Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


19 de agosto de 2010

Aprenda a ganhar dinheiro punindo o Estado

O Estado, 19/08/10

Não sou candidato nessa eleição, mas ofereço uma dica ao leitor que porventura necessite de reforço pecuniário.

O negócio é o seguinte. Você deve entrar com pedido de bolsa na Comissão de Anistia, um dos mais destacados órgãos indutores do desenvolvimento econômico nacional, apresentando um atestado de merecimento ideológico.

E como preencher o atestado? É simples. Pegue a última
coluna do Valdemar Menezes (O Povo, 15/08) e copie os argumentos. Você estará capacitado para tornar-se um bolsista. Vejamos o que escreveu o citado jornalista:

"[...] a reparação econômica a perseguidos políticos de regimes ditatoriais é um instrumento determinado pela ONU, e consignado em vários tratados de direitos humanos como meio de punição ao Estado (esta é sua importância política maior) que realizou as violações, e como forma de perpetuar a lembrança do sucedido para não se repetir, no futuro. Também é destinada a fazer entender aos promotores de ditaduras que seus atos têm consequência e pesam no bolso: é o custo-ditadura. Funciona ainda como um alerta à sociedade para estar sempre vigilante à ação de golpistas contra o Estado Democrático de Direito."

Portanto, o que o leitor necessitado deve fazer é exigir dos pagadores de impostos um salário vitalício a título de perpetuação da lembrança de algo que não tem relação com eles. As almas simplórias poderão objetar que o povo brasileiro não tem que pagar coisa nenhuma para bancar a mamata. Mas aí é que vem a parte mais bonita do processo de reparação histórica.

É preciso explicar que o povo te deve gratidão, pois você, ao receber a bolsa-ditadura, está emitindo um aviso permanente para que os golpistas não atentem contra a democracia, a qual, segundo Valdemar, vigora em países como Venezuela e Cuba. Se o povo se recusar a abrir a carteira, denuncie o golpe da extrema direita.

Treine esse discurso em frente ao espelho e em pouco tempo você será capaz de punir o Estado e desfrutar da gratidão dos trabalhadores. Agora, aprenda com Valdemar a descolar um emprego na TV Brasil:

"A reparação econômica às vítimas de ditaduras é um instrumento para conter a violência do Estado [...] Os apoiadores da ditadura recusam-se em aceitar isso. Especula-se que a motivação da ação do TCU (composto por ex-políticos) seria, na verdade, uma retaliação a Lula, pelas críticas feitas por este ao tribunal. Ou uma manobra eleitoral destinada a criar um fato novo para ser usado por adversários do governo. Ou uma provocação – por trás dos bastidores - da extrema direita, que nunca reconheceu as violações cometidas contra os direitos humanos. Ou os três juntos – segundo os críticos."

13 de agosto de 2010

Comunismo de resultados

O Estado, 13/08/2010

O Tribunal de Contas da União (TCU), aquele que Lula quer banir em nome da liberdade para roubar patrioticamente, irá rever as indenizações pagas aos famosos perseguidos políticos pela ditadura militar, os quais, nos últimos nove anos, multiplicam-se em progressão geométrica a cada vinte minutos.

Ao aprovar uma representação do Ministério Público que alegava que os pagamentos, feitos em prestações mensais, devem ser considerados como aposentadorias e pensões do poder público, o TCU poderá reduzir ou cancelar anistias de quase R$ 4 bilhões já aprovadas por aquele aparelho comunista denominado Comissão de Anistia.

“A revisão poderá gerar uma economia de milhões de reais aos cofres públicos. Não contesto a condição de anistiado político, mas os valores das indenizações concedidas a título de reparação econômica”, diz o procurador do MP Marinus Marsico, autor da representação, para quem há ilegalidade na concessão de alguns benefícios. Ele cita o pagamento aprovado em 2007 à viúva de Carlos Lamarca, que teve direito a receber R$ 903 mil retroativos e remuneração mensal de R$ 11.444,40.

Carlos Lamarca foi aquele capitão que, no fim dos anos 60, desertou do Exército e matou brasileiros em nome do comunismo. Por este feito heróico, a Comissão de Anistia o homenageou postumamente com milhares de reais e uma promoção a coronel.

Outro barão da revolução, este ainda vivo para curtir a grana, é Diógenes Oliveira. Integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e tem no currículo a participação em um atentado a bomba que mutilou o estudante Orlando Lovecchio Filho, em março de 1968. Este recebeu pouco mais de um salário mínimo do governo por invalidez. Já Diógenes foi premiado pela Comissão de Anistia com rendimento mensal vitalício de R$ 1.627,72.

Com a boca cheia e o peito estufado, os endinheirados entusiastas do totalitarismo comunicam ao grande público que lutavam por uma “sociedade mais justa”. Sua noção de justiça vinha e vem de gente como Fidel Castro, Che Guevara e Mao Tse Tung, em cujos regimes o destino dos opositores era e é a cadeia ou o cemitério.

Essa parte da história permanece obscurecida sob um manto de folclore e autobajulação. Não é possível saber a opinião dos que morreram pelas mãos de Lamarca, Diógenes e companhia. Mas os carrascos e cúmplices estão aqui entre nós, colhendo o fruto polpudo de sua revolução enquanto proferem aulas de moral e ética nos palanques da vida. Seguem o ensinamento de Lênin: “Devemos recorrer a todo tipo de estratagemas, manobras, métodos ilegais, disfarces e subterfúgios”.

12 de agosto de 2010

6 de agosto de 2010

Fazendo caridade para o Hamas

O Estado, 06/08/2010 (aqui editado)

Na instituição acadêmica Sapir, próxima a Sderot, cidade ao sul de Israel, funciona um centro de fisioterapia e outras atividades terapêuticas para crianças com necessidades especiais. Famílias de todo o país procuram a unidade, que não existe mais*.

No sábado, 31 de julho, ela foi atingida por um foguete Qassam, lançado da Faixa de Gaza pelo Hamas, uma das muitas entidades filantrópicas que trabalham humanitariamente pela aniquilação de Israel, auxiliadas por seus porta-vozes na grande imprensa internacional.



Em qualquer outro dia, crianças e funcionários morreriam. Por sorte, era Shabbat, o dia de descanso dos judeus, e o local estava vazio. Algumas das crianças atendidas ali sofrem justamente de stress pós-traumático. O trauma de viver num lugar alvejado por foguetes todo santo dia.

Sempre que toca uma sirene, e elas tocam diariamente, um foguete do Hamas está a 15 ou 30 segundos de distância. É o tempo de correr e encontrar abrigo, e que Deus os ajude. Num dia bom, o telhado de uma casa será despedaçado e alguém sairá levemente ferido.



O fato de o Hamas ter feito mira em um centro de fisioterapia para crianças com necessidades especiais levaria uma pessoa simplória a incriminar o Hamas. Mas a verdadeira culpa, os setores esclarecidos sabem, é de Israel, que teimosamente se recusa a ceder ante as “forças de resistência”, obrigando o Hamas a recorrer a este tipo de expediente.

A Sapir já havia sido atacado três vezes. Em fevereiro de 2008, o estudante Roni Yechiah morreu ferido por um Qassam que caiu no estacionamento da instituição.



Desde que Israel reagiu às agressões do Hamas, em janeiro de 2009, uns 400 foguetes foram lançados de Gaza em direção a alvos civis israelenses. Nas redações, ninguém tomou conhecimento, nem usou o adjetivo obrigatório: “desproporcional”.

O que não falta para as forças de resistência do Oriente Médio é o dinheiro dos governos ocidentais. A última contribuição brasileira, por exemplo, foi de módicos 25 milhões de reais. No dia 20 de julho passado, o Estadista Global assinou a doação dessa insignificância à Autoridade Palestina. Lula diz que é para "reconstruir Gaza".

Mas quem manda em Gaza não é a Autoridade Palestina, é o Hamas, desde 2007. Se antes as doações internacionais à Autoridade Palestina iam parar nas contas suíças de Yasser Arafat, hoje a solidariedade financia os foguetes do Hamas e o terror contra Israel. Lula talvez saiba disso, sendo amigo-irmão de Mahmoud Ahmadinejad.

xxx

* É claro que os israelenses farão os reparos no centro terapêutico e seguirão a vida. Em breve o Hamas joga outro foguete. Quando isto acontecer, somente a reação israelense será noticiada.