20 de Novembro de 2008

Politização da consciência

Artigo no jornal O Estado
Hoje é dia da consciência negra. Mais de 300 cidades do país decretaram feriado. Fiquei interessado na possibilidade de decretar um feriado da consciência branca, da consciência mulata, da consciência amarela e até da anêmica, procurando com isso garantir um feriado para todos os setores da sociedade brasileira, mas temo o que podem pensar de mim. Não quero ser considerado racista. Hoje em dia só é bacana distinguir uma pessoa pela cor de sua pele se ela for negra. Limitei-me a observar o que políticos e babalorixás pontificaram sobre o tema nos últimos dias.

Balbino Cabral, babalorixá, em entrevista a um jornal local, que o identificou como “um dos grandes nomes do movimento negro nacional”, declarou que o dia da consciência negra é o “dia para lembrar que sou negro livre, que é aquele consciente de suas próprias decisões, e não negro libertado, aquele da abolição da escravatura, entregue à própria sorte, para ser mendigo, para ser pedinte, para ser capacho”. Alguns parágrafos depois, o babalorixá diz que o negro tem que ser consciente da sua negritude, pois “não basta ser negro”. Ou seja: só é negro de verdade quem segue o guia de comportamento definido como adequado pela turma do politicamente correto. Onde está a liberdade, então?

Assembléia Legislativa, terça-feira. Os deputados petistas Artur Bruno e Dedé Teixeira promoveram mais uma audiência pública, em que assuntos irrelevantes são discutidos por horas e horas com o objetivo de marcar outra reunião, para falar sobre o papel do negro no Brasil e as políticas relativas ao assunto. Artur Bruno está chateado com as escolas que não ensinam história africana. Ele também acha que a Assembléia precisa se envolver na discussão das cotas nas universidades. “Precisamos dizimar o racismo”, proclamou. Logo, devemos selecionar estudantes de acordo com a cor da pele, que é para dizimar o racismo de vez. Renato Ferreira, coordenador do programa Política da Cor na Educação Brasileira, do Laboratório de Políticas Públicas do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que a desigualdade só pode ser combatida por meio da política. Seria surpreendente se alguém bancado pelo Estado para politizar dissesse outra coisa.

Enquanto cientistas do mundo inteiro enterram a noção de raça cada vez mais fundo na vala da mistificação, esquerdistas brasileiros brincam de misturar politicagem e melanina. Em nome do que chamam de progresso, clamam pela tutela estatal dos negros, seja por meio de cotas ou de ministérios. Dizem que a cor da pele não tem importância, mas vão construindo suas carreiras em cima disso. Quanto atraso. Feliz dia da consciência negra. E aguarde a próxima audiência pública.

2 comentários:

Anônimo disse...

Aqui em SP é feriado, portanto, ao menos pra isso essa comemoração (ou seja lá o que queira dizer consciência negra) sem sentido serve pra alguma coisa.

Anônimo disse...

http://charges.uol.com.br/bobagens/fogosobama.jpg