Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


20 de agosto de 2009

Silêncio cúmplice e indignação hipócrita

Artigo em O Estado

Ao mesmo tempo em que Lula ostenta preocupação com a presença militar americana em território colombiano, o PT divulga em seu site, a céu aberto, o 15º encontro do Foro de São Paulo. Será realizado no México entre os dias 20 e 23 de agosto.

Você provavelmente não conhece essa entidade, mas ela funciona há duas décadas e seus integrantes comandam hoje quase todos os países latino-americanos. O Foro de São Paulo foi criado por Fidel Castro e Lula, em 1990, com a meta de recuperar na América Latina o que havia sido perdido com o desmoronamento da União Soviética. Os partidos de esquerda da região tinham agora uma assembléia para traçar estratégias de alcance continental. O sucesso é inegável: Hugo Chávez, Rafael Correa, Daniel Ortega, Evo Morales e o próprio Lula estão aí para confirmar.

Além de partidos legalizados de diversos países, participam do Foro o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua, a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador e similares. Grupos envolvidos com seqüestro, tortura e assassinato e sustentados pelo narcotráfico. Grupos terroristas.

Em setembro de 2003, o presidente colombiano Álvaro Uribe enviou uma carta a Lula solicitando ao governo brasileiro que designasse formalmente as FARC como organização terrorista. Lula ficou calado. Para o nosso presidente e seus homens no Itamaraty, cativeiros na selva e atentados a bomba são procedimentos aceitáveis na luta política. Recorde a posição oficial do governo brasileiro no caso do acampamento das Farc descoberto em território equatoriano. Uribe mandou bomba e matou um chefão do bando. Lula protestou enfaticamente... contra Uribe e a favor das Farc. Amigo que é amigo demonstra solidariedade em qualquer ocasião.

Esses são os fatos. No entanto, se um extraterrestre pousasse no Brasil e ouvisse as graves advertências dos nossos intelectuais de esquerda a respeito do acordo firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos, ele decerto voltaria ao seu planeta em busca de segurança, porque parece que nosso território está prestes a ser invadido por marines armados até os dentes (supondo que fosse um extraterrestre de poucos recursos bélicos). O discurso de Chávez vem sendo reproduzido fielmente por articulistas, professores universitários, analistas de observatórios, cientistas sociais – em suma, os "especialistas" deste país tão cheio deles. Os mesmos especialistas que passaram duas décadas omitindo e desconversando a existência do Foro de São Paulo e sua influência sobre a política do continente. Sobre isso, nenhum artigo, nenhum editorial, nenhum simpósio, nenhuma pesquisa de opinião, nenhuma consulta aos observatórios... Nada.

É um comportamento curioso. Por que esses sujeitos agem assim? Porque estão do lado da revolução a qualquer custo, da tortura e do extermínio dos desgraçados que atrapalharem a marcha para o socialismo. O longo silêncio deles diante da aliança entre o PT e o narcoterrorismo fala mais alto que qualquer histeria antiamericana.


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Vocês encontram vários textos sobre o Foro de São Paulo no Mídia Sem Máscara e no Endireitar. Também recomendo a entrevista dada pelo finado Raúl Reyes à Folha, em 2003, em que ele conta, entre outras coisas, quem são os agentes no Brasil:

Folha de S.Paulo - Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes - As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais. Na época do presidente [Fernando Henrique] Cardoso, tínhamos uma delegação no Brasil.

Folha de S.Paulo - O sr. pode nomear as mais importantes?

Reyes - Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...

Folha de S.Paulo - Quais intelectuais?

Reyes - [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.

13 de agosto de 2009

Jihad bilionária

Artigo em O Estado

Tente imaginar sua cidade alvejada semana após semana por mísseis lançados com o objetivo de matar civis. Pode ser o amigo andando na rua, a namorada saindo da faculdade, o pai indo trabalhar. Qualquer um é alvo. Você agüentaria?

É uma ameaça constante, desde 2005, em algumas cidades ao sul de Israel, como Sderot e Ashkelon. Quando as sirenes de código vermelho tocam, os moradores têm 15 segundos para encontrar abrigo antes que o foguete acerte o jardim de uma casa, perfure o telhado de uma escola ou, no sonho glorioso do Hamas, estraçalhe o corpo de um judeu. Em Sderot, parques infantis são cercados por muretas de concreto reforçado.

Quando veio a reação israelense a anos de ataques do Hamas, com a Operação Chumbo Fundido, ouviu-se a gritaria tradicional da aliança firmada entre esquerdistas radicais, totalitaristas islâmicos e idiotas úteis: os judeus cometiam um crime hediondo contra a humanidade ao tentar se defender. Porque nós todos sabemos o que significa ser pacifista hoje em dia: paz para todos os povos, exceto o judeu. Esse deve aprender a morrer calado, sem protesto e de preferência sem manchetes nos jornais.

Os pacifistas podem respirar aliviados: a normalidade voltou ao sul de Israel. O Hamas está lançando foguetes de novo. No último domingo (9), vários obuses atingiram o Negev ocidental. Um deles explodiu no terminal de Karni, quando passava por ali um comboio de caminhões de Israel. Outros dois obuses explodiram perto de Erez no momento em que ambulâncias com palestinos doentes se dirigiam a hospitais israelenses. Para tristeza do Hamas, ninguém morreu ou ficou ferido.

A velha rotina? Não exatamente. Agora os foguetes são mais destrutivos e percorrem distâncias maiores que o velho Kassam. Oficiais da inteligência israelense informam que, nos últimos meses, o Hamas tem adquirido, testado e armazenado arsenal de tecnologia superior ao usado nos ataques anteriores. Isso pode ter alguma relação com o aumento dos recursos financeiros da jihad?

Em março passado, o governo egípcio promoveu uma conferência internacional em apoio à "reconstrução de Gaza". Mais de 70 países enviaram delegações e, somadas as contribuições, mais de quatro bilhões de dólares foram arrecadados. Um tremendo estímulo econômico que certamente encheu o Hamas de alegria. Barack Hussein deu 900 milhões de dólares. Um homem bom, sem dúvida. Hillary Clinton tratou de tranqüilizar os americanos desconfiados assegurando que o dinheiro seria administrado por ONGs e pela Autoridade Palestina. O Hamas não tocaria em um centavo.

É difícil imaginar um jihadista que não tenha gargalhado. Gaza é controlada pelo Hamas. A maioria dessas ONGs, qualquer idiota sabe, é aparelhada por integrantes e testas-de-ferro do Hamas, e a Autoridade Palestina dispensa comentários - o contraste entre a pobreza dos palestinos e a opulência de seus líderes é eloqüente o bastante. Sendo as coisas como são, a expectativa de Hillary, compartilhada pelos demais doadores, equivale a esta: nós vamos dar 900 milhões de reais ao Complexo do Alemão para ajudar em projetos de urbanização, e não há motivo de preocupação a respeito da utilização do dinheiro, pois a verba será administrada pelo conselho de moradores e por ONGs do beautiful people carioca. Os traficantes não chegarão perto de um centavo sequer.

A propósito, o homem de Lula na conferência, Celso Amorim, anunciou que os contribuintes brasileiros vão doar 10 milhões de dólares para "reconstruir Gaza".

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Eu errei a data. Na verdade, Sderot é ameaçada pelos foguetes do Hamas desde 2000. Há nove anos. Você agüentaria? Veja algumas fotos no site Gaza Border