26 de setembro de 2011
Roger Scruton nas páginas amarelas
Meu artigo no Estado
Só ontem li a ótima entrevista do Roger Scruton à Veja da semana passada, que o amigo Rodolfo Oliveira (um dos melhores articulistas deste jornal) me recomendava desde então, avisando que o filósofo inglês disse o que eu tinha dito um mês antes sobre os vagabundos que tocaram fogo em Londres.
Com a picaretagem de sempre, os esquerdistas na imprensa e na academia tratavam saqueadores e incendiários como pobres excluídos reagindo ao capitalismo malvado. Segundo Marta Suplicy, em comentário na Folha de S. Paulo, "a Londres de hoje, com reduções draconianas nas despesas públicas e nos investimentos sociais, atinge o desemprego de jovens não qualificados. Um sistema que desemprega, oprime e humilha nos faz entender o porquê de uma multidão obedecer a um tuíte desses: 'Largue o que você estiver fazendo e vá badernar e roubar tudo em volta'. A tecnologia fez diferença".
Daí escrevi, em artigo publicado aqui em 16 de agosto: "A pobreza e a opressão em que vivem os jovens ingleses causam inveja: eles têm equipamentos eletrônicos com acesso à Internet para desabafar suas humilhações e seguir ordens criminosas. E seguiram com gosto, incendiando e depenando lojas, atacando pedestres, derrubando motoqueiros, aterrorizando a vizinhança. Vimos na televisão os detidos. Nenhum tinha cara de miserável, de esfomeado. Eram ingleses bem alimentados pelo estado de bem-estar social, impregnados de jargões esquerdistas contra o sistema".
Agora o que Roger Scruton falou à Veja: "Ninguém mencionou como uma das causas da baderna a deformação causada nesses jovens pelas políticas de estado do bem-estar social. Diversos estudos mostram como clareza a vinculação desses programas assistencialistas com a proliferação de uma classe baixa ressentida, raivosa e dependente. Não quero ser leviano e culpar apenas as políticas socialistas pelos tumultos (...) Mas é preciso um pouco mais de honestidade intelectual (...) Por debaixo do verniz civilizatório, todo homem tem dentro de si um animal à espreita. Infelizmente, se este verniz for arrancado, o animal vai mostrar a sua cara. A promessa de concessão de direitos sem a obrigatoriedade de deveres e de recompensas sem méritos foi o que arrancou o verniz nessa recente eclosão de episódios de vandalismo na Inglaterra."
Mas os esquerdistas garantem que a selvageria dos bem nutridos ingleses foi um grito dos excluídos, Roger Scruton. O que o senhor acha? "Desculpe-me, mas é resultado de exclusão depredar uma cidade porque você tem só um carro, um apartamento pequeno pelo qual não paga aluguel, recebe mesada do governo sem ter de fazer nada para embolsá-la, compra três cervejas, mas gostaria de beber quatro, e acha que ter apenas um televisor em casa é pouco? Não. Ver exclusão nesses episódios só faz sentido na cabeça de um professor de sociologia."
23 de setembro de 2011
Deputados defendem redução de maioridade penal
Minha matéria no Estado
O assassinato do professor do IFCE na Praça da Gentilândia por um homem menor de idade é mais um caso trágico que exorta a sociedade a refletir sobre a redução da maioridade penal e as necessárias mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente. É a opinião de deputados que lamentaram a ocorrência na tribuna da Assembléia Legislativa.
No começo da tarde de quarta-feira, Vicente de Paulo Miranda Leitão, 46 anos, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia em Sobral, estacionou ao lado da Praça da Gentilândia, no bairro Benfica, para ir a uma gráfica próxima. A esposa ficou no carro, e na ausência do marido foi abordada por dois assaltantes, que queriam tomar a chave do automóvel.
Ao retornar e ver a mulher em perigo, Vicente tentou salvá-la. Levou dois tiros de revólver calibre 38, um no peito e um na clavícula, e morreu ali mesmo. Segundo a polícia, o atirador tem 17 anos. Os bandidos fugiram no carro, deixando a esposa, Claudiana Dias de Oliveira, em desespero.
Ainda no começo da noite de quarta, a polícia encontrou o assassino no quitinete da namorada, no cruzamento da Rua Tristão Gonçalves com Avenida Duque de Caxias, centro de Fortaleza. Ele já tem passagem pela polícia e foi reconhecido pela esposa da vítima.
Outros dois suspeitos foram presos em Fortaleza na manhã de ontem. De acordo com a polícia, um homem de 22 anos e outro de 17 foram encontrados no bairro Parque São José. Com o primeiro os policiais encontraram a arma usada no crime. O segundo foi levado à Delegacia da Criança e do Adolescente.
O QUE DIZ O ESTATUTO
O Estatuto da Criança e do Adolescente afirma que “são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos”. Portanto, pelo ECA, o assassino do professor Vicente de Paulo Miranda Leitão só poderia ser penalmente responsabilizado se fosse alguns meses mais velho. Por ter 17 anos, ele é, aos olhos dos apologistas do estatuto, um “jovem em conflito com a lei”.
Em seu artigo 121, o Estatuto da Criança e do Adolescente garante os seguintes direitos ao criminoso com menos de dezoito anos: “Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos”; “Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado fim regime de semiliberdade ou de liberdade assistida”; “A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade”.
São regalias que protegem e estimulam o crime, no entender do deputado Fernando Hugo (PSDB). “O Congresso precisa modificar o Código Penal, imputando penas não só de reclusão, que pouco ou quase nada faz. O Estatuto da Criança e do Adolescente protege essa criançada. Quando voltam da casa de reclusão, voltam piores. São jovens adultos. Têm que ser punidos. Não existe maioridade para votar? Então deve existir maioridade para pagar pelos crimes”.
Os defensores do ECA alegam que o sistema econômico marginaliza os criminosos menores de dezoito anos e que puni-los como adultos agrava a violência social. Fernando Hugo repudia este argumento. “Não se pode continuar nessa de dizer ‘Ah, os bichinhos, o governo não amparou... ’. A lei permite que eles continuem agindo por aí, lépidos e fagueiros, matando de uma forma insana”. O deputado Manoel Duca (PRB) pensa do mesmo modo. “Os menores estão praticando crimes como os adultos. É preciso rever o Estatuto da Criança e do Adolescente e aplicá-lo à realidade de hoje”.
EM OUTROS PAÍSES, JOVENS SÃO PUNÍVEIS AOS 14 OU MENOS
Pela legislação brasileira, um criminoso menor de dezoito anos não é mandado para a prisão: é internado numa instituição para receber as chamadas “medidas socioeducativas”, e lá não pode ficar mais de três anos, mesmo que tenha cometido as maiores atrocidades. Diz o artigo 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente:
“Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos”; “Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado fim regime de semiliberdade ou de liberdade assistida”; “A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade”.
Em Portugal e na Argentina, o jovem atinge a maioridade penal aos 16 anos. Na Alemanha, aos 14. Já em países como Inglaterra e Estados Unidos não existe idade mínima para a aplicação de penas, contando, para efeito de punição, a noção que o criminoso tem do ato que praticou.
12 de setembro de 2011
Comitê do Obama para o Brasil
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| "Se Bin Laden fosse vivo, apoiaria os tea parties" |
As coisas andam divertidas no escritório de jornalismo da Rede Globo em Washington, o Comitê do Partido Democrata para o Brasil. Na quinta-feira, Barack Hussein Obama foi ao Congresso pedir apoio ao seu plano de criação de empregos: para revigorar a economia de um país com uma dívida trilionária, é preciso torrar mais 450 de bilhões de dinheiro público. Ou seja: o fracasso do governo requer mais governo, conforme o credo esquerdista.
Obama exortou os parlamentares a aprovar o plano pelo bem dos Estados Unidos. O Jornal Nacional chamou seu correspondente Luís Fernando Silva Pinto para comentar o pronunciamento. "Obama desafiou a oposição a agir, mas não usou um tom rancoroso", disse o jornalista, salientando a nobreza do homem. "A estratégia foi oferecer soluções que, se os republicanos não apoiarem, terão que explicar aos eleitores". Havia um sorriso na cara do Silva Pinto. Devia estar orgulhoso da astúcia obâmica.
William Bonner quis saber se esse apelo à transferência de responsabilidades não arrisca a reeleição de Obama. Silva Pinto tranqüilizou o público. "Pode ser que ele consiga algum apoio do Congresso agora, porque os deputados e senadores de oposição também precisam se reeleger em novembro do ano que vem. E os eleitores americanos estão muito mais decepcionados com os políticos do que com o presidente Obama". De novo aquele sorriso na cara do correspondente. Eu também achei graça da descoberta: o presidente engajado na campanha pela reeleição não é político.
Mas avacalhação mesmo foi o Arnaldo Jabor no Jornal da Globo falando dos dez anos do 11 de Setembro e difamando americanos patriotas com base nos artigos que lê no esquerdista New York Times. "A queda das torres levou à queda da economia, deixando destroços até hoje. Bin Laden é um vitorioso, e seu terror continua, agora ajudado pelos republicanos da direita radical. Se Bin Laden fosse vivo, apoiaria os tea parties", pontificou o sábio.
"O Jabor matou a pau!", avaliou um homem-bomba da Al Qaeda que acompanhava pela parabólica.
Qualquer objeção à agenda socialista e perdulária de Obama é radicalismo de direita, encarnado, segundo a imprensa esquerdista, no Tea Party, cidadãos que reivindicam uma política fiscal responsável, que não leve o país à falência. São considerados terroristas por um comentarista fanatizado por slogans progressistas. Um homem nessa condição é capaz de qualquer imbecilidade. O Jabor deve se achar transgressor fazendo isso.
***
A propósito, se você pensa em virar correspondente político da Globo nos Estados Unidos, confira as minhas dicas infalíveis no artigo "Jornalismo internacional em três lições".
9 de setembro de 2011
Programa para domingo à noite
ATUALIZANDO: O PROGRAMA SERÁ REPRISADO NA SEXTA (16), ÀS 7H, E NO SÁBADO, ÀS 23H.
Sugestão para os leitores que acompanharam a emocionante troca de comentários nas últimas postagens sobre Israel.
Neste domingo (11), a partir das 20h30, a TV O Povo exibe entrevista de Ben Abrahm, presidente da Associação Brasileira dos Sobreviventes do Nazismo e vice-presidente da associação mundial. Nascido na Polônia e naturalizado brasileiro, escreveu quinze livros relacionados ao Holocausto.
Os jornalistas Saulo Tavares, já conhecido de vocês, Roberto Kedoshim, autor do blog Notícias de Sião, Plínio Bortolotti, do grupo O Povo, e o professor de história André Rosa são os entrevistadores.
O programa Coletiva passa no canal 48 da TV aberta, no 23 da Net e neste link:
http://publica.hom.opovo.com.br/tvopovo,571,109.html
Sugestão para os leitores que acompanharam a emocionante troca de comentários nas últimas postagens sobre Israel.
Neste domingo (11), a partir das 20h30, a TV O Povo exibe entrevista de Ben Abrahm, presidente da Associação Brasileira dos Sobreviventes do Nazismo e vice-presidente da associação mundial. Nascido na Polônia e naturalizado brasileiro, escreveu quinze livros relacionados ao Holocausto.
Os jornalistas Saulo Tavares, já conhecido de vocês, Roberto Kedoshim, autor do blog Notícias de Sião, Plínio Bortolotti, do grupo O Povo, e o professor de história André Rosa são os entrevistadores.
O programa Coletiva passa no canal 48 da TV aberta, no 23 da Net e neste link:
http://publica.hom.opovo.com.br/tvopovo,571,109.html
A mania de ir contra a lei
Artigo do Rodolfo Oliveira no Estado
Desde menino, nutro paixão pelo que foge ao senso comum. Nada atrai mais a minha atenção do que algo fora do normal. Sou um apaixonado pela exceção. Foi com esse sentimento que, no final de semana, li o artigo de James Q. Wilson, um professor aposentado das universidades de Harvard e da Califórnia, nos Estados Unidos. O homem veio com uma teoria que, no Brasil, seria a mais louca heresia. O que disse o professor? Que a violência e a criminalidade não estão diretamente ligadas à pobreza como nos ensinam as escolas e os jornais. Wilson constatou que durante a Grande Depressão norte-americana, nos anos 1930, quando o desemprego atingiu 25% da população, a taxa de criminalidade em muitas cidades dos Estados Unidos caiu consideravelmente. Em contrapartida, na década de 1960, quando a economia daquele país experimentou um período de ascensão, o número de crimes explodiu se comparado proporcionalmente à década da Crise. E o mais curioso: nas décadas de 1990 e 2000, o crime voltou a cair, apesar de os Estados Unidos não mais experimentarem o cenário positivo que apresentava 40 anos atrás.
Wilson esboça algumas explicações para o fenômeno, que, sem dúvida, contradiz tudo o que acreditamos sobre a relação pobreza-violência. Para o homem, o fato pode ser explicado porque, durante a Grande Depressão, quando a pobreza generalizou-se nos país, as famílias tiveram que ser mais solidárias umas às outras e acabaram por criar laços que as mantiveram unidas pelo tempo que durou a crise. Wilson diz que essa união visava particularmente ao cuidado com os jovens que, naturalmente, têm mais propensão a cometer crimes. As famílias passaram a “fiscalizar” mais de perto os adolescentes, mantendo-os na linha e os salvando da tentação pela vida do crime, que, ao fim e ao cabo, não compensa. Paradoxalmente, nos tempos de bonança, quando a “fiscalização” sobre os jovens diminui, é que o crime volta a crescer, talvez pelo fato de que os pais, estando eles próprios ocupados em obter o sustento da família, não mais se preocupem com quem os filhos andem, ou o que fazem, ou se estão indo à escola, etc.
No Brasil, nós temos essa coisa chamada Estatuto da Criança e do Adolescente, esse grande salvo-conduto para os crimes cometidos pelos jovens. Graças ao tal Estatuto, bandidos transformaram-se em “jovens em conflito com a lei”, e pobre daquele que olhar feio para um “jovem infrator”. Este será chamado de reacionário, direitista, etc., e caso continue a olhar feio para os “meninos”, poderá ele próprio acabar atrás das grades. Sabe como é, são apenas “jovens em conflito com a lei...”. Rodolfo Oliveira
Desde menino, nutro paixão pelo que foge ao senso comum. Nada atrai mais a minha atenção do que algo fora do normal. Sou um apaixonado pela exceção. Foi com esse sentimento que, no final de semana, li o artigo de James Q. Wilson, um professor aposentado das universidades de Harvard e da Califórnia, nos Estados Unidos. O homem veio com uma teoria que, no Brasil, seria a mais louca heresia. O que disse o professor? Que a violência e a criminalidade não estão diretamente ligadas à pobreza como nos ensinam as escolas e os jornais. Wilson constatou que durante a Grande Depressão norte-americana, nos anos 1930, quando o desemprego atingiu 25% da população, a taxa de criminalidade em muitas cidades dos Estados Unidos caiu consideravelmente. Em contrapartida, na década de 1960, quando a economia daquele país experimentou um período de ascensão, o número de crimes explodiu se comparado proporcionalmente à década da Crise. E o mais curioso: nas décadas de 1990 e 2000, o crime voltou a cair, apesar de os Estados Unidos não mais experimentarem o cenário positivo que apresentava 40 anos atrás.
Wilson esboça algumas explicações para o fenômeno, que, sem dúvida, contradiz tudo o que acreditamos sobre a relação pobreza-violência. Para o homem, o fato pode ser explicado porque, durante a Grande Depressão, quando a pobreza generalizou-se nos país, as famílias tiveram que ser mais solidárias umas às outras e acabaram por criar laços que as mantiveram unidas pelo tempo que durou a crise. Wilson diz que essa união visava particularmente ao cuidado com os jovens que, naturalmente, têm mais propensão a cometer crimes. As famílias passaram a “fiscalizar” mais de perto os adolescentes, mantendo-os na linha e os salvando da tentação pela vida do crime, que, ao fim e ao cabo, não compensa. Paradoxalmente, nos tempos de bonança, quando a “fiscalização” sobre os jovens diminui, é que o crime volta a crescer, talvez pelo fato de que os pais, estando eles próprios ocupados em obter o sustento da família, não mais se preocupem com quem os filhos andem, ou o que fazem, ou se estão indo à escola, etc.
No Brasil, nós temos essa coisa chamada Estatuto da Criança e do Adolescente, esse grande salvo-conduto para os crimes cometidos pelos jovens. Graças ao tal Estatuto, bandidos transformaram-se em “jovens em conflito com a lei”, e pobre daquele que olhar feio para um “jovem infrator”. Este será chamado de reacionário, direitista, etc., e caso continue a olhar feio para os “meninos”, poderá ele próprio acabar atrás das grades. Sabe como é, são apenas “jovens em conflito com a lei...”. Rodolfo Oliveira
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