Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


26 de junho de 2010

Um editorial do jeito que as Farc gostam

Eu sei que todo jornal brasileiro é obrigado por lei a dar 80% de sua redação aos esquerdistas, mas publicar um editorial assinado pelas Farc me parece um pouco demais. Foi o que fez o jornal O Povo deste sábado, 26 de junho, ao comunicar aos seus leitores que as Farc estão chateadas com a vitória de Juan Manuel Santos e, portanto, da estratégia iniciada por Álvaro Uribe. Segue o editorial:

"A despeito das radicalizações

Ainda não foi desta vez que uma eleição presidencial na Colômbia trouxe a possibilidade de paz, no país, que enfrenta uma guerra intestina há mais de quatro décadas. O grupo guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disse em um comunicado que a eleição do ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos para a presidência da Colômbia levará a “um processo de radicalização da luta política” no país".

Não podemos acusá-lo de dubiedade. O editorialista começa o texto mostrando que, entre o governo democrático da Colômbia e um grupo terrorista que seqüestra, tortura e mata, ele fica com o grupo terrorista que seqüestra, tortura e mata. A guerra intestina só chegaria ao fim se o povo colombiano elegesse um presidente do agrado das Farc e do Foro de São Paulo. Taí uma sugestão para os moradores do Rio de Janeiro: elejam um governador endossado pelo Comando Vermelho.

"A abstenção de 55% e o uso da máquina em favor do candidato oficial foram apontados pelos guerrilheiros como fatores de contestação da eleição. Para os países vizinhos da Colômbia, a estabilização do país seria o melhor presente que poderiam receber, já que desarmaria o maior foco de tensão na América do Sul, depois da Venezuela. Não há como negar que a guerrilha perdeu muito em legitimidade, tanto porque tem uma relação promíscua com o tráfico de drogas (sob o pretexto de se autofinanciar), como porque a Colômbia escolheu um caminho sábio para enfrentar a guerrilha, ao recusar enveredar pela ditadura. Embora sua democracia seja acusada de muitos defeitos, sobretudo na área dos direitos humanos, o simples fato de manter a normalidade institucional democrática fortalece o regime perante a comunidade internacional".

Para o editorialista, a versão que vale é a dos terroristas. Como bandidos acuados pela polícia, eles não gostaram da eleição de Juan Manuel Santos e saíram dizendo que foi marmelada. O editorialista do Povo não iria deixar seus amigos na mão e comunicou aos leitores que foi marmelada. Para que a tese adquira ares de seriedade, o sujeito malandramente passa a elogiar Álvaro Uribe, um bom rapaz, que, vejam vocês, recusou-se a enveredar pela ditadura ao combater as Farc. O editorialista é um democrata, não há dúvida! E ele, como sempre, está escrevendo na condição de porta-voz da comunidade internacional, coisa que muito impressiona o leitor simplório.

"É verdade que quando o movimento guerrilheiro se iniciou o modelo institucional colombiano estava carcomido pela corrupção e pela falta de credibilidade de suas instituições. As oligarquias se revezavam no poder, através de um processo eleitoral extremamente corrupto e ilegítimo. Na medida em que essa situação sofreu alguma modificação positiva, a guerrilha perdeu forças. Infelizmente, as radicalizações de um lado e de outro do espectro político fizeram fracassar as possibilidades de uma saída pacífica para a crise. Um desses exemplos danosos foi o assassinato pela direita de um líder guerrilheiro que convencera sua organização a aceitar o caminho eleitoral, e foi assassinado quando disputava a eleição".

Agora o editorialista apresenta o seguinte argumento: antes as Farc podiam seqüestrar, torturar e matar porque o governo colombiano era corrupto. E vejam que lance maroto: quando um sujeito das Farc é assassinado, é assassinado pela "direita". Em nenhum momento é dito que as Farc são de esquerda. Quem seqüestra, tortura e mata (às vezes por degolação) é um grupo cuja ideologia é encoberta. Mas quando um desses anjos é morto logo aparece o matador: a direita, sempre ela.

"Espera-se, contudo, que apesar de o novo presidente já vir marcado por sua atuação no Ministério da Defesa, aproveite o início de um novo governo para tentar novamente uma saída pacífica para o conflito. Só um acordo político abrangente que convença os guerrilheiros a disputarem as eleições, como partido legal, e a respeitarem as regras do jogo democrático (desde que lhes seja assegurada uma participação efetiva na vida política do país) poderia fazer com que essa longa tragédia chegasse ao fim e a Colômbia recuperasse sua paz interna. É o que todos seus vizinhos desejam".

Realmente Juan Manuel Santos é um homem marcado. Ele traz de sua atuação no Ministério da Defesa a marca da vitória do regime democrático colombiano sobre a guerrilha comunista defendida pelo editorialista, que encerra sua apologética terrorista pedindo a transformação de seqüestradores e assassinos em vereadores, prefeitos e presidentes - em suma, a coroação do terror como arma política. Como explicou o professor Olavo de Carvalho inúmeras vezes:

"Para uma organização que matou trinta mil pessoas e manteve três mil seqüestrados presos em condições sub-humanas durante quase uma década, ser de repente admitida como partido político e automaticamente anistiada de todos os seus crimes é mais do que um presente generoso: é a vitória perfeita, a realização integral dos seus sonhos mais lindos."

25 de junho de 2010

Volto já

Uma explicação para as quatro ou cinco pessoas que vêm aqui e fazem deste blog um dos mais conceituados do meu bairro. Por conta do trabalho, falta tempo para escrever coisa que preste minimamente, e se for para publicar qualquer bobagem mal-acabada, melhor calar. Até mais e um abraço ao meu exército de seguidores.

11 de junho de 2010

Difamar Israel, um ato cidadão

O jornalista Valdemar Menezes, em sua coluna Concidadania publicada no jornal O Povo do último domingo, repete a ladainha contra Israel exalando o ar indignado dos que falam em nome da comunidade internacional.

Pensei em escrever uma réplica, mas o Saulo Tavares, diretor de comunicação da Sociedade Israelita do Ceará, já o fez e certamente melhor do que eu poderia. Seguem os trechos da coluna do Valdemar (grifos meus) e os comentários feitos por Saulo no Povo online:

“A semana foi tomada pela repercussão do ataque, em águas internacionais, de Israel contra uma flotilha de barcos que se dirigia à faixa de Gaza para levar ajuda humanitária à população palestina, que passa por enormes privações devido ao bloqueio imposto à região pelos israelenses. Os barcos conduziam manifestantes humanitários de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. A morte de quase uma dezena deles, por soldados israelenses, sob o pretexto de que os manifestantes reagiram à repressão, chocou o mundo. Israel pode até ter o direito de saber se embarcações que se dirigem para a área trazem algum tipo de artefato que ameace sua segurança, mas não de impedir a chegada de suprimentos humanitários à população afetada. No máximo, seria possível aceitar que fossem estabelecidos mecanismos de controle das cargas levadas pelos navios, mas não impedir a entrega, pois é inaceitável o embargo que provoca fome e desespero na população civil palestina.

PREVISIBILIDADE
Israel alega que suas tropas foram recebidas com paus, chaves de fenda e outros objetos usados pelos militantes das embarcações abordadas. Ora, em primeiro lugar, a forma da abordagem foi errada (por assalto aéreo), pois acirrou os ânimos (???). Em segundo lugar, deveriam ter sido utilizados instrumentos adequados de contenção para manifestações de massa, como se faz contra passeatas ou aglomerações indesejadas. A possibilidade de existirem “cabeças-quentes” que sempre reagem nessas situações está dentro das expectativas das manifestações políticas de massa (como acontece em qualquer passeata).
Mas, essa reação não pode ser enfrentada com armas mortíferas. Isso é praxe nas forças de segurança, no mundo inteiro. Israel errou, e causou indignação geral.”


Agora, Saulo Tavares:

1- O curioso no comentário acima é a mostra de total falta de conhecimento do assunto por parte do responsável pela coluna ou, em caso contrário, sua absoluta e clara má vontade para com Israel. É dito que o país "impede a chegada de suprimentos humanitários à população de Gaza", porém o atual bloqueio visa inibir a produção de foguetes pelo hamas e evitar a entrada de armas e munições que possam ser utilizadas pelo grupo contra Israel (o Egito também bloqueou a sua fronteira terrestre com Gaza). Ao contrário do que é afirmado por concidadania os suprimentos tem entrado em Gaza em bases regulares, por via terrestre, atendendo as necessidades que a situação de beligerância permite, tendo sido inclusive oferecido à flotilha a opção de desembarque em porto israelense e, após inspeção da carga, seu envio ao território sob jugo do hamas (o governo de Israel, antes dos navios chegarem à costa israelense, disse que poderia enviar a ajuda humanitária sem custo nenhum para Gaza, desde que a mesma passasse por checagem antes).

2 - A flotilha foi avisada que deveria seguir para Ashdod e como a resposta foi negativa a marinha israelense agiu de acordo com o San Remo Manual on International Law Applicable to Armed Conflicts at Sea (12 June 1994): 'It is permissible under rule 67(a) to attack neutral vessels on the high seas when the vessels are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture'. E também com os Acordos de Oslo. Outra tolice na coluna é a tentativa de contestação da agressão sofrida pelos soldados israelenses que abordaram o barco do hamas (O comboio "humanitário" consistia de seis navios. O único no qual houve o incidente com mortes foi aquele organizado pelo grupo ihh -insani yardim vakfi, 'fundo de ajuda humanitária', organização turca que têm ligações com al qaeda, hizbollah, Irã e hamas, portanto tendo entre seus integrantes terroristas daquele grupo. Todos os outros navios aceitaram pacificamente se dirigir ao porto de Ashdod, para que as mercadorias fossem checadas, e depois enviadas para Gaza. Aquele não aceitou).

3 - Em vídeo amplamente divulgado pode-se ver claramente que os "manifestantes humanitários" atacaram os soldados de Israel, depois de esgotadas as negociações. Foram mostradas imagens pela televisão dos "manifestantes humanitários" a bordo do navio, em que estes recebem os soldados com socos e tiros, além de facadas e golpes de porretes e barras de ferro. Mal os soldados desembarcam pacificamente são atacados, ao contrário do que concidadania, a liga árabe e seus aliados estão argumentando (que o exército israelense entrou atirando e etc...). Fala-se do filme, mostra-se o filme, fica confirmada a agressão. Mas o texto de condenação a Israel, sem matizes, segue adiante. O autor fala da "possibilidade de existirem cabeças-quentes" que "sempre reagem" no grupo. Ora, o que é mostrado no vídeo é quase o linchamento dos militares antes de sua reação. Uma ação planejada com frieza e que buscava exatamente criar a situação apresentada. Plano de um grupo com objetivo bem definido e não a ação impulsiva de "cabeças-quentes"... O mais engraçado, no entanto é a indicação de que a forma de abordagem, "assalto aéreo", foi errada e foi o que "acirrou os ânimos". Ora meu caro, os ânimos já vinham acirrados e já havia a disposição à reação violenta e jamais à negociação, não importando o modo como Israel agisse, o objetivo não era prestar ajuda humanitária a Gaza e sim criar uma questão internacional. A prova cabal da armação veio no final da tarde desse domingo (06/06/2010) quando o Irã, financiador do hamas, país que ameaça constantemente Israel de aniquilação ofereceu escolta às próximas flotilhas que se dirigirão a Gaza. Concidadania errou feio dessa vez.

Iiiiiihhh. Agora complicou, Valdemar... "Cineasta brasileira que estava na 'Flotilha humanitária' admite: 'Não tenho imagens incriminatórias contra Israel'. De volta aos EUA, onde mora, a cineasta brasileira Iara Lee admitiu que as imagens colhidas por sua equipe durante a reação israelense à flotilha Mavi Marmara, que tentou furar o bloqueio em Gaza, não condenam o Exército de Israel."

O leitor Diego Almeida continua:

Saulo, o WM é um desses gauches de boutique, seus comentários se baseiam em oba-oba e preconceitos esquerdistas, um deles é o anti-semitismo. O colunista jamais contraria o uso de crianças por parte do HAmas e Hizbollah, nem mesmo ao apedrejametno de mulheres, mas basta Israel defender seus cidadãos, que sai da frente: WM torna-se procurador dos árabes terroristas.

O que me admira é que se coletarmos as opiniões de WM nos últimos 05 anos leremos uma sequência de engolimento de moscas, que vão do irrestrito apoio ao fascismo chavista ao apoio oblíquo à destruição de Israel (não implica nisso apoiar Ahmadnejad)? E ele ainda é editor sênior do jornal.

Saulo finaliza:

Na verdade há bem mais tempo. Desde 2002, no episódio dos atentados com homens bomba. Ele se manteve calado durante 14 meses enquanto a população de Israel era alvo de atentados praticamente diários. Bastou Israel reagir para que O Povo começasse uma violenta campanha antiisraelense com editoriais, artigos, comentários e charges condenatórias, o que me obrigava a um contato diário com a ombudsman da época. A largada foi dada justamente por Concidadania... De lá para cá o que mudaria?

7 de junho de 2010

Só vão sossegar quando Israel se suicidar

O Estado, 07/06/2010

Por quase dez anos Israel foi alvejado por mísseis lançados da Faixa de Gaza. Era o Hamas praticando tiro ao alvo em judeus. A vida na mira da jihad islâmica produz cenas só vistas naquele país, como, por exemplo, parques infantis cercados por muros de concreto, ou judeus em disparada nas ruas rumo ao abrigo mais próximo.

O mundo ficou calado, ano após ano. Os mísseis estouravam em solo israelense sem que se ouvisse o clamor indignado das redações e gabinetes presidenciais. Na semana passada, porém, a comunidade internacional despertou. Já não era sem tempo. Os progressistas uniram-se num protesto enérgico contra Israel, que aprontou mais uma das suas e atacou barqueiros pacifistas que levavam arroz e feijão para a Faixa de Gaza.

A famosa cineasta, ativista e pacifista brasileira Iara Lee (em breve ganha o Nobel da Paz) contou à Rede Globo que seu pessoal no barco já esperava o confronto com Israel. Se ela diz que esperava, acredito. Ainda mais porque a porta-voz da frota, Greta Berlin, gabou-se à agência AFT, dias antes da intercepção israelense, que “esta missão não é sobre a entrega de suprimentos humanitários, mas [sobre] quebrar o cerco de Israel”. E é bem provável que houvesse mesmo algum confronto, já que o furo do bloqueio foi bancado pela organização turca IHH, íntima do Hamas.

As imagens estão aí para quem quiser ver. Os soldados descem do helicóptero e são recepcionados pelos pacifistas do Mavi Marmara com pauladas e facadas humanitárias. Já tornou-se um clássico da cinematografia mundial a cena em que um soldado é humanitariamente arremessado do convés. Outro lance sublime ocorre quando um pacifista joga uma granada na direção dos soldados.

Uma pessoa ingênua poderia achar que são uns pacifistas um tanto agressivos, mas eu tenho certeza de que aquele barco não tinha outro propósito senão distribuir farinha em Gaza.

Os pacifistas alegam que Israel é responsável por uma crise humanitária em Gaza. Primeiro: não existe crise humanitária em Gaza. Segundo: mesmo que existisse, Israel não teria nada a ver com isso. Aparentemente, o pessoal da pomba da paz ainda não recebeu a notícia de que Israel desocupou Gaza em 2005, deixando no comando o Hamas, que desde então tem incrementado a economia local contrabandeando foguetes de países como o Irã, lançando-os diariamente contra Israel e organizando operações midiáticas para jogar a opinião pública internacional contra os judeus.

Israel, mais uma vez, pôs em risco a paz mundial e violentou a dignidade dos pacifistas, jornalistas e idiotas úteis a serviço do Hamas, com a ridícula e esfarrapada desculpa de que a segurança nacional e a integridade física dos cidadãos israelenses são mais importantes do que a simpatia e o consentimento dos editoriais.

5 de junho de 2010

"Nós enganamos o mundo"



Progressistas de todo o mundo, uni-vos na cantoria.

4 de junho de 2010

Israel teima em se defender

O jornal O Povo (de Fortaleza) de hoje, no editorial, classifica de "atentado abominável" a chuva de foguetes do Hamas sobre Israel.

Brincadeirinha! Claro que o atentado abominável não é cometido pelo Hamas e sim por Israel, que teima em se defender do terrorismo islâmico, interrompendo o passeio dos barqueiros pacifistas e violentando a dignidade dos jornalistas progressistas. Comento trechos da coisa:

"A posição agressiva de Israel, por mais atenuada que seja pela consideração de que vive em guerra permanente com os vizinhos, não pode ser aceita pelo mundo, pois um Estado não tem o direito de agir como uma facção armada, pois está submetido a uma institucionalidade internacional mínima, sem o acatamento da qual o mundo se entregaria à barbárie. Assim, não é possível contemporizar com o transgressor, sob pena de por em risco o frágil equilíbrio internacional conquistado a duras penas".

É complicado. O editorialista reconhece que Israel é permanentemente ameaçado pelos vizinhos, mas censura o país por defender-se das agressões. O que fazer, então? Permitir que empregadinhos do Hamas furem o bloqueio a Gaza sem serem inspecionados, só para que o mundo não se entregue à barbárie (eita!) e o editorialista não fique chateado?

"(...) Ademais, não passa pela cabeça de ninguém que os militantes pacifistas levassem armas nas embarcações, visto que estas corriam o risco de ser submetidos a uma fiscalização por Israel. Que tenha havido algum tipo de reação de inconformismo diante do assalto dos barcos pelas tropas israelenses, isso é de esperar quando se lida com manifestações políticas de massas. Mas, a resposta foi desproporcional ao desafio, já que partiam de pessoas desarmadas, enquanto o outro lado contava com um poder de fogo descomunal".

Minta o quanto quiser, senhor editorialista. As imagens estão aí para qualquer um ver – e negar o que estiver vendo, no seu caso. Os soldados israelenses descem do helicóptero e são espancados pelos pacifistas com bastões de ferro, arremessados do convés, têm suas armas tomadas, levam tiros. Um pacifista joga uma granada contra os soldados. Foi essa a “reação de inconformismo” do pessoal da pomba da paz.







Quanto à “resposta desproporcional” (sempre este adjetivo), fica subentendido que, para o editorialista, os soldados israelenses deveriam ter cometido suicídio naquele barco. Tenho para mim que qualquer soldado, ao virar alvo de tiro, tem o direito de revidar. Mas o editorialista pensa diferente. Os soldados israelenses não podem reagir. Espancados e baleados, eles deveriam ter adotado a posição de lótus e aceitado a morte com serenidade, agradecidos, para não magoar o que o editorialista chama de consciência democrática internacional (é uma graça).

"A consciência democrática internacional exige uma posição firme dos países detentores do poder mundial, pois se Israel ficar impune, estará dada a senha para outras perturbações da ordem internacional. E os países que poderiam impedi-las ficarão desacreditados para tomar qualquer iniciativa pacificadora. Não é por outra razão que o Brasil condena a ação de Israel e pede uma investigação rigorosa".

Além de bajular a política externa de Lula (aliado de Mahmoud Ahmadinejad, financiador do terror islâmico), o editorialista exime-se de cobrar uma investigação rigorosa sobre a organização turca IHH, íntima do Hamas, que armou todo esse circo midiático para Israel sair nas manchetes como o país truculento que massacra pacifistas que cantavam All You Need Is Love no convés. Típico.

Republico aqui o comentário feito no Povo online pelo Saulo Tavares, diretor de comunicação da Sociedade Israelita do Ceará, a quem mando um abraço aproveitando o ensejo:

"O grande problema com esse editorial é que nos filmes divulgados sobre o episódio vê-se claramente que os soldados descem sem atirar, e são imediatamente cercados e atacados violentamente com bastões e barras de ferro por parte dos "militantes pacifistas".

Os helicópteros, dotados de visão noturna, viram claramente que o convés estava cheio de "militantes pacifistas", mais de uma centena, que obviamente haviam se preparado para um eventual ataque israelense.

Ainda que os "militantes pacifistas" pro-palestinos não portassem armas de fogo, dispunham de barras de ferro, punhais e outras armas improvisadas. E as usaram... Os primeiros israelenses a descer foram recebidos a golpes de paus e barras de ferro e a seguir facas, socos e ponta-pés. Enfim, tudo que os "militantes pacifistas" dispunham. Dois soldados foram dominados e atirados a um andar abaixo. Vimos, pela TV, uma verdadeira batalha campal no convés do navio Mármara, de bandeira turca. O mais interessante é que a tal ONG foi fundada por um integrante turco do hamas...

Na realidade foi tudo muito bem planejado pelos líderes do hamas e seu pessoal a bordo dos navios, com os quais pretendiam romper o controle que Israel exerce em Gaza, através do bloqueio. A ordem era atacar os soldados que se aproximassem dos navios. Com tudo à sua diposição. Bastões, barras de ferro, ferramentas, etc. Atacaram e tentaram tomar armas dos soldados que reagiram. Resultado da "aventura da solidariedade": 9 mortos e muitos feridos.

A reação dos simpatizantes do Hamas era prevista e estava na cara. Só o autor do editorial não viu? Enfim, O Povo marca mais uma vez sua posição contrária a Israel em qualquer situação, mesmo que os detalhes demonstrem que as "vítimas" do ataque não eram tão vítimas assim...

Saulo Tavares"


Atualizando:

Mais comentários de leitores publicados no Povo online. Um abraço também para o Roger Prado, do
Cafeinado:

Francisco Ribeiro Mendes: "Muito sensacionalismo em torno da ofensiva israelense ao tal "comboio humanitário". Nós que somos pacíficos - ou pelo menos éramos até antes de colocarem o Brasil nessa questão maldita do Oriente Médio - podemos entender a situação de Israel tomando-se por base a nossa insegurança com a bandidagem daqui. Por exemplo: você ficaria parado olhando um indivíduo entrar pela janela da sua casa, até descobrir o que ele pretende fazer? Não suspeitaria de nada, se visse alguém pular o muro do seu quintal para levar qualquer coisa ao seu vizinho e inimigo? É muita pretensão querer que Israel acredite que a flotilha estava em missão de paz e que levava só mantimentos e remédios para a Faixa de Gaza, e não aceitar que Israel desconfiasse que entre os ativistas dessa frota pudessem existir membros do grupo terrorista Hamas tentando entrar no Estado judeu. Sabemos que houve uma brutalidade. Mas a brutalidade será muito maior no dia que Israel facilitar para inimigos como os que o ameaçam varrê-lo da face da Terra. Não interessa se estavam desarmados ou se levavam mantimentos e remédios. O certo é que houve uma provocação. E, por falar em provocação, já que o governo Lula anda tão solidário à causa palestina, gostaria que fosse explicada a razão da carta da ativista brasileira que estava a bordo da embarcação, escrita quando a flotilha estava se organizando para partir, ter sido lida no Senado por um senador do PT. Por acaso seria uma confirmação da participação do Brasil nessa provocação?"

Roger Prado: "Ué? Os vídeos mostram algo totalmente diferente daquilo que o colunista afirma. Se o colunista não acredita no que estou dizendo, então que acredite em seus próprios olhos e vá olhar o vídeo, disponível em centenas de sites na Internet. Será que estou vivendo em um mundo paralelo? Hmmm..."

Roger Prado: "Acho que realmente houve ataque desproporcional nesse evento: eram dezenas de "pacifistas" batendo com pau em três soldados. Dezenas contra três."

Saulo Tavares: "Lembrei até daquela música do Chico Buarque, Carolina. Com uma letra referente ao editorial podia até dizer: "Eu bem que mostrei a ela, o vídeo passou em toda tela e só o povo não viu..." Aliás é curioso, essa ira santa demonstrada pelo jornal contra Israel não se vê contra o Sudão (país muçulmano que promove genocídio de sua população cristã), contra a China (que ocupa o Tibet e executa naquele país tudo que acusam, o povo inclusive, Israel de praticar com os árabes), contra o Irã e a Coréia do Norte (que promovem, eles sim, terrorismo de estado ao ameaçar seus vizinhos com ataques nucleares). Enfim, dois pesos e duas medidas, parcialismo, má vontade com uma democracia que luta contra inimigos ardilosos e inescrupulosos que não se furtam de usar todos os meios para destruí-la. Mau jornalismo, enfim."