Artigo no jornal O Estado
O Brasil sempre teve uma classe parasitária grande demais, cara demais, ociosa demais. O tamanho e a extensão dos braços da burocracia têm relação direta com o imobilismo da economia. Nosso potencial de desenvolvimento é sistematicamente anulado por regulamentações, carimbos, alvarás, tarifas, cópias, mais carimbos, mais tarifas, peregrinações a órgãos diversos da máquina estatal para receber a notícia de que é preciso voltar na semana que vem com mais documentos... Parece haver um acordo tácito para prejudicar ao máximo o infeliz que tiver a pretensão de se aventurar e fazer negócios privados.
Por outro lado, o cofre do dinheiro público está sempre aberto para quem quiser se esbaldar no colo da “mamãezada”, como diz José Osvaldo de Meira Penna, autor ignorado em nossas universidades por razões óbvias e que só o engrandecem.
Leia a notícia a seguir como um indício do que a economia brasileira poderia ser caso os governos tirassem os entraves burocráticos do nosso caminho:
A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor de 2008, feita em 43 países e divulgada no mês passado, mostrou que o Brasil é o terceiro país do mundo em número de jovens empreendedores. Nos últimos três anos, segundo o levantamento, mais de três milhões e meio de jovens (18 a 24 anos) brasileiros resolveram abrir o próprio negócio. Em termos de iniciativa empresarial jovem, só ficamos atrás do Irã e da Jamaica.
Quantos desses milhões de jovens foram derrotados pela carga tributária gigantesca? Quantos tiveram seus sonhos frustrados por um Estado que regula e taxa toda e qualquer coisa que se mova? Parece piada, e é mesmo, mas estão querendo controlar até mesmo a profissão de DJ. O projeto de lei é do senador desocupado Romeu Tuma (PTB). Uma palhaçada monumental, resultado da ânsia cartorial de um governo central onipresente.
Os políticos sabem que podem deixar a economia florescer. A equipe econômica lulista, assustada com a marolinha, quer ver a construção civil em movimento. O que fez? Saiu de cima um pouquinho. Mas já que a rapaziada não aceita perder nem uma gotinha do leite, a diminuição dos impostos sobre os materiais de construção será compensada com o aumento dos impostos sobre os cigarros. O nome disso é distribuição de renda.
Pense no que poderíamos alcançar sem a cascata de impostos e entulhos burocráticos. Pense no governo tirando dinheiro do nosso bolso para sustentar estatais milionárias e corruptas, artistas geniais e incompreendidos, pilantras do filão "lutei contra a ditadura" e órgãos sem sentido como o Ministério da Cultura e a TV Brasil. Pense nos milhões de jovens que poderiam estar prosperando e girando a economia. O Brasil é um país cheio de potencial capitalista e gente empreendedora tendo os pés puxados por uma classe parasitária que cresce, atrapalha e rouba cada vez mais.
