Uma coisa morta pode seguir com a corrente, mas só uma coisa viva pode ir contra ela. G. K. Chesterton


26 de fevereiro de 2009

Diário de um comunista cansado de ingratidão

Artigo no jornal O Estado

Querido diário, não consegui dormir direito. Ouvi uma notícia na TV que me deixou perturbado. O comunismo foi injustiçado mais uma vez.

Nós, comunistas, comandamos as mais prósperas economias do planeta, que atraem anualmente milhares de imigrantes em busca de oportunidades. Mesmo assim, sofremos constantemente a ingratidão de gente alienada que, em vez de lutar contra o capitalismo e a civilização judaico-cristã, está mais preocupada com futilidades pequeno-burguesas. Querido diário, estou falando dos traidores cujo compromisso com a causa comunista é só da boca pra fora.

Johnny Depp, por exemplo. Ele gosta de aparecer usando camisas e enfeites com a imagem de Che Guevara. Acontece que o pirata do Caribe nunca quis morar em Cuba, para viver na pele a revolução feita por nosso ídolo. Prefere fazer filmes, badalar nos festivais de cinema mundo afora e ganhar muito dinheiro no império. Johnny Depp nunca cogitou largar tudo e ir dirigir táxi em Havana. Eu não consigo entender isso.

Também estou desapontado com o ator Benicio Del Toro. Reconheço sua ajuda à causa ao interpretar Che Guevara. Achei emocionante quando, ao ser agraciado em Cannes, Del Toro dedicou o prêmio ao próprio Che. O filme certamente lotará salas de cinema do mundo inteiro, inclusive no circuito universitário brasileiro. Mas até agora o ator não deu o passo revolucionário de trocar Hollywood por Havana. Eu não consigo entender isso.

Sim, diário querido, sei que não há necessidade para tanto lamento. Nós, comunistas, sabemos que nossas dúvidas existenciais podem ser resolvidas com um pouco de dialética marxista. Por que o Chico Buarque nunca quis morar em Cuba? Por que o Oscar Niemeyer nunca quis morar em Cuba? Por que o Cesare Battisti não buscou abrigo em Cuba? Por que nenhum comunista quer morar em Cuba? A dialética explica.

Confesso que ainda é difícil para mim, um comunista jovem. Eu tento, tento e tento, mas não consigo entender por que aquele boxeador cubano fugiu para Miami. Foi essa a notícia que me deixou perturbado. Que diabo é isso? Espero que o comandante Castro dê um jeito nesse vendido e o fuzile por traição à pátria após um julgamento justo e democrático. Vou dormir agora, querido diário. Só de pensar em paredão me deu vontade de sonhar com o outro mundo possível.

Seja bacana, boicote os judeus

Dois pacifistas modernos estão diante do computador vasculhando notícias:

- Olha que absurdo, censuraram a presença de uma tenista num torneio internacional.
- Puxa, que coisa. Onde foi isso?
- Em Dubai.
- O que mais?
- Aqui diz que as autoridades dos Emirados Árabes se recusaram a emitir o visto da atleta...
- Mas isso é um absurdo! Precisamos organizar um protesto, fazer uma corrente na internet, alguma coisa. O que mais diz aí?
- Ah, olha isso, a tenista é judia.
- Como é, a tenista é judia?
- É.
- Ah bom. Pensei que fosse alguma coisa importante. É até merecido. Deve ser nazista.
- Vamos tomar um café?
- Vamos.

Obviamente o diálogo seria muito diferente se, como diz Carlos Abreu Amorim, autor da nota, a atleta fosse árabe, preta ou de outra minoria do catálogo politicamente correto.

4 de fevereiro de 2009

Benicio del Toro é um imbecil

E todos os adoradores de Che Guevara também são, por dois motivos bem simples:

1) Se conhecem o trabalho filantrópico realizado por Guevara em Cuba, são defensores da tortura de adversários políticos, da censura, do trabalho forçado, do confisco e das execuções sumárias por crime de opinião. Nesse caso, mais do que imbecis, são assassinos em potencial.

2) Se conhecem no máximo a foto da camisa e aquele filminho da moto, são idiotas úteis determinados a seguir qualquer modinha politicamente correta que lhes garanta o conforto do rebanho. Ontem mesmo vi um desses passeando no Iguatemi, o maior shopping da cidade. Seria um dos primeiros fuzilados da revolução que paparica.

Esse vídeo é uma preciosidade. Vejam o Benicio del Toro sem palavras diante dos fatos, perdido em sua ignorância, massacrado por Marlen Gonzalez, uma jornalista de origem cubana que, ao contrário dos carneirinhos ao redor do mundo que vão lotar os cinemas para aplaudir um panfleto aprovado por Fidel Castro em pessoa, sabe quem foi Che Guevara e o que ele fez:


Agradeço ao Reginaldo Almeida, do Abulafia