O Estado, 16/04/2010
Como uma celebridade que narra sua primeira vez à entrevista da Playboy, o jornalista Rodolfo Oliveira se pôs a recordar seu encantamento com os Beatles, no começo dos anos 1990, quando o som da banda penetrou os “virgens ouvidos” dele. “Pura magia”, na definição do rapaz. Vou copiar o tema , pois, além de eu também ser fã, essa troca de menções pode ser de grande utilidade promocional para nós dois.
No seu relato saudosista, Rodolfo conta que tomou gosto pelos Beatles por meio do pai, que iniciava os sábados no lar da família Oliveira tocando velhos LPs da banda. Já eu, desde os primeiros meses de existência, recebia a influência não de um, mas de dezenas de parentes, que pareciam trazer na corrente sanguínea um acordo secreto para fazer dos Beatles a trilha sonora de todas as assembléias do clã. Aniversário do primo fulano, casamento da tia sicrana, churrasco no quintal do tio beltrano - os Beatles sempre participavam, saindo de um aparelho de som qualquer. E as conversas dos adultos eram sempre entrecortadas por observações do tipo: “Ah, essa música é linda! Linda! Do tempo das tertúlias”.
De modo que muitos daqueles refrões sedimentaram-se no meu cérebro infantil antes mesmo que eu soubesse os nomes dos integrantes da banda. Quantas vezes as festas na casa da avó não foram comemoradas ao som de Imagine! Inclusive não posso mais escutar essa música, de forma alguma, sob risco de sofrer overdose. Chega o momento em que não dá mais. O mesmo com She Loves You, I Wanna Hold Your Hand e outras canções chatinhas e descartáveis dos primeiros discos. Para que vocês tenham ideia, minha avó, há alguns anos, deu o ultimato: “É o seguinte, pessoal. Vai tocar qualquer coisa, até o CD natalino da Simone, menos Beatles. Já chega”.
Aos 12, 13 anos, eu achava que os Beatles eram os melhores e não aceitava contestação. Seguindo a tradição milenar dos rapazes infectados com o rock and roll, deixei o cabelo crescer e negligenciei os estudos. Aliás, recomendo aos leitores nessa faixa etária que tomem a mesma atitude. Minhas tias me olhavam com orgulho: “Como tem bom gosto esse menino!” Mas, a partir de uma data específica, tudo mudou. Não é exagero ou efeito estilístico. Realmente tudo começou a mudar em 11 de abril de 1998. Naquela noite, a Globo transmitiu ao vivo, da Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, o show dos Rolling Stones.
Como uma celebridade que narra sua primeira vez à entrevista da Playboy, o jornalista Rodolfo Oliveira se pôs a recordar seu encantamento com os Beatles, no começo dos anos 1990, quando o som da banda penetrou os “virgens ouvidos” dele. “Pura magia”, na definição do rapaz. Vou copiar o tema , pois, além de eu também ser fã, essa troca de menções pode ser de grande utilidade promocional para nós dois.
No seu relato saudosista, Rodolfo conta que tomou gosto pelos Beatles por meio do pai, que iniciava os sábados no lar da família Oliveira tocando velhos LPs da banda. Já eu, desde os primeiros meses de existência, recebia a influência não de um, mas de dezenas de parentes, que pareciam trazer na corrente sanguínea um acordo secreto para fazer dos Beatles a trilha sonora de todas as assembléias do clã. Aniversário do primo fulano, casamento da tia sicrana, churrasco no quintal do tio beltrano - os Beatles sempre participavam, saindo de um aparelho de som qualquer. E as conversas dos adultos eram sempre entrecortadas por observações do tipo: “Ah, essa música é linda! Linda! Do tempo das tertúlias”.
De modo que muitos daqueles refrões sedimentaram-se no meu cérebro infantil antes mesmo que eu soubesse os nomes dos integrantes da banda. Quantas vezes as festas na casa da avó não foram comemoradas ao som de Imagine! Inclusive não posso mais escutar essa música, de forma alguma, sob risco de sofrer overdose. Chega o momento em que não dá mais. O mesmo com She Loves You, I Wanna Hold Your Hand e outras canções chatinhas e descartáveis dos primeiros discos. Para que vocês tenham ideia, minha avó, há alguns anos, deu o ultimato: “É o seguinte, pessoal. Vai tocar qualquer coisa, até o CD natalino da Simone, menos Beatles. Já chega”.
Aos 12, 13 anos, eu achava que os Beatles eram os melhores e não aceitava contestação. Seguindo a tradição milenar dos rapazes infectados com o rock and roll, deixei o cabelo crescer e negligenciei os estudos. Aliás, recomendo aos leitores nessa faixa etária que tomem a mesma atitude. Minhas tias me olhavam com orgulho: “Como tem bom gosto esse menino!” Mas, a partir de uma data específica, tudo mudou. Não é exagero ou efeito estilístico. Realmente tudo começou a mudar em 11 de abril de 1998. Naquela noite, a Globo transmitiu ao vivo, da Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, o show dos Rolling Stones.
