figuras do tipo de Dilma Rousseff, José Dirceu, Franklin Martins e outros, que atuaram na luta armada durante o regime militar?

Tudo isso decorreu da benevolência dos governos militares, através de uma anistia apressada, inclusive a terroristas, que queriam para o Brasil um regime como o de Cuba, mas agora se vestem de democratas, de torturados, para efeito de indenização. Nada menos de quatro bilhões do contribuinte já foram distribuídos.

Acredita que o Brasil corre o risco de entrar em um regime semelhante ao de Hugo Chávez?

Não acredito, mesmo porque as Forças Armadas estão, como é de seu dever, vigilantes em defesa do regime democrático. Os militares agiram em 64 porque o povo foi para a rua pedindo-lhes providências contra a ação comunista que ganhava corpo no governo Jango. Se a baderna voltar, eles voltarão novamente. Disso não tenham dúvidas. Não se constrói nem se mantém a democracia com badernas sindicais, MST e equivalentes.

O que pensa das investidas do presidente Lula contra o Tribunal de Contas da União e contra a imprensa?

É a primeira vez que isso ocorre, pois a missão do Tribunal de Contas é defender a moral administrativa. O que sempre se viu no Brasil, até então, foi o apoio amplo do Executivo às medidas do Tribunal. A Nação ainda hoje não entende por que o Executivo nega aplausos e medidas preservando o dinheiro público. Depois da campanha, porém, toma-se conhecimento de que as construtoras foram o principal instrumento de financiamento da campanha do PT, atingindo dezenas de milhões de reais. Não entra na cabeça de ninguém que uma empresa faça doações tão vultosas a candidatos sem uma compensação futura. A reforma eleitoral é medida que se impõe em nome da seriedade dos pleitos eleitorais. Não é democrático empresas financiarem campanha em troca de vantagens, principalmente ao arrepio das normas legais e morais. Quanto à imprensa, o presidente tem sido simplesmente um ingrato, pois até hoje nenhum presidente teve tanta cobertura, inclusive para os seus improvisos eleitorais quase diários.

O senhor é uma voz destoante na imprensa política, sobretudo quando defende o regime militar. Acha que a esquerda domina as redações dos jornais?

Não acho que ela domine. É um problema de geração. Quem deu o nome de Revolução ao Movimento de 64 foi “O Globo”, que hoje só o chama de ditadura. Todos os jornais, inclusive a Igreja, aplaudiram o 31 de março. A Nação não podia admitir a injúria jogada contra as Forças Armadas pelo deputado Márcio Moreira Alves, que, do alto de sua irresponsabilidade, disse que os quartéis eram “valhacoutos de gangsters”. A Câmara dos Deputados, endossando a infâmia, negou o pedido do governo para processar o parlamentar, nos termos da Constituição. Daí o revigoramento de dezembro de 68, com a decretação do AI-5, que ainda hoje faz falta na vida política brasileira. Com ele, passaram a chamar o Movimento de março de 64 de ditadura, esquecendo-se de que a de Getúlio foi uma das melhores fases do País, principalmente para os trabalhadores, como o regime militar, que os amparou e protegeu com o Funrural [Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, criado em 1971], a obra social mais importante do Brasil até hoje, sem qualquer objetivo eleitoral, na insuspeitíssima opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, responsável pelos programas dos quais nasceu o famoso Bolsa Família, que elegeu Dilma.

2 de dezembro de 2010

MST e novilíngua

Meu artigo no jornal O Estado

Em 2007, o MST fechou duas vezes a Estrada de Ferro Carajás, operada pela Vale, impedindo o transporte de minério de ferro do Pará ao Maranhão. Os sem-terra incendiaram dormentes, cortaram cabos de fibra ótica e de energia e desmontaram trilhos. Meses depois, o juiz Carlos Henrique Haddad condenou líderes do bando a pagar multa de R$ 5,2 milhões à Vale. A resposta do MST, em nota: a sentença representava a “criminalização dos movimentos sociais que lutam por um Brasil melhor”.

Ao longo de 2007, o MST invadiu três vezes a fazenda Boa Esperança, no Pontal do Paranapanema, São Paulo, e ignorou uma ordem de reintegração de posse. A juíza Marcela Papa ordenou que o MST pagasse indenização de R$ 150 mil ao dono da fazenda. Escutem a reação do líder do MST no Pontal, José Rainha: “Condenar um movimento social é condenar a democracia”.

Se os pagadores dos impostos que o governo federal repassa ao MST ao menos sugerirem que alguma coisa aí está errada, serão automaticamente acusados de “criminalizar” o movimento e olhados com nojo por jornalistas, ongueiros e professores universitários plenamente conscientes de que a noção de crime é relativa: se for praticado por grupos abençoados pela esquerda, nem crime é, pra começo de conversa.

Esta semana, o Ministério Público de Pernambuco promoveu um Termo de Ajustamento de Conduta contra a Associação dos Militares de Pernambuco (AME) e a empresa de outdoors Stampa, que deverão exibir 21 outdoors com elogios ao MST a partir de março de 2011. A AME terá ainda que publicar retratações públicas ao MST no Diário Oficial de Pernambuco, no jornal interno da policia militar e no site da associação.

O crime cometido pela Associação dos Militares de Pernambuco foi hediondo: em 2006, a entidade espalhou pelas principais ruas do Recife e nas rodovias de Pernambuco outdoors e jornais com palavras consideradas difamatórias pelo MST. Tirem as crianças da sala e sintam o ódio secretado pelos malditos militares: “Sem Terra: sem lei, sem respeito e sem qualquer limite. Como isso tudo vai parar?”
Os comunistas da Comissão Pastoral da Terra e do Movimento Nacional de Direitos Humanos chiaram. Segundo eles, os outdoors patrocinados pelos militares “tinham o claro objetivo de criminalizar o movimento”.

O MST não seria o que é hoje sem a colaboração da intelectualidade de esquerda. Nenhuma ONG foi consolar as famílias dos vigias executados por integrantes do MST durante o Carnaval do ano passado, em Pernambuco. Nenhum padre de passeata da Teologia da Libertação foi consolar os órfãos. A turma dos direitos humanos tirou férias. O terror é legitimado como resistência ao “sistema”, ao “neoliberalismo”, à “mídia golpista”, ao “agronegócio”. É o que está sendo ensinado aos estudantes de Jornalismo, Direito, Ciências Sociais, História, Geografia, Pedagogia etc. em todas as universidades bancadas pelos impostos dos malditos fazendeiros que produzem comida barata e farta e geram empregos no campo e na cidade.