Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


15 de outubro de 2009

Extra! Extra! Liberalismo na universidade

Artigo no jornal O Estado

Se você é ou foi estudante de humanas na faculdade, sabe que a explicação para todos os fenômenos está no marxismo. Os professores, os currículos, os alunos são marxistas. É provável que o porteiro do campus seja marxista também. Lá, ninguém sabe quem é Ludwig von Mises, Friedrich Hayek. Fiquemos com um nome brasileiro: ninguém sabe quem é José Osvaldo de Meira Penna. Só marxista tem vez. E dá-lhe Paulo Freire e Antonio Gramsci.

Certo dia, no meu tempo de UFC, foi apresentado no auditório da reitoria um documentário de apologia a Fidel Castro e Che Guevara. Após a exibição, uma professora de História, cheia de mestrados, doutorados e outros ados na conta bancária, declarou, para uma platéia embevecida, que "não existe felicidade sob o capitalismo". Ah, se vocês estivessem lá para sentir a emoção do auditório... A classe média estudantil vibrou.

O universitário de humanas consciente é contra o capitalismo. Ele expressa a aversão ao capitalismo convocando protestos por telefone celular e e-mail. Ele fotografa a passeata com câmera digital (fabricada de modo artesanal e gratuito) e bota as imagens no Orkut. No fim de semana, o universitário anticapitalista sai de carro para tomar cerveja. Ninguém é de ferro. Mas, por coerência, ele só usa carros montados de maneira socializada, sem lucro pra ninguém. E a cerveja que ele bebe tem uma função social.

Sei que existem cinco ou seis elementos que escapam do marxismo atmosférico. E há também os saudáveis curiosos. É para eles que estou escrevendo este artigo. Tenho uma dica: no próximo dia 23, a turnê "Liberdade na Estrada", promovida pela turma do site OrdemLivre.org, passa por Fortaleza. Participam os economistas Adolfo Sachsida e Hélio Beltrão Jr., os cientistas políticos Bruno Garschagen e Diogo Costa e o filósofo Lucas Mafaldo, entre outros.

As palestras em Fortaleza acontecem em dois horários. Na UFC, das 8 às 12h, no auditório Geraldo da Silva Nobre (Avenida da Universidade, 2486). Na FA7, das 18 às 22h, no teatro da faculdade (Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, 1395). Repetindo: dia 23 de outubro.

Os realizadores da turnê querem expor aos estudantes universitários o pensamento liberal, em defesa do livre mercado e dos direitos individuais. Esses caras estão oferecendo outra visão em pleno terreno sagrado da militância estatizante. O programa promete.

8 de outubro de 2009

Dividir e conquistar (2)

Artigo no jornal O Estado

Como eu dizia semanas atrás, pode ser que, muito em breve, o brasileiro descubra que seus concidadãos foram divididos juridicamente pelo governo em dois grupos, os brancos e os negros. A cor da pele passará a valer como critério de julgamento, e o brasileiro será informado por diversos especialistas que a objeção a tal divisão constitucional caracteriza racismo inconsciente.

No capítulo VII do Estatuto da Igualdade Racial, "Do Mercado de Trabalho", lemos que os governos federal, estaduais e municipais deverão garantir o acesso dos chamados afro-brasileiros ao emprego. Conforme o artigo 67 do capítulo citado, "a inclusão do quesito cor/raça, a ser coletado de acordo com a autoclassificação, assim como do quesito gênero, será obrigatória em todos os registros administrativos direcionados aos empregadores e aos trabalhadores do setor privado e do setor público". O que o estatuto propõe é o advento do mérito epidérmico: os negros terão empregos por serem negros, e acontecerá nas empresas o que já acontece em universidades: quem nunca nem soube o que significa raça de repente se transformará em negro profissional na hora de preencher a papelada. Conflitos judiciais e ressentimentos à vista. É o progresso.

São tantas as idiotices. Veja outro exemplo, o artigo 74, no capítulo IX, que trata dos meios de comunicação: "Os filmes e programas veiculados pelas emissoras de televisão deverão apresentar imagens de pessoas afro-brasileiras em proporção não inferior a vinte por cento do número total de atores e figurantes". Imagine uma comissão estatal encarregada de fiscalizar as obras e calcular o elenco negro compulsório. É o progresso.

A política de cotas foi copiada dos americanos, o que revela a sapiência da nossa esquerda: quando resolve imitar os odiados Estados Unidos, escolhe a pior coisa que encontra. Já que a turma do Paulo Paim importou o modelo, convém destacar um fato ocorrido na matriz. Há dois anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos votou contra a exclusividade do critério racial para a admissão de alunos em escolas de Seattle e Louisville. Atente para as palavras do juiz John Roberts: "O que as classificações raciais fazem nestes casos, a não ser determinar a admissão em uma escola pública baseada em preconceito racial? A maneira de parar com a discriminação baseada em raça é parar de discriminar com base na raça". O raciocínio é tão claro e evidente que a cabeça do esquerdista explode na tentativa de compreender. Explodiria também na tentativa de refutar – supondo que essas pessoas estivessem interessadas no debate normal, obediente à lógica e ao bom senso. Mas não. Basta afirmar que o juiz é racista e acabou o debate.