Minha consciência pode ser branca, mas nem por isso vou ficar fora da festa.
O Diário do Nordeste de hoje entrevista o babalorixá Balbino Cabral, identificado como “um dos grandes nomes do movimento negro nacional”. Ele diz que 20 de novembro, o tal dia da consciência negra (o pessoal de esquerda acha que a quantidade de melanina do indivíduo é fator decisivo na formação de sua consciência), é o “dia para lembrar que sou negro livre, que é aquele consciente de suas próprias decisões, e não negro libertado, aquele da abolição da escravatura, entregue à própria sorte, para ser mendigo, para ser pedinte, para ser capacho. Sem direito à terra, à educação, à saúde etc”.
É interessante a noção que o babalorixá tem de liberdade, porque alguns parágrafos depois ele diz que o negro tem que ser “consciente de sua negritude”, pois “não basta ser negro”. Quer dizer: o negro, para ser livre, deve necessariamente seguir o roteiro ditado pelos teóricos da raça. O negro só é livre se fizer o que a seita politicamente correta espera que ele faça. Nada de seguir “suas próprias decisões”.
Liberdade pura!
Continuando os festejos pelo dia da consciência negra, eu decidi, sempre usando minha consciência branca, publicar isso aqui de novo:
É interessante a noção que o babalorixá tem de liberdade, porque alguns parágrafos depois ele diz que o negro tem que ser “consciente de sua negritude”, pois “não basta ser negro”. Quer dizer: o negro, para ser livre, deve necessariamente seguir o roteiro ditado pelos teóricos da raça. O negro só é livre se fizer o que a seita politicamente correta espera que ele faça. Nada de seguir “suas próprias decisões”.
Liberdade pura!
Continuando os festejos pelo dia da consciência negra, eu decidi, sempre usando minha consciência branca, publicar isso aqui de novo:
Tribunal racial - no Brasil tem
Você já viu naquelas imagens gravadas nos campos de concentração, ou em filmes recriando a era de Hitler, nazistas examinando judeus, fazendo medições de partes do corpo etc e tal? Terrível, não? A barbárie do passado...
Existe em Brasília, desde 2004, um procedimento que, guardando as devidas proporções e contextos, não é muito diferente. Naquele ano, a Universidade de Brasília iniciou sua política de cotas para alunos negros, iniciativa, a meu ver, já condenável. Mas o caso tem um elemento a mais de absurdo. As universidades que trabalham com cotas usam o critério da autodeclaração. Se você se diz negro, então é. Não é o bastante para a UnB. Para garantir a entrada de estudantes negros "de verdade" (de verdade ao gosto dos esquerdistas; eles adoram uma minoria estereotipada), foi formada uma comissão para fazer a perícia física dos concorrentes. Foi instaurado um tribunal racial.
A "comissão da raça" inclui docentes, antropólogos e integrantes do tal movimento negro. A perícia é feita com análise de fotos dos vestibulandos. Os juízes verificam cor de pele, tipo de cabelo, formato de nariz, lábios etc. Quem não for negro suficiente para a comissão pode recorrer, sendo, então, entrevistado. Algumas das perguntas já feitas nesses casos: já teve alguma ligação com o movimento negro? Já foi discriminado pela cor? Já "se pensou" negro antes de se inscrever no vestibular (essa é quase filosófica)? Um candidato chegou a ser indagado se havia alguma vez namorado uma mulata. Para a UnB, não basta ser negro. Tem que ser negro de acordo com a cartilha!
Existe em Brasília, desde 2004, um procedimento que, guardando as devidas proporções e contextos, não é muito diferente. Naquele ano, a Universidade de Brasília iniciou sua política de cotas para alunos negros, iniciativa, a meu ver, já condenável. Mas o caso tem um elemento a mais de absurdo. As universidades que trabalham com cotas usam o critério da autodeclaração. Se você se diz negro, então é. Não é o bastante para a UnB. Para garantir a entrada de estudantes negros "de verdade" (de verdade ao gosto dos esquerdistas; eles adoram uma minoria estereotipada), foi formada uma comissão para fazer a perícia física dos concorrentes. Foi instaurado um tribunal racial.
A "comissão da raça" inclui docentes, antropólogos e integrantes do tal movimento negro. A perícia é feita com análise de fotos dos vestibulandos. Os juízes verificam cor de pele, tipo de cabelo, formato de nariz, lábios etc. Quem não for negro suficiente para a comissão pode recorrer, sendo, então, entrevistado. Algumas das perguntas já feitas nesses casos: já teve alguma ligação com o movimento negro? Já foi discriminado pela cor? Já "se pensou" negro antes de se inscrever no vestibular (essa é quase filosófica)? Um candidato chegou a ser indagado se havia alguma vez namorado uma mulata. Para a UnB, não basta ser negro. Tem que ser negro de acordo com a cartilha!
E assim chegamos ao caso dos gêmeos univitelinos Alex a Alan Teixeira da Cunha, de 18 anos, inédito no mundo. Filhos de pai negro e mãe branca, eles decidiram tentar o vestibular de 2007 dentro do sistema de cotas. Os irmãos, idênticos, tiraram as fotografias para a análise do tribunal. E então os "juízes" decidiram: Alan é negro e Alex é branco! Milagre em Brasília. Depois de muita discussão e crítica, a UnB aceitou Alex de volta. Ele voltou a ser negro. "Fiquei bastante feliz com o resultado porque vou poder concorrer pelo sistema de cotas. O único problema é que não fiquei sabendo por que a universidade errou na hora de avaliar se eu era negro ou não", disse Alex, mostrando, sem querer, o caráter de piada absurda do episódio.
O milagre em Brasília é tragicômico e espelha a neurose brasileira da correção política. O senador Paulo Paim (PT-RS) chegou a elaborar, em 2006, projeto de lei prevendo a identificação de negros em documentos pessoais. Isso mesmo. Negros teriam carteirinhas de negro. Não se sabe se brancos teriam carteirinhas de branco ou se pardos teriam carteirinhas de pardo. Para nossa esquerda estúpida, o caminho mais eficaz no combate à desigualdade racial é justamente dividir, em nível constitucional, o país em negros e brancos. Mais claramente: tornar legal, de uma maneira até orgulhosa, a desigualdade racial. Pode ser que num futuro próximo idealizado plas boas intenções das mentes "progressistas" do Brasil seja de bom tom usar etiquetas dizendo "cidadão branco" ou "cidadão negro" nas roupas...
Já que a política de cotas foi copiada dos americanos, é conveniente saber que a Suprema Corte dos Estados Unidos votou contra a exclusividade do critério racial para a admissão de alunos em escolas de Seattle, em Washington, e Louisville, em Kentucky. A opinião do juiz John Roberts deixaria os pró-cotas tupiniquins num dilema constrangedor: "O que as classificações raciais fazem nestes casos, a não ser determinar a admissão em uma escola pública baseada em preconceito racial? A maneira de parar com a discriminação baseada em raça é parar de discriminar com base na raça". Mas isso é nos Estados Unidos, aquele atraso de país.
Enquanto cientistas do mundo inteiro enterram a noção de raça cada vez mais fundo na vala da mistificação, a moderna esquerda brasileira contribui na forma do pioneirismo atrasado do tribunal racial universitário. Em Brasília, em nome da "igualdade", tão dando selo de negritude na base da olhada e do interrogatório politicamente correto, o que é uma dupla irracionalidade. Pobre Alex. Será que ele não "se pensou" suficientemente negro? Onde foi que ele errou? Será que ele nunca namorou uma mulata? Que vacilo, Alex!
Esse rapaz é a vergonha da imbecilidade politicamente correta nacional.
Já que a política de cotas foi copiada dos americanos, é conveniente saber que a Suprema Corte dos Estados Unidos votou contra a exclusividade do critério racial para a admissão de alunos em escolas de Seattle, em Washington, e Louisville, em Kentucky. A opinião do juiz John Roberts deixaria os pró-cotas tupiniquins num dilema constrangedor: "O que as classificações raciais fazem nestes casos, a não ser determinar a admissão em uma escola pública baseada em preconceito racial? A maneira de parar com a discriminação baseada em raça é parar de discriminar com base na raça". Mas isso é nos Estados Unidos, aquele atraso de país.
Enquanto cientistas do mundo inteiro enterram a noção de raça cada vez mais fundo na vala da mistificação, a moderna esquerda brasileira contribui na forma do pioneirismo atrasado do tribunal racial universitário. Em Brasília, em nome da "igualdade", tão dando selo de negritude na base da olhada e do interrogatório politicamente correto, o que é uma dupla irracionalidade. Pobre Alex. Será que ele não "se pensou" suficientemente negro? Onde foi que ele errou? Será que ele nunca namorou uma mulata? Que vacilo, Alex!
Esse rapaz é a vergonha da imbecilidade politicamente correta nacional.
2 comentários:
Falando em consciência negra, confiram a verdadeira história de Zumbi dos Palmares:
http://veja.abril.com.br/191108/p_108.shtml
Este blog é escrito sem isenção engajada, sem imparcialidade fingida e sem frescura politicamente correta.
MUITO BOM,
Postar um comentário