23/4/1929 - 15/11/2011
"Seja leal à sua própria consciência. Não se deixe levar por movimentos. Tenha personalidade. E o jornalista que não souber gramática, digo aos senhores: não será jornalista!"
Themístocles de Castro e Silva falando à minha turma de jornalismo na UFC, em 2007.
4 comentários:
Quando mais novo escrevia contra ele. Hoje vejo que muitas de suas posições eram muito bem embasadas, contudo me oponho a volta dos milicos, ainda não há por quê. Embora saibamos que em 25 anos os milicos serão vermelhos e auxiliarão na tomada total do estado.
Meu primeiro contato com o Themístocles foi ouvindo o seu programa de rádio que embalava as noites com músicas da Época de Ouro, as músicas que tanto amava e defendia - por vezes, depreciando, sem boa razão, qualquer coisa criada após o período.
Mas era assim: embora não concordasse cem por cento com ele, entendia o papel importante que ele cuidava de cumprir: uma voz em meio a uma corrente de mesmice, seja em termos da produção musical brasileira, seja em termos da política nacional.
Depois, vieram os de(em)bates acirrados, também no rádio, no qual defendia ardorosa e, em especial, corajosamente as suas opiniões, os seus argumentos, os fatos que tinha para apresentar/comentar.
Daí, enfim, vieram os textos escritos para o jornal O Povo, que deu azo à maré de patrulheiros do esquerdismo estúpido estupidificante, que não admite a simples possibilidade de coexistir com manifestações de divergência.
De tudo, o que mais ficou, sem dúvida, foi o exemplo de coragem e persistência na defesa dos seus valores, seus princípios, suas idéias e convicções políticas e artísticas, mesmo submetendo-se a uma saraivada de oponentes raivosos e covardes, que à menor oportunidade tudo faziam para ridicularizá-lo e, por extenso, a direita conservadora, amiúde ignorando, para além da própria argumentação em suas manifestações, os fatos por ele elencados, como bom e grande jornalista que foi.
Em momento algum, Themístocles cedeu à corrente nem fez concessões covardes ao politicamente correto, preferindo - quase literalmente - dar a cara à tapa, porém mostrando-se exatamente como o homem que era, com tudo o que pensava e considerava de valor.
Por isso, caríssimo jornalista Bruno Pontes, e caríssimos Pensamento Liberal UFC, Rodolfo Oliveira, Saulo Tavares, Sílvio Ricardo, outros mais (até você, Everardo, certamente a contragosto seu), aplica-se a esse homem concordemos ou não com ele - a frase do grande Chesterton que serve de epígrafe a este blog. De fato, agora, somente agora, Themístocles de Castro e Silva poderia seguir com uma corrente. Enquanto vivo, muitas não conseguiram frear seu movimento.
"E o jornalista que não souber gramática, digo aos senhores: não será [BOM] jornalista!"
No Brasil a regra entre os tais "formadores de opinião" (a minha não!) é NÃO SABER E DETESTAR A LÍNGUA CULTA.
Prefiro ler um livro de receitas a assistir meia hora de jornal que me embrulha o estômago com tanto bom mocismo e idiotice.
O mérito de um homem não poderá estar em concordar, ou não, comigo. (No caso, seria mais adequado "em eu concordar, ou não, com ele" - e eu não concordava). Posso testemunhar duas qualidades no jornalista: integridade e coerência. Íntegro, de inteiro, de ser ele mesmo original, sem fragmentos. Coerente, por sua linha bem definida de pensamento e sua lealdade ideológica. Acrescentaria ainda a coragem, pois reconheço que não é fácil defender valores unanimemente recusados por uma conjuntura pós-ditadura. Muitos, oportunistas, mudaram suas posições - se é que as tinham. Ele se manteve, e, agora, não é momento para se discutir se estava certo ou errado. A história dirá.
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