Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


28 de outubro de 2010

Salvar a democracia. O resto é detalhe.

Meu artigo no jornal O Estado

Em outubro de 2002, Lula veio fazer comício em Fortaleza. Dali a alguns dias ele venceria no segundo turno o candidato do PSDB, José Serra. Eu estava lá na Praça do Ferreira, 17 anos, sol do meio-dia, o menino mais feliz do mundo, vestindo uma camisa adquirida no comitê da petralhada.

A multidão aguardava a aparição do futuro presidente operário (perdeu um dedo trabalhando!) como quem espera Mick Jagger surgir por detrás da cortina. Quando Lula tomou o palco, a comoção da massa me fez acreditar que eu participava de um famoso “momento histórico”. Como eu era consciente! Como era crítico o meu pensamento! Eu morria de orgulho de mim.

Não há uma fala retardada de Lula que não me remeta àquele dia na Praça do Ferreira. Ele discursava, adivinhem, contra Fernando Henrique Cardoso (antes, hoje e sempre). Debochava de sua formação acadêmica. A exaltação da ignorância me fazia vibrar. Naquela fase mental da minha vida, eu bem que poderia estufar o peito para dizer que Lula cursara a escola da vida.

Lá pelas tantas, na cólera do ataque ao homem que havia cometido o crime de derrotar a inflação, Lula soltou a jactância triunfal. Milhões de anos passarão e eu não esquecerei as palavras: “Ele pode saber falar inglês, mas eu sei falar a língua do povo”. Foi uma explosão. Aplaudi com força, quase tive um orgasmo. Eu era um adolescente-massa com as rédeas soltas, em festa junto aos meus semelhantes.

Não é fácil revelar um episódio desses. Minha ingenuidade foi um crime. Ainda ouço a frase. Sempre sentirei vergonha do meu aplauso fanático, da minha admiração abjeta por aquele sociopata que fez carreira puxando as cordas da multidão com o bom e velho culto do ressentimento, da inveja, da estupidez e de toda sorte de instinto primitivo e politicamente útil. Os mesmos instintos primitivos que os petistas atiçam agora para manipular os simplórios de sempre.

Oito anos depois, estou escrevendo um artigo que começa com uma confissão de culpa e termina com um desejo de expiação. Nossa República, para resumir, está apodrecendo, na iminência de ir para nunca mais voltar. Para qualquer lado que se olhe, lá está a manifestação do mal, a apologia da iniqüidade, o esforço pela rendição ao Partido. São nossos colegas, amigos, familiares, todos cúmplices na institucionalização do reino da mentira.

Investindo dia após dia contra tudo que é bom e verdadeiro, Lula imbecilizou todo um povo. Agora pretende usar seu ventríloquo para dar o golpe final. Leitor, não há nenhum dilema aqui. Dilma é o PNDH 3. Quaisquer que sejam nossas discordâncias com Serra, e eu as tenho, ele é a ferramenta de que dispomos para salvar a democracia. É simples assim, e todo o resto é detalhe.

27 de outubro de 2010

Mordaça - "Prelúdio de venezuelismo"

Minha matéria no jornal O Estado

O deputado Fernando Hugo (PSDB) segue repudiando a proposta de criação do Conselho de Comunicação do Ceará e pedindo ao governador Cid Gomes (PSB) que vete a matéria, de autoria da deputada petista Rachel Marques, e vista pelo tucano como “prelúdio de um venezuelismo”.

“Essa matéria é induzida pela claque petista nacional para ser posta nas Assembléias e nas Câmaras. Tanto é verdade que o projeto da Rachel também foi apresentado pelo vereador Acrísio Sena na Câmara de Fortaleza”.

A criação de conselhos estaduais é recomendação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada pelo presidente Lula e organizada por seu ministro da Comunicação, o ex-jornalista Franklin Martins.

Realizada em dezembro do ano passado, em Brasília, a Confecom aprovou mais de 600 propostas no sentido de controlar a imprensa, desde a definição de programação compulsória na televisão, passando por restrições à publicidade, até chegar ao estabelecimento de um tribunal da mídia. Em nome da liberdade de informação e da democracia, segundo os petistas.

No pronunciamento de ontem, Hugo lamentou que seja tíbia a reação do jornalismo cearense contra o anseio petista em controlá-lo. “Eu suplico aos nobres senhores da imprensa: falem, escrevam, questionem, informem a população sobre esse absurdo que é amordaçar a imprensa”.

Talvez não seja tibieza, e sim colaboração irrestrita. O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), grupo com o qual os petistas sempre podem contar, apóia o projeto de Rachel Marques, assim como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), outra entidade que almoça na mesa do PT.

COISA DE DITADURA
Outro a reiterar sua repulsa foi o deputado Ely Aguiar (PSDC), a quem o projeto parece uma tentativa de instalar o “regime de uma voz só”, típico de sistemas totalitários como os da China e da Coréia do Norte.

“Esse conselho nada mais é do que o início da venezuelização da imprensa brasileira. Querem monitorar para que escândalos como esses da Erenice Guerra e do Zé Dirceu não tenham espaço na imprensa”, disse, aludindo à sucessora de Dilma Rousseff (PT) na chefia da Casa Civil, acusada de integrar um esquema de corrupção, e ao ex-ministro cassado pelo mensalão e atual coordenador da campanha da petista à Presidência.

Ely fez notar que a iniciativa, além de ter brotado das conferências do PT, ganhou o endosso de partidos comunistas como PSOL e o PC do B. “Só defende esse conselho aqueles que não querem que haja a divulgação da realidade dos fatos”.

PETISTA DIZ QUE PT NÃO TEM NADA A VER COM A HISTÓRIA
Em defesa do que denomina “controle social” da imprensa, o petista Artur Bruno voltou a sustentar que seu partido não tem nada a ver com a história. “A criação do conselho foi decidida numa conferencia nacional [Confecom], não surgiu do PT, como alguns querem dizer”.

Ao contrário do que Bruno alega, a realização da Confecom era uma meta definida pelo PT no seu 3º Congresso Nacional, promovido em setembro de 2007. No caderno de resoluções daquele simpósio, é firmado como tarefa do PT:

“Convocar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação Social e articular as ações governamentais em educação, cultura e comunicação. É preciso fortalecer a concepção de um sistema de comunicação que combine a atuação do setor público, do setor privado e dos instrumentos de comunicação comunitária”.

Bruno afirmou ainda que “não há nada no texto do projeto que indique que haverá censura. Não haverá proibição de divulgação de nada”.

MONITORAR A IMPRENSA
No texto de justificativa do seu projeto de indicação, a petista Rachel Marques defende que “as liberdades de informação, expressão e imprensa devem existir harmonicamente com as demais liberdades”.

O conselho ficaria encarregado de “acompanhar o desempenho e a atuação dos meios de comunicação locais”, além de “monitorar, receber denúncias e encaminhar parecer aos órgãos competentes sobre abuso e violações de direitos humanos nos veículos de comunicação no Estado”.

Desde que sua iniciativa ganhou destaque na imprensa nacional, seguido do repúdio de vários parlamentares e entidades do setor jornalístico, Rachel não apareceu mais na Assembléia. Ela diz que está em licença médica.

24 de outubro de 2010

Deputado petista defende privatização da Vale

No jornal O Estado

Por Rodolfo Oliveira
Da Redação

O deputado José Guimarães (PT-CE), relator do projeto que dispõe sobre a realização do plebiscito acerca da retomada do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce pelo governo, da Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara, fez uma defesa da privatização da empresa, que teve parte do controle concedido à iniciativa privada em 1997, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002).

Na apresentação de seu relatório, de 2007, o deputado disse que a privatização levou a empresa a efetuar investimentos numa escala nunca antes atingida, refletindo-se o resultado em uma elevação da competitividade da Vale no cenário internacional.

Guimarães analisou que, após a privatização, e em consequência do substancial aumento dos preços do minério de ferro, a Vale fez seu lucro anual subir de cerca de US$ 500 milhões, em 1996, para aproximadamente US$ 12 bilhões em 2006, o que rendeu, somente em 2005, o pagamento de 2 bilhões de reais em impostos ao Brasil.

O deputado cearense também frisou o número de empregos gerados pela companhia após a privatização, que, dos 13 mil funcionários em 1996, passou a mais de 41 mil em 2006. “Ademais, a União, além de ser beneficiária desses resultados através do BNDES, de fundos de previdência de suas estatais e de participação direta, ainda viu a arrecadação tributária com a empresa crescer substancialmente”, escreveu no relatório.

Sem sustentação
Por fim, disse que é de difícil sustentação econômica o argumento de que houve perdas para a União com a privatização da empresa. Para ele, houve ganhos patrimoniais com a privatização, “dado o extraordinário crescimento do valor da empresa; houve ganhos arrecadatórios significativos, além de ganhos econômicos indiretos com a geração de empregos e com o crescimento expressivo das exportações.

A rigor, a União desfez-se do controle da empresa, em favor de uma estrutura de governança mais ágil e moderna, adaptando a empresa à forte concorrência internacional, mantendo expressiva participação tanto nos ganhos econômicos da empresa, como na sua própria administração”, analisou.

Em Fortaleza, falando à reportagem do O Estado, o deputado Nelson Martins (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, disse que a recompra pelo Poder Executivo da empresa é economicamente inviável, dado o valor que a companhia alcançou no mercado. Martins disse ainda que o crescimento da empresa deu-se devido à valorização das “commodities”, como o minério de ferro.

A proposta do plebiscito partiu do deputado Ivan Valente (Psol-SP), através de um decreto legislativo, no qual propunha realizar uma consulta aos brasileiros sobre a reestatização da Vale.

19 de outubro de 2010

Padres petistas transformam Canindé em comitê

Da TV Jangadeiro
A utilização dos festejos religiosos de São Francisco, em Canindé, como espaço para a propaganda política tem deixado moradores da cidade revoltados. A organização do evento estaria a cargo de um religioso, eleito deputado pelo PT da Paraíba, e que responde a processo na Justiça:



Atualizando
O jornalista Wanderley Pereira estava lá e viu a cilada preparada pelo PT:

(...) Desde cedo, quando cheguei a Canindé, percebi a predisposição contra os tucanos que dividiram sua presença em dois eventos distintos: primeiro um encontro político de Tasso e Serra com as lideranças da região; depois, às 16 horas, a participação religiosa na missa. A essa altura, o pátio da Basílica estava tomado pela militância petista e departamentos da igreja, como a Comissão de Acolhida aos Romeiros e a Sala dos Milagres, assumiam abertamente a propaganda pró Dilma. A missa, antes programada para ser celebrada pelo pároco, frei Hamilton, foi cedida para frei Chicão, vindo de Pernambuco. Outros dois frades, o deputado estadual do PT paraibano, frei Anastácio, e frei Jean Sousa, articularam o tumulto, tendo como testas-de-ferro Celso Crisóstomo, assessor do deputado federal do PT, José Nobre Guimarães (...) Aqui

18 de outubro de 2010

Só vale a religião petista

Meu artigo no jornal O Estado

No sábado, durante carreata em Belo Horizonte, Lula presenciou um fenômeno que institutos sérios como o Ibope e o Vox Populi já haviam dado como extinto: dezenas de pessoas vaiaram o presidente e seu ventríloquo. Aparentemente existem brasileiros que desaprovam o governo. O caso é grave e merece uma análise de especialistas isentos como Emir Sader ou Marilena Chauí.

Dizem que um homem fala a verdade quando está com muita raiva ou muito bêbado. Acho que Lula está furioso com a queda de Dilma Rousseff, verificada nas pesquisas internas do PT. Seja como for, fiquei chocado com a subseqüente declaração do presidente. A respeito dos cidadãos que o vaiaram, Lula comentou:

“Eu fico constrangido, porque aquelas pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo. O que aquelas pessoas não conseguiram foi superar o preconceito contra um metalúrgico ser presidente e fazer pelo Brasil o que eles não conseguiram fazer”.

Eu já conhecia a lengalenga do metalúrgico oprimido pela elite que ele próprio integra. No leito de morte, acalentado pelos homens mais ricos e adulado pelas instituições mais poderosas, Lula dará o último suspiro: “Sempre fui oprimido por ser operário”.

Até aí é o de sempre. O que me espanta é outra coisa. O governo Lula não era aquele que beneficiava os pobres como nunca antes na história deste país? Agora são os ricos os maiores agraciados com o advento do presidente metalúrgico? Na esperança de compreender a conjuntura política, pedi auxílio a um colega de profissão. Telefonei para o meu amigo Jornalista Isento:

- Isento, é o Bruno. Rapaz, o Lula agora tá dizendo que quem mais ganhou dinheiro no governo dele foram os ricos. Que comédia.

- Ah, Bruno. Deixa de ser chato. Não viu o Vox Populi dessa semana? O homem tem 290% de aprovação. E daí se ele fala isso ou aquilo? Fica na tua.

Segui o conselho do Jornalista Isento e mudei de assunto. Resolvi tratar de outra questão e, para isso, consultei um padre. Para minha surpresa era um religioso progressista, também isento, do tipo que os petistas autorizam:

- Padre, a Dilma mandou censurar os panfletos da CNBB pedindo aos fiéis que não votem em candidatos abortistas. É correta a atitude da candidata petista?

- Corretíssima, meu filho. Nós, os religiosos do bem, só devemos nos pronunciar para fazer propaganda do PT no sermão da missa ou para ensinar que Jesus Cristo, no fundo, no fundo, era petista.

- A Bíblia que o senhor diz seguir condena o aborto. A Igreja deve ser proibida de defender a crença?

- Que história é essa de defender a crença? Cruzes. Coisa de gente reacionária, obscurantista, medieval. Esse modo de pensar contraria as diretrizes democráticas do PT. E não esqueça que nosso Estado é laico. Portanto, a religião só deve ser permitida quando ajuda o PT. Do contrário, é fundamentalismo de direita. Amém.

15 de outubro de 2010

Aborto não sai de pauta na Assembléia

Minha matéria no jornal O Estado

Mais uma vez o aborto foi o assunto dominante na Assembléia Legislativa. A discussão de ontem teve início quando Ronaldo Martins (PRB) fez discurso de protesto contra o que chamou de “boataria” a respeito de Dilma Rousseff.

“O PRB diz não aos boatos e às estratégias malévolas utilizadas para ganhar votos”, anunciou. “O apelo que faço é para que não envolvam os cristãos em boataria. Não fiquem fazendo picuinhas e dizendo que o presidente Lula é a favor do aborto, nem espalhem falsos e-mails dizendo que Dilma é a favor do aborto”.

O PRB, partido da base lulista, é ligado a Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e defensor da legalização do aborto. Em vídeo que circula no YouTube, Macedo diz que

é preferível abortar do que ter a criança saudável, mas criando problemas para si, mendigando, comendo o pão que o diabo amassou e sendo nociva à sociedade”.

PNDH 3
Em reação ao pronunciamento de Martins, Fernando Hugo (PSDB) exibiu a revista Veja desta semana, cuja capa traz declarações da candidata petista acerca do aborto, e uma cópia do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 3, “feito pelo PT e assinado pela Dilma”.

Referendado pela Casa Civil da então ministra Dilma no fim do ano passado, o PNDH 3 advoga “a aprovação do projeto de lei que descriminalize o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”, como o parlamentar tucano fez questão de ler. O programa foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como plano de governo da petista.

Artur Bruno (PT) pediu a palavra. “Em nenhum momento a candidata Dilma está propondo mudança na legislação. Portanto, o que há é oportunismo, má fé, baixaria”, sustentou o petista. Ao que Hugo replicou: “Deputado Bruno, não fui eu que editei a revista. Foi a Dilma que disse, em 2007, que achava um absurdo o aborto não ser legalizado. Essa é uma frase da Dilma, e está lá no plano de vocês [o PNDH 3] a defesa da descriminalização. A Dilma assinou”.

“A DILMA É O ZÉ DIRCEU”
Logo outros deputados se envolveram na contenda, cada qual tomando um lado. “Sou católico apostólico romano, freqüento missa, sou médico de formação, contrário ao aborto por formação e convicção religiosa. Mas é muito pequena essa campanha sórdida que envolve religião”, opinou o governista Welington Landim (PSB).

Hugo não se impressionou. “A Dilma está dizendo que é mais cristã do que dom Paulo Evaristo Arns. Ela mente mais do que aquelas mulheres do interior que ao meio-dia estão na igreja e à noite no cabaré”. O tucano Cirilo Pimenta complementou: “Ao mesmo tempo em que a Dilma fala que não defendeu a legalização do aborto, o PT diz na televisão que o PSDB é contra o Bolsa Família, que fomos nós que começamos. A Dilma é o Zé Dirceu. É por isso que ela está caindo e vai perder a eleição”.

A VOLTA DA INQUISIÇÃO
Quando Artur Bruno voltou a falar, foi para anunciar o retorno da Santa Inquisição. “A Igreja Católica foi responsável por grandes avanços da humanidade, mas cometeu um grande erro: a Inquisição, a perseguição a todos aqueles que divergiam da posição oficial da Igreja. Neste momento, estão tentando trazer esse mesmo clima inquisitório ao nosso país”.

O petista citou até Osama bin Laden para condenar a “guerra religiosa” de que Dilma estaria sendo vítima. “Osama bin Laden estava, na visão dele, fazendo a guerra santa. Nós não podemos repetir esse clima de inquisição no nosso país. É lamentável que se use a religião para ganhar votos, sobretudo no Brasil. Aqui existe liberdade religiosa”.

Eximindo-se de esclarecer a posição do PT quanto ao aborto, Bruno voltou-se para o governo Fernando Henrique Cardoso, censurando, entre outras coisas, o “neoliberalismo”. Em sua viagem ao passado da política nacional, Bruno citou Fernando Collor de Mello como um mau presidente. Hoje Collor é aliado de Lula e Dilma, de quem é cabo eleitoral em Alagoas.

“O Bruno não esquece o FHC. Ele ainda não falou uma frase sobre a candidata do PT”, pilheriou Fernando Hugo. “FHC é o pai da estabilidade econômica. Já a Dilma é tão pobre de currículo que o Bruno passa 15 minutos lembrando o FHC”.

Para tirar o aborto do centro da discussão, Welington Landim e Nelson Martins (PT) entraram a enaltecer números do governo Lula. Hugo gracejou uma vez mais, lançando um apelo aos colegas. “Faz 15 minutos que discursam e não falam da Dilma, só falam do Lula. Me ligaram agora da Messejana perguntando se o Lula é candidato de novo. Vamos falar do nome dessa santa mulher!”

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Matéria de Kézya Diniz, TV Jangadeiro:

11 de outubro de 2010

Abortando o debate em nome da normalidade democrática


A mãe do Brasil
Meu artigo no jornal O Estado

“Eu acho que tem de haver a descriminalização do aborto. É um absurdo que não haja a descriminalização”. Dilma Rousseff disse isso em outubro de 2007, para a Folha de S. Paulo.

“Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública”, reiterou Dilma à revista Marie Claire, em abril do ano passado.

O Programa Nacional de Direitos Humanos 3, referendado pela Casa Civil da ministra Dilma e registrado no TSE como plano de governo da candidata, trata o aborto como “direito humano” e recomenda a aprovação de uma lei que o descriminalize, “considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”.

A partir dos fatos, peço licença aos leitores para tirar uma conclusão reacionária e obscurantista: acho que Dilma apóia a legalização do aborto. Por convicção e por obediência ao partido.

Em seu 3º Congresso Nacional, o PT incorporou às suas diretrizes a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”.

Ouçam também Angélica Fernandes, do Coletivo Nacional de Mulheres do PT: “A defesa da descriminalização do aborto é a principal bandeira daqueles e daquelas que defendem os direitos das mulheres, não como retórica, mas como prática militante e parte integrante da superação do atual modelo político e econômico”.

Está tudo documentado. O aborto é parte da agenda petista (da esquerda inteira, de fato). Abortar contribui para demolir o sistema patriarcal inerente à civilização judaico-cristã e capitalista etc. A legalização do aborto é objetivo votado e aprovado em assembléias partidárias. É motivo de expulsão dos desobedientes. Para o PT, enfim, aborto é coisa séria. Mas vejam como são graciosos os companheiros. Agora estão nos ensinando que aborto não é assunto para eleição. Somente fanáticos religiosos e outras subespécies humanas ousariam levantar a questão e exigir de uma mulher que pode vir a ser presidente da República uma posição clara a respeito.

Dilma declarou anteontem, após uma fortuita visita a uma maternidade mantida por religiosos, que “tão importante quanto a liberdade de opinião e de imprensa é a liberdade de crença e de religião”. Que lindo. Liberdade de religião é boa na hora de formar eleitorado com as comunidades eclesiais de base, insuflar a luta de classes com o sermão da missa e pontificar que Jesus foi o primeiro socialista. Quando a liberdade inclui a liberdade de rejeitar uma candidatura que contraria os princípios da crença, o PT muda de conversa e aborta o debate em nome da normalidade democrática. Até porque não há o que discutir: aquela Dilma dos primeiros parágrafos já avisou que sempre foi “a favor da vida”.

8 de outubro de 2010

Fala, Ciro

Calúnia? - "Dilma é contrária ao aborto"

Minha matéria no jornal O Estado

Na tentativa de atenuar os danos eleitorais causados a Dilma Rousseff (PT) por sua posição favorável à legalização do aborto, o deputado Nelson Martins (PT) voltou à tribuna da Assembléia Legislativa para negar que a candidata defenda a descriminalização da prática.

Na sessão de quarta-feira, o líder do governo na Casa pronunciou-se contra o que chamou de “boato” aos telespectadores e ouvintes da Assembléia. “A Dilma nunca se declarou a favor do aborto, muito pelo contrário”, afirmou Nelson, que apelou por uma “campanha de alto nível” no segundo turno contra o presidenciável do PSDB, José Serra. “O povo não aceita mais baixaria, calúnia, mentira, inverdade”.

O deputado petista retomou o assunto ontem. Aludiu aos pastores que estão orientando os fiéis a rejeitar Dilma nas urnas e mencionou as denúncias que circulam na internet sobre a atuação de Dilma na luta armada. Durante o regime militar, ela participou de três grupos guerrilheiros - Colina, VAR-Palmares e VPR - que intencionavam instaurar o comunismo no Brasil. Mais uma vez Nelson tachou de “caluniosas” as informações brandidas pelos adversários da candidata. “Temos que fazer política de maneira honesta, ética, transparente. Fazer campanha mentindo, caluniando, não vai levar a nada”, discursou o petista.

Segundo Nelson, também não é verdade que o Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH) 3, referendado no fim do ano passado pela então ministra Dilma (Casa Civil), defenda a legalização do aborto e a limitação da propriedade privada, entre outras diretrizes. “O Programa Nacional dos Direitos Humanos, aprovado pelo governo Lula com o apoio da ministra Dilma, em nenhum momento fala em legalizar aborto, limitar propriedade privada, nada disso”.

Ao contrário do que Nelson alega, a defesa da legalização do aborto é expressa no PNDH 3, inicialmente registrado no Tribunal Superior Eleitoral como plano de governo de Dilma. O documento trata o aborto como “direito humano” e recomenda a aprovação de uma lei que o descriminalize, “considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”.

Dilma e o aborto
Em outubro de 2007, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a então ministra Dilma Rousseff se disse socialista e favorável à legalização do aborto. “Eu acho que tem de haver a descriminalização do aborto. É um absurdo que não haja a descriminalização”. A posição foi reiterada em entrevista à revista feminina Marie Claire, em abril do ano passado. “Abortar não é fácil pra mulher alguma”, afirmou à publicação. “Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública”.

Com a proximidade da eleição presidencial, Dilma passou a expressar opiniões diferentes. Ela disse ter “uma posição clara em defesa da vida” poucos dias antes do pleito de 3 de outubro, durante debate promovido pela CNBB. “Acho que a vida é um valor que nós, seres humanos, temos de respeitar, temos de honrar e, sobretudo, temos de perceber a dimensão transcendente dela. Por isso, eu não acredito que mulher nenhuma seja favorável ao aborto. O aborto é uma violência contra a mulher. Eu, pessoalmente, não sou favorável ao aborto”. Na última segunda, durante coletiva, a candidata petista afirmou que “sempre foi a favor da vida”.

No seu 3º Congresso Nacional, promovido em setembro de 2007, o PT incorporou ao seu programa a defesa da legalização do aborto e a oferta do procedimento na rede pública de saúde. Os petistas que se opuserem às diretrizes são passíveis de punição. Foi o que ocorreu com o deputado federal Luiz Bassuma (BA), integrante da Frente Parlamentar em Defesa da Vida. Em setembro do ano passado, a direção nacional do PT decidiu pela suspensão dos direitos partidários do deputado pelo período de um ano. Bassuma, então, filiou-se ao PV de Marina Silva. Esta semana, ele tomou posição quanto ao segundo turno presidencial, declarando apoio a José Serra.

5 de outubro de 2010

Aprenda com o Lula: quem sugeriu Bolsa Família foi o tucano Marconi Perillo

O candidato dizia que era esmola. O presidente juntou tudo num programa só e deu outro nome. Mentindo dia sim, dia sim, Lula rapidamente se transformou no inventor do Bolsa Família, enquanto os tucanos olhavam a paisagem, inertes. Ouçam aí o Estadista Global, num dia atípico, falando a verdade perante as câmeras: